Líder do CDS garante que não há ilegalidades no Conselho Nacional

Francisco Rodrigues dos Santos assume que o partido não pode perder tempo "em guerras internas" e frisa que segundo os estatutos do partido "pode-se convocar Conselhos Nacionais com caráter de urgência ou sem caráter de urgência".

Francisco Rodrigues dos Santos, presidente do CDS-PP, defendeu este domingo que a convocatória do Conselho Nacional é legal e referiu que aqueles que criticaram a direção "no seu tempo faziam rigorosamente da mesma maneira".

Em declarações na sede do partido, em Lisboa, depois de se ter dirigido ao Conselho Nacional, que está reunido por videoconferência e à porta fechada, Francisco Rodrigues dos Santos foi questionado sobre a carta enviada ao presidente daquele órgão por 25 conselheiros que questionavam "os termos da convocatória" para a reunião de hoje e a urgência, acusando a direção de "atropelo de todas as regras e procedimentos" e "falta de democracia interna".

"Nem tudo o que se critica e se diz é verdade", começou por dizer o líder centrista, argumentando que "nos estatutos do partido pode-se convocar Conselhos Nacionais com caráter de urgência ou sem caráter de urgência" e explicando que nos casos urgentes a convocatória "não tem antecedência mínima", e "sem caráter de urgência tem antecedência de 10 dias mínima".

"E eu marquei com caráter de urgência e foi expresso na convocatória, e a urgência foi justificada com a circunstância de que queríamos fazer um congresso antecipado para preparar eleições legislativas", afirmou.

Francisco Rodrigues dos Santos citou várias convocatórias (distribuídas depois aos jornalistas) para Conselhos Nacionais que aconteceram no passado com vista à marcação de congressos, assinadas por dirigentes como Telmo Correia ou António Pires de Lima e também da altura em que Pedro Mota Soares (o primeiro signatário da carta) era secretário-geral do CDS-PP, destacando que nesses casos a antecedência foi "a mesma ou até inferior" aos seis dias com que foi convocado o Conselho Nacional de hoje.

Defendendo que a "tradição no partido está aqui comprovada que não só é legal como no seu tempo faziam rigorosamente da mesma maneira", o presidente do CDS-PP indicou que os seus opositores "têm de se mentalizar de uma coisa, já não são eles direção do partido, já não são eles presidência da mesa do Conselho Nacional, o partido continua sujeito às mesmas regras e a direção e o Conselho Nacional têm exatamente as mesmas prorrogativas que existiam no seu tempo".

"Esses senhores que me criticam no partido são como Frei Tomás. Sabem como dizia Frei Tomás: faz o que eu digo, não faças o que ele faz", criticou.

E avisou que "não adianta irem para a comunicação social contar inverdades, porque isto sim, são inverdades, para vender uma tese que permita a partir de fora tentar condicionar o voto cá dentro".

Francisco Rodrigues dos Santos disse ainda não temer "de maneira nenhuma" que o congresso que será marcado pelo Conselho Nacional de hoje possa vir a ser considerado irregular.

Os 25 críticos que enviaram a carta ao presidente do Conselho Nacional, entre os quais Pedro Mota Soares, João Gonçalves Pereira e Nuno Magalhães, argumentaram que "nenhum dos pontos da ordem de trabalhos reveste, nos termos estatutários, natureza urgente" e que as "convocatórias das reuniões não urgentes" devem ser enviadas com dez dias de antecedência.

Estes críticos apelaram igualmente a Filipe Anacoreta Correia que reformasse "a convocatória para um Conselho Nacional, com prazo mínimo de 10 dias de antecedência, instruindo no mesmo prazo cada ponto da ordem de trabalhos com todos os documentos e informações que lhe devem ser anexas", solicitando o adiamento da reunião de hoje.

"Não é tempo de voltar a insistir nos erros do passado"

O presidente do CDS-PP considerou que "não é tempo" de o partido "voltar a insistir nos erros do passado", mas de "olhar para a frente", e que o futuro se faz de novas ideias e protagonistas.

"Não queremos olhar para trás, queremos olhar para a frente", indicou, considerando que "o futuro faz-se de novas ideias, de protagonistas que refresquem a direita".

Considerando que se vive um "tempo de futuro, tempo de anseio por novos rotos, protagonistas e ideias", o presidente afirmou que "a política faz-se a cores e não a preto e branco".

"Eu estou absolutamente seguro que sou a pessoa certa para continuar a atingir os objetivos, e estou certo que juntos vamos conseguir reerguer este partido apesar da herança que recebemos", salientou também, realçando que a estratégia que seguiu ao longo do mandato "deu frutos" e "permitiu ao partido crescer e afirmar-se no exercício do poder regional e autárquico".

Indicando que cumpriu o seu dever, Francisco Rodrigues dos Santos defendeu inclusivamente que "ninguém, nas mesmas condições, era capaz de fazer melhor" do que a sua direção.

Por isso, disse possuir, "no atual ciclo político nacional e no atual momento do CDS, melhores características pessoais e políticas" do que o seu opositor, o eurodeputado Nuno Melo.

"Estou empenhado em reconstruir o partido há dois anos, desde que fui eleito, não me lembrei agora num momento que é para alguns mais propício de me disponibilizar para servir o meu partido", criticou.

Dizendo ter "um rumo para o partido com pessoas e ideias", o presidente frisou que o CDS-PP "nunca será um partido de grupo".

"Agora é momento certo de prepararmos legislativas, unir o partido em torno da minha liderança para derrotar a esquerda no governo do país e permitir ao CDS ser também alternativa de governo", continuou.

Estabelecendo como um dos objetivos "entregar um partido robusto e rejuvenescido às novas gerações", Rodrigues dos Santos disse querer "contar com todos, os de antigamente, os de sempre e os que se possam vir a juntar" ao CDS para "unir o partido" e levar a que fale "a uma só voz".

Nuno Melo apresentou a sua candidatura à liderança do partido no sábado, no Porto, com cerca de centena e meia de convidados presentes, entre os quais o líder da bancada parlamentar centrista, Telmo Correia, o ex-deputado Hélder Amaral e os deputados Cecília Meireles, Pedro Morais Soares e João Almeida.

O presidente da distrital de Braga do CDS-PP e antigo vice-presidente nacional justificou que a sua candidatura é "uma obrigação e um imperativo de consciência" face à "progressiva perda de relevância" do partido, propondo-se "unir" e "chamar os que estão afastados".

Questionado sobre o apoio do líder parlamentar a Nuno Melo, Francisco Rodrigues dos Santos disse que vê "com normalidade e espírito democrático" e que "não é surpresa" para si "nem para ninguém".

Já sobre a relação entre a direção e os deputados caso seja reeleito presidente do CDS-PP no congresso, o líder antecipou que "manter-se-ão na esteira daquilo que foi o relacionamento institucional dos últimos anos".

Quanto ao facto de a disputa acontecer numa altura em que vai ser debatido no parlamento o Orçamento do Estado, Rodrigues dos Santos mostrou-se convicto que "o debate orçamental não será prejudicado por culpa da vida interna do partido", porque o CDS tem "um conjunto consolidado de propostas".

Questionado ainda sobre a crítica de Nuno Melo de que o partido "não pode coligar-se com o PSD à segunda e negociar orçamentos do Estado com o PS na quinta-feira", o presidente afirmou que o eurodeputado propõe uma "oposição destrutiva" que "não apresente soluções para o país e não dialogue", considerando que isso "é fazer um favor ao PS".

E questionou se o objetivo é ter "uma direita trauliteira e caceteira, de protesto", rejeitando que seja esse o caminho que o partido deve seguir, e desafiou o opositor a "clarificar a sua agenda".

Líder do CDS responde a críticas de Nuno Melo

Francisco Rodrigues dos Santos justificou a antecipação do congresso defendendo que o partido não pode perder tempo "em guerras internas" e tem de preparar as eleições legislativas, lembrando que os opositores "estão em campanha há muito tempo".

Numa declaração na sede do CDS, em Lisboa, depois de se dirigir ao Conselho Nacional, que está reunido este domingo à porta fechada por videoconferência, Francisco Rodrigues dos Santos foi questionado sobre as críticas do candidato à liderança Nuno Melo, que falou em falta de democraticidade interna da direção ao propor a antecipação do 29.º congresso para o final de novembro.

"Todos aqueles que se assumem portistas, que se dizem fiéis sucessores de Paulo Portas, hoje criticam por usar rigorosamente a mesma fórmula que Paulo Portas usou quando era presidente do partido", afirmou, acusando os críticos de "discrepância e incoerência" no discurso.

O líder, e recandidato, respondeu que decidiu "antecipar este congresso precisamente com os mesmos motivos" do antigo presidente, argumentando que "quatro meses é muito tempo em política".

"Não podemos desperdiçá-lo em guerras internas, temos que preparar o partido para o próximo ciclo político que tem pela frente, que são as eleições legislativas e levar a marca do CDS ao Governo de Portugal", considerou.

Francisco Rodrigues dos Santos recusou também retirar espaço aos opositores internos, e afirmou que "estão em campanha há muito tempo".

"Eu estive em campanha pelo país só com um único propósito, fazer com que o CDS saísse mais forte e maior em urnas das eleições autárquicas, mas cruzei-me com muita gente que em vez de estar a fazer campanha pelo nosso partido, esteve a fazer campanha para o congresso", criticou.

Apontando que seus opositores estão a fazer campanha para o derrotarem no congresso desde o dia em que foi eleito, em janeiro do ano passado, disse que "não será certamente por falta de tempo, de disponibilidade e de meios que não farão oposição e não tentarão" derrubá-lo como líder do partido.

"Esse argumento para mim não colhe", considerou.

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