Líder parlamentar do PS pede "bom senso" e "sensatez" ao ministro das Infraestruturas

Ana Catarina Mendes aponta "reação truculenta" às críticas da companhia aérea Ryanair.

A líder parlamentar do PS, Ana Catarina Mendes, considera que o ministro Pedro Nuno Santos teve uma reação "truculenta" às críticas da companhia aérea Ryanair, defendendo que o titular da pasta das Infraestruturas deve ter mais "ponderação" e "sensatez".

"Eu não gosto de ver ataques como os que foram feitos pela Ryanair, mas não acho que reagir de forma mais truculenta resolva problema nenhum, antes pelo contrário. E, por isso, maior recato ou sensatez, bom senso, nestas reações", disse Ana Catarina Mendes no programa A Circulatura do Quadrado, na TSF.

A líder parlamentar socialista diz que Pedro Nuno Santos "não se pode pôr no mesmo patamar, porque é ministro". "Tem uma responsabilidade acrescida e, sobretudo, tem que haver aqui alguma ponderação e alguma sensatez na forma como se reage", advertiu.

Em causa está um comunicado emitido pelo ministério das Infraestruturas, na sequência de uma reunião entre Pedro Nuno Santos e o presidente da companhia low cost irlandesa, Michael O'Leary. De acordo com esse documento, o ministro transmitiu ao responsável da Ryanair que "não aceita intromissões nem lições de uma companhia aérea estrangeira que responde apenas perante os seus acionistas", sublinhando que "a Ryanair é uma empresa privada e não tem de interferir nas decisões soberanas tomadas pelo Governo português".

"Fica claro para todos que a Ryanair se está a procurar aproveitar de uma situação difícil causada por uma pandemia para atacar um conjunto de companhias europeias de importância central para vários Estados-Membros. Perante os sistemáticos atos hostis de ataque à TAP, a Ryanair não deve esperar do Ministério das Infraestruturas e da Habitação uma atitude de cooperação ou sequer de indiferença", refere a mesma nota. E acrescenta ainda que, para operar em Portugal, a transportadora "tem de respeitar o enquadramento legislativo nacional, em particular a legislação laboral que teima em desrespeitar".

Sobre a mesma reunião O'Leary veio dizer, também em comunicado, que defendeu que o "dinheiro dos contribuintes deveria ser aplicado em escolas, hospitais e outras infraestruturas, como o aeroporto do Montijo", em vez de numa "companhia aérea falhada e com preços elevados".

A polémica surge na sequência da decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia, que anulou a decisão da Comissão Europeia que aprovou uma ajuda estatal de 1200 milhões de euros à TAP, considerando-a "insuficientemente fundamentada". Pedro Nuno Santos diria depois que a decisão do Tribunal de Justiça tem origem numa "guerra comercial" da responsabilidade da Ryanair.

"É importante que nós tenhamos consciência de qual a origem desta ação. É uma guerra comercial entre uma companhia aérea que, aliás, respeita pouco as legislações nacionais", disse então o ministro, citado pela Lusa, numa referência à Ryanair que, alegou, "está a aproveitar uma grande dificuldade no setor da aviação para tentar ganhar negócio às companhias aéreas de bandeira".

"É com alguma incompreensão que vejo alguns quase a celebrar uma decisão que não é contra a TAP, é contra o nosso país, contra os interesses nacionais. É uma empresa estrangeira que quer ganhar negócio às outras empresas e que encetou uma ação contra um auxílio a uma empresa pública, auxílio esse que foi decidido livremente por um Governo", referiu então Pedro Nuno Santos.

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