Lisboa. Moedas e outros candidatos a mexer, Medina guarda-se para o fim

João Ferreira assumiu a candidatura à câmara pela CDU e Carlos Moedas até já tem diretor de campanha e outdoor em que "Lisboa, pode ser muito mais do que imaginas".

É um clássico. Os presidentes de câmara que ainda podem ser recandidatos, costumam guardar-se para o fim e deixar os adversários políticos arrancar em primeiro para as eleições, porque sabem que levam vantagem na grelha de partida. Em Lisboa não há exceção. Só Fernando Medina - que todos esperam que seja recandidato - ainda não formalizou o anúncio que concorre a mais quatro anos de mandato.

As funções de presidente da câmara permitem-lhe ter visibilidade na cidade, a que acresce o seu espaço de opinião na TVI24, às terças-feiras, que o projeta para os assuntos do país. Acresce que Medina tem pela frente - à exceção de João Ferreira, que é recandidato nestas eleições pela CDU - adversários que são candidatos pela primeira vez à autarquia.

E se nas autárquicas de 2017 teve a desafiá-lo Assunção Cristas, então líder do CDS e cabeça de lista do partido à principal câmara do país (onde arrecadou 20% dos votos), agora tem outra figura conhecida a liderar a lista de coligação PSD/CDS, Carlos Moedas.

O antigo comissário europeu, que já fechou o acordo para a formação das listas aos órgãos autárquicos com os centristas - em que incluirá independentes - anda já numa roda viva. Na terça-feira apresentou o seu diretor de campanha, o médico de Saúde Pública e epidemiologista Ricardo Mexia, que durante a pandemia se tornou um rosto familiar dos portugueses.

O médico, militante do PSD e presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública assumiu o desafio: "Vamos tentar chegar às pessoas e apresentar uma verdadeira alternativa. Queremos mudar esta liderança socialista que está em franco declínio."

E o desafio a que Moedas se propõe foi espelhado no primeiro outdoor colocado nas ruas da cidade "Lisboa pode ser mais do que imaginas".

Carlos Moedas aventurou-se no fim de semana, tal fizeram tantos outros políticos, a participar no programa humorístico "Isto é gozar com quem trabalha" de Ricardo Araújo Pereira, na SIC. "O programa tem muita visibilidade, é natural que se queira aquele palco", afirmou ao DN uma fonte da candidatura de Moedas. Mas o palco não correu totalmente bem já que o candidato à Câmara de Lisboa foi alvo de criticas nas redes sociais depois de ter dito que Monica Bellucci "era uma senhora com alguma idade", que lhe valeu a acusação de sexista. Criticas que são desvalorizadas na equipa de Moedas. "Será sempre o mais natural possível e a ideia que quis fazer passar é que as novas gerações não conheciam a atriz, não era no sentido discriminatório pela idade", assegurou a mesma fonte.

Coligação com Medina?

João Ferreira, que pela terceira vez anda nestas andanças, também só assumiu a candidatura pela CDU na passada segunda-feira. Fez das suas bandeiras no arranque da corrida os transportes públicos "tendencialmente gratuitos" na capital e o combate à especulação imobiliária.

O eurodeputado deixará o Parlamento Europeu em julho para se dedicar à corrida autárquica e até se mostrou disponível a um acordo pós-eleitoral com Medina, caso os resultados eleitorais não deem maioria ao PS (tal como em 2017). "Será a relação de forças que sair das eleições" que ditará o futuro do governo lisboeta, disse na altura.

O Bloco de Esquerda aposta em Beatriz Gomes Dias, como cabeça de lista à autarquia, uma deputada bloquista que tem sido responsável na Assembleia da República pelas áreas de combate ao racismo, defesa dos direitos dos migrantes e pela área da cultura.

O partido de André Ventura tem na corrida um comunicador. Nuno Graciano, protagonista de diversos programas de entretenimento da TVI, SIC e CMTV, vai ser o "rosto" do Chega nas eleições autárquicas de outubro em Lisboa.

Já o Iniciativa Liberal - após o revés da desistência do primeiro candidato dois dias após o anúncio de que iria disputar a câmara de Lisboa - tem a bater-se junto do eleitorado um dos fundadores do partido, Bruno Horta Soares, que está muito ativo nas redes sociais, onde tem enunciado as ideias que tem para o governo da cidade.

Há ainda no terreno o líder do Volt, Tiago Matos Gomes. "Lisboa é a cidade onde nasci e vivo. Conheço bem os seus problemas, as suas contradições, as diferenças entre bairros, as desigualdades territoriais e sociais bem como a sua população tão diversa e, por isso, tão rica", indicou o líder do partido pan-europeu em Portugal.

E nesta quarta-feira o movimento Nós, Cidadãos! apresentou a consultora de comunicação como a sua candidata à autarquia lisboeta.

paulasa@dn.pt

Mais Notícias

Outras Notícias GMG