Jerónimo admite "convergência" mas Costa diz que geringonça "não dá confiança"

Os líderes do PS e do PCP enfrentaram-se esta noite num frente-a-frente na TVI. Jerónimo admitiu "convergências" futuras com Costa mas este disse que não.

António Costa revelou-se esta terça-feira bastante menos cordato com Jerónimo de Sousa do que nos debates que os colocaram frente-a-frente nas legislativas de 2015 e de 2019.

Jogando sempre ao ataque, no debate que à noite juntou os dois líderes num estúdio da TVI/CNN Portugal, o secretário-geral do PS enfatizou o enorme drama social, orçamental e de saúde pública provocado pela pandemia de covid-19. Isto para, logo a seguir, acusar o PCP de uma "enorme irresponsabilidade" ao chumbar o OE2022 - o que, evidentemente, complementou com um apelo repetidamente feito para que os eleitores deem ao PS uma "maioria" que lhe permita uma governação "estável".

Questionado sobre seria possível depois das legislativas de 30 de janeiro uma nova geringonça, preferiu não fechar totalmente a porta: "Não estou para reerguer os muros [entre os partidos da esquerda] que eu próprio derrubei há seis anos."

Contudo, ao mesmo tempo, foi claríssimo também a dizer que o chumbo do OE2022 provou que a geringonça deixou de ser uma solução "estável". "Não sinto confiança para dizer que essa é uma solução estável" ou "essa solução não dá confiança", foram algumas das suas afirmações.

A possibilidade de uma nova geringonça e as razões do chumbo do OE2022 foram os dois temas que dominaram todo o debate.

Sem se interromperem, Jerónimo e Costa trocaram acusações sobre a responsabilidade quanto ao chumbo da proposta orçamental - chumbo que depois levaria o Presidente da República a convocar eleições legislativas.

O líder do PCP tinha um soundbyte preparado e usou-o mais do que uma vez: "O PS queria eleições e não soluções." E a isto Costa ia respondendo com as a tais acusações de "irresponsabilidade", dizendo, por exemplo, que seria um desastre impor à economia privada em Portugal, sobretudo em setores que foram muito atingidos pela pandemia (turismo e restauração), um aumento do Salário Mínimo Nacional como aquele que o PCP exigia (para 800 euros).

A indisponibilidade quase total de Costa para novos entendimentos contrastou com a disponibilidade em sentido inverso revelada por Jerónimo de Sousa.

Sendo certo que não se comprometeu com o apoio do PCP a um eventual governo minoritário do PS ("não faço futurologia. Seria arrogância da minha parte dizer que sim ou que não"), a verdade é que, ao mesmo tempo, assegurou que o seu partido está numa "posição construtiva" e disponível para "convergências" visando "resolver problemas", "venham as propostas de onde vierem". "Com certeza que existirão soluções possíveis", chegou a afirmar. "Não há aqui inimigos, não tenho discurso belicista. A nossa crítica [ao PS] é clara mas numa perspetiva de encontrar soluções", disse ainda - num discurso que da parte do líder socialista teve resposta zero.

Já o líder socialista preferiu dramatizar as consequências do chumbo do OE2022: se tivesse sido aprovado, 170 mil famílias estariam agora isentas de pagar IRS e as pensões abaixo de 1097 euros já beneficiariam de um aumento extraordinário (sem Orçamento aprovado o único aumento que tiveram foi em linha com a inflação). A isto Jerónimo de Sousa foi respondendo sempre o mesmo: quem provocou a crise foi o PS porque "queria eleições e não soluções".

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