Luso-descendente candidata a deputada em França

A luso-descendente Christine Pires Beaune, de 47 anos, é candidata a deputada pelo PS francês e considera que tem "grande probabilidade" de ser eleita.

A história de Christine - que concorre na segunda circunscrição de Puy-de-Dôme, 500 quilómetros a sul de Paris - começou como a da grande maioria dos filhos dos portugueses que nos anos de 1960 saíram do País.

Os pais, de Casal de Cinzas, perto da Guarda, foram para França. A mãe trabalhou como empregada doméstica, o pai como operário metalúrgico. Ela nasceu e cresceu em França. Fala, diz, "muito mal português".

"Tenho a vantagem de ter dois países e duas culturas, e tenho, claro, uma sensibilidade maior para os problemas dos portugueses. Mas, embora tenha muito orgulho nas minhas origens, é preciso dizer que esta não é uma candidatura da comunidade portuguesa", diz à agência Lusa.

A candidata, conselheira municipal em Volvic, cidade com uma forte presença portuguesa, lamenta, por exemplo, o encerramento do vice-consulado de Portugal em Clermont-Ferrand: "Acompanhei a luta dos portugueses ali e lamento que não tenha havido um eleito com mais influência para fazer alguma coisa por eles, que são a segunda maior comunidade portuguesa em França. Estou certa de que obrigar as pessoas a irem a Lyon vai colocar muitos problemas às famílias", afirma.

A candidatura à Assembleia Nacional é "um passo normal em 20 anos de vida política": "Sou simpatizante de sempre do Partido Socialista e filiei-me em 1998. Desde aí que tenho ocupado cargos políticos. A política é o meu quotidiano. Tenho um grande interesse pela coisa pública, pela vida das pessoas", conta.

Eleita deputada, Christine Pires Beaune quer trabalhar na área das finanças e da fiscalidade, mas também questões relacionadas com o voto dos estrangeiros, com a reorganização das coletividades territoriais, com a juventude e com a habitação.

Vai a votos "numa terra de esquerda" e "muito confiante": "É certo que, antes de tudo, é preciso prudência, porque uma eleição nunca está ganha antes de estar, mas sei que tenho grande probabilidade de ser eleita", afirma, acrescentando que "agora é levar a campanha para o terreno".

Importante também, acredita, é torcer por François Hollande, o socialista que concorre às eleições presidenciais: Christine Pires Beaune diz que 80% das legislativas de junho se jogam nas presidenciais de abril e maio e, por isso, a vitória do favorito nas intenções de voto dos franceses seria uma vitória que a candidata sentiria a dobrar.

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