Liquidação do BPN perturbaria sistema financeiro

O governador do Banco de Portugal salientou hoje que a liquidação do Banco Português de Negócios (BPN) seria "perturbador" para o sistema financeiro nacional e defendeu a solução da reprivatização mesmo em condições desfavoráveis de mercado.

Carlos Costa sustentou esta tese perante a comissão parlamentar de inquérito sobre a nacionalização e reprivatização do BPN, na sequência de questões formuladas pelo deputado do PSD Afonso Oliveira.

"A liquidação do BPN era claramente perturbadora para o sistema financeiro", disse, referindo que este cenário, colocado em cima da mesa pela ?troika' (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional), além das questões de reputação, teria maiores custos do ponto de vista financeiro e social, "porque estavam em causa postos de trabalho".

Perante as perguntas do deputado do PSD, o governador do Banco de Portugal recusou-se a comentar a venda por 40 milhões de euros ao Banco Internacional de Crédito (BIC).

No entanto, nas suas declarações, Carlos Costa confirmou a tese apresentada pelo ex-ministro de Estado e das Finanças Teixeira dos Santos sobre o processo negocial entre o Estado Português e a ?troika' a partir de abril de 2011.

Segundo o governador do Banco de Portugal, logo que chegaram a Portugal, os técnicos da "troika' mostraram que "não estavam interessados que perdurassem no tempo instituições zombies" e "a primeira opção era a liquidação" do BPN.

"Por iniciativa da parte portuguesa, o BPN teve uma segunda oportunidade de privatização [após um concurso deserto no final de 2010]", mas, desta vez, "em contrarrelógio" e "em condições de mercado desfavoráveis, porque a generalidade dos bancos estava a desalavancar", advertiu o governador do Banco de Portugal.

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