Lajes: Machete prevê prazo de 250 a 300 dias para concluir acordo com EUA

O ministro dos Negócios Estrangeiros disse esta terça-feira que "haverá tempo suficiente", até ser concluído o acordo sobre a redução da presença dos EUA nas Lajes, para planear a transição e "não fazer as coisas de sopetão".

Rui Machete intervinha numa audição conjunta com o ministro da Defesa perante as comissões parlamentares dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, para debater o anunciado processo de redução da presença militar dos EUA.

Nas quase três horas de audição, que terminaram com Rui Machete a dizer que nada mais tinha a dizer porque as perguntas feitas já tinham sido respondidas ou "não têm relevância", o governante adiantou que a próxima reunião bilateral com os EUA vai realizar-se em maio ou junho, exclusivamente centrada na base das Lajes.

O deputado socialista Miranda Calha, após lembrar que o primeiro-ministro português foi o único europeu a não receber o então secretário de Estado da Defesa dos EUA Leon Panetta durante a visita a Portugal, afirmou que o governo "foi descansando" nos últimos anos sobre a existência de uma importante comunidade política luso-americana nos EUA.

Miranda Calha e também Carla Cruz (PCP) insistiram ainda com os dois ministros sobre "que programa" vai ser apresentado por Lisboa na referida reunião bilateral em Washington, uma vez que é conhecida a exigência do executivo açoriano para minorar o impacto da redução militar dos EUA nas Lajes.

Rui Machete e Aguiar-Branco sublinharam que o processo de rescisões com os trabalhadores portugueses vai ser feito em função dos critérios definidos pelas autoridades nacionais e que os EUA aceitaram qualificar aqueles que ficarem e não tenham as competências necessárias para as novas funções.

Acresce que serão abrangidos todos os portugueses e não apenas os que estejam abrangidos pelo acordo laboral vigente, precisou Rui Machete, insistindo que é redutor olhar para o problema apenas numa perspetiva de reparações económicas a dar pelos EUA.

"Ver as Lajes apenas numa mera perspetiva de indemnização é errado", frisou Rui Machete, admitindo que "há razões para esperar" que a situação final seja melhor do que o apresentado inicialmente por Washington mas sem chegar às pretensões portuguesas.

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