Luta entre Rio e Rangel está escrita nas estrelas? Todos acham que sim

Presidente do PSD ganhou novo fôlego com os resultados das autárquicas. Os seus opositores querem fazer contas para saber se é suficiente para estancar alternativas à liderança, mas todos dão como certo que Rangel entrará na corrida. E que Carlos Moedas, um dos vencedores de 26 de setembro, vai manter-se neutral, até para ser uma reserva para o futuro.

Até 14 de outubro é tempos de fazer contas de somar a subtrair no PSD. No Conselho Nacional já marcado para debater os resultados das eleições autárquicas do dia 26 de setembro começará a perceber-se quem se posiciona para o futuro imediato do partido. Mas ainda não será na reunião do órgão máximo entre congressos que Rui Rio deverá anunciar a sua decisão quanto à recandidatura à presidência social-democrata.

E embora não tenha comunicado a nenhum dos dirigentes que o acompanha na direção do partido, nem tenha levantado a ponta do véu sobre o que pretende fazer na reunião da Comissão Política Nacional, todos esperam que diga ter ganho o balanço para se dispor a manter-se ao leme do partido nas diretas de 2022.

Mas também profetizam, do lado de Rio, que o eurodeputado Paulo Rangel "não tem margem de recuo" e irá mesmo ser um dos opositores do atual líder laranja. O confronto entre os dois estará escrito nas estrelas, como diria Santana Lopes?

Paulo Rangel fez um compasso de espera. No seu texto de opinião no Público, dois dias após a noite eleitoral escrevia: "Como bem disse o líder do PSD, estamos ainda no perímetro do ciclo autárquico, das suas implicações e repercussões". Mas admite que "o sinal das autárquicas é um sinal de esperança para a construção de uma alternativa sólida e credível, capaz de mobilizar os portugueses em torno de um projeto reformista".

Mas mais disse Rangel, num sinal de que a porta a uma eventual candidatura à liderança ficou aberta. "É importante que o PSD volte a afirmar e nunca abdique de uma vocação maioritária, pois o risco d erosão progressiva da sua identidade subsiste".

Os que lhe são próximos dizem que as contas sobre os resultados autárquicos vão mesmo ser feitas. "É uma grande vitória em valores absolutos? Isto chega para 2023?" - são as perguntas que colocam na mesa e com que vão confrontar Rui Rio.

Dão o exemplo da vitória na Câmara de Coimbra, em que o candidato imposto por Rui Rio, José Manuel Silva conseguiu a melhor sobre o rival do PS Manuel Machado. "Foi um independente que foi a votos contra as estruturas locais do PSD, que queriam Nuno Freitas. Ganhou, mas e os militantes de secção que ficaram de fora? Esses estarão com Rui Rio nas diretas?"

Ou seja, a ideia que prevalece entre os apoiantes de Rangel é que parte do partido já não está com o atual líder social-democrata e que o bom resultado autárquico não os demoverá de apostar na alternativa. Mesmo a norte, onde outro candidato escolhido pela direção nacional, Vladimiro Feliz, conseguiu tirar a maioria absoluta a Rui Moreira. "Rio ganhou um balão de oxigénio, mas até que ponto passou para as bases e as estruturas é isso que é preciso medir", afirma ao DN uma fonte próxima de Rangel.

Do lado oposto, na barricada dos que estão de pedra e cal com Rio, a ideia é que perante a subida do PSD nas eleições não há margem entre as estruturas, como a do Porto, para tirar o tapete ao atual presidente do partido.

Nesta equação joga muito o resultado que Carlos Moedas teve em Lisboa. Ao destronar o socialista Fernando Medina na principal câmara do país, o antigo comissário europeu ganhou ainda mais peso partidário. Mas fontes ouvidas pelo DN garantem que não irá intrometer-se na contenda das internas de janeiro, mesmo sendo amigo de Paulo Rangel, que esteve com ele no encerramento da campanha eleitoral, coisa que Rio não fez.

Outro putativo candidato à liderança, Luís Montenegro ficou com a vida mais dificultada para se abalançar em novo confronto com Rui Rio, depois de nas últimas diretas, em janeiro de 2020, ter perdido as eleições. Agora, a dois dias da ida às urnas para a escolha dos autarcas, tinha avisado que não se iria eximir de pedir contas a Rio sobre o resultado das autárquicas, dando a entender que esperava o pior desse ato eleitoral.

"Agora ele e até Miguel Pinto Luz [que ficou em terceiro nas diretas de 2020] meteram a viola no saco", diz uma fonte próxima de Rio. E na verdade entre os mais próximos de Montenegro começa a existir a convicção de que não haverá uma segunda oportunidade para conquistar o partido. Pelo menos não já no final deste ano ou em janeiro 2022, altura em que se realizarão as eleições internas.

Visto como potencial challenger de Rio é Jorge Moreira da Silva. O antigo ministro de Passos Coelho anda numa roda viva a promover o seu livro e já tinha prometido fazer uma "reflexão" pós-autárquicas sobre a sua eventual candidatura.

paulasa@dn.pt

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