Livre quer "ecologia e economia de mãos dadas"

Em ação de campanha nas salinas do Samouco, o líder do partido reforçou a importância da investigação do sódio como alternativa ao lítio. Defendeu também a criação de uma agência nacional de investigação para preservar o conhecimento das populações.

O fundador do Livre Rui Tavares afirmou esta quarta-feira numa visita às salinas do Samouco, em Alcochete, que "a ecologia e a economia podem andar de mãos dadas" e destacou a importância da "valorização das pessoas e do território".

"Estamos aqui num bom exemplo de algo que está a ser preservado graças a medidas de mitigação do impacto ambiental da Ponte Vasco da Gama, medidas até que foram impostas pelo próprio direito europeu, mas que nos ajudam a recriar algo que já se estava a perder", disse o líder do Livre na ação de campanha para as legislativas de 30 de janeiro.

Rui Tavares falava aos jornalistas no final de uma visita guiada por um educador ambiental da Fundação das Salinas do Samouco, no concelho de Alcochete, distrito de Setúbal, em que também salientou a importância das investigações sobre o sal, que, no futuro - admitiu -, até pode vir a "substituir as baterias de lítio".

"Já há investigação sobre o sódio, que é o elemento fundamental do sal, feita por cientistas da Universidade de Lisboa. Não esqueçamos que o sódio é já um elemento de futuro, que já está a ser utilizado em baterias de carros elétricos", disse.

À margem do encontro, Rui Tavares aproveitou para falar acerca das explorações de lítio, algo que o Livre é contra. Para o responsável, é importante "começar já a investigar a utilização do sódio em baterias de carros elétricos para que um dia naquela ponte, autocarros e carrinhas elétricas, que nós defendemos que sejam feitas aqui na Península de Setúbal numa fileira nova de veículos elétricos, possam andar movidos a baterias de sódio".

Para Rui Tavares, a investigação feita nas salinas do Samouco é um exemplo do que pode "unir o passado e o futuro, numa visão de um novo modelo de desenvolvimento para o país". Na visita às Salinas do Samouco, o líder do Livre defendeu também a criação de uma Agência Nacional de Transferência de Conhecimento, para que a economia do conhecimento não fique apenas nas academias, nas universidades, e para que também seja possível preservar o conhecimento das populações locais."

Questionado sobre a situação da TAP e a possibilidade anunciada pelo líder do PSD, Rui Rio, de voltar a privatizar a empresa, Rui Tavares disse que o importante é "que a TAP seja sustentável e lucrativa".

"Acho que a política não pode andar ao sabor nem de dogmatismos ideológicos, nem de agendas de curto prazo. O que é importante, do ponto de vista do Livre, é que a TAP seja sustentável, que a TAP seja lucrativa. É, aliás, isso que está no quadro do acordo com a União Europeia e aquilo que o direito europeu, em relação às nacionalizações, permite", disse.

"Há muitos mitos. Diziam-nos, também a nossa esquerda, por exemplo, que era impossível nacionalizar empresas, torná-las públicas, porque o direito europeu não permitiria. Não é verdade. Permite, com a condição de que haja um plano de sustentabilidade que até seja lucrativo para a empresa no médio e no longo prazo. E é nisso que nós nos devemos concentrar agora, dado que já é uma tarefa suficientemente difícil", acrescentou.

Na ação de campanha, Rui Tavares defendeu também que a TAP "tem um papel a desempenhar como empresa pública, ainda que possa estar integrada em grupos internacionais" e que "tem de ter um valor social, seja na ligação do continente às ilhas, seja na ligação dos portugueses que estão em Portugal com a nossa diáspora, seja com os Países de Língua Portuguesa".

"Esses são fatores essenciais que podem ser mais bem preservados, do nosso ponto de vista, através de uma TAP pública. Mas agora o essencial não é já dizer qual é que vai ser o fim do caminho, o essencial é preservar a TAP, preservar valor", concluiu o fundador do Livre.

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