Jardins do Palácio de Belém não abrem ao público no 5 de Outubro

O último feriado nacional da República tem este ano várias novidades a nível das comemorações oficiais e tradicionais, como a mudança de local dos discursos e a não abertura dos jardins do Palácio de Belém por questões de poupança.

Desde que Cavaco Silva chegou à Presidência, em 2006, os jardins do Palácio de Belém estavam abertos ao público no dia da República, havendo diversas atividades, como concertos e exposições, para oferecer a quem passasse por lá. O próprio chefe de Estado costumava aparecer e contactar com os visitantes.

Mas este ano os jardins de Belém não abrirão ao público por "razões de contenção de custos", disse à Lusa fonte oficial da Presidência da República.

Assim, o Museu da Presidência decidiu fazer as comemorações do 5 de Outubro na Cidadela de Cascais, que também é residência oficial do chefe de Estado e foi recuperada recentemente.

Em Cascais, haverá visitas guiadas, uma feira do livro e "alguma animação musical" durante a tarde.

As novidades deste 5 de Outubro não ficam por aqui e alargam-se às cerimónias oficiais que celebram a implantação da República em 1910, que desde esse ano se realizavam integralmente na Praça do Município de Lisboa.

Este ano, os discursos da cerimónia, a cargo do presidente da Câmara, António Costa, e do Presidente da República, Cavaco Silva, serão proferidos no Pátio da Galé, depois de ser hasteada a bandeira na varanda dos Paços do Concelho.

O presidente da Câmara de Lisboa justificou na quarta-feira que "sai mais caro" organizar as comemorações Praça do Município, um espaço aberto ao público, devido à "infraestrutura que se tem de montar".

António Costa negou que a passagem dos discursos para aquele local se deva a receios de manifestações, afirmando que "as manifestações são normais em democracia".

Fonte oficial da Presidência, questionada pela Lusa sobre se esta mudança se deveu a um pedido de Cavaco Silva, como hoje foi noticiado por alguns meios de comunicação social, negou essa informação e remeteu qualquer esclarecimento para António Costa, sublinhando que cabe à autarquia organizar a cerimónia.

Como habitualmente, os partidos com assento parlamentar far-se-ão representar nas comemorações oficiais, estando prevista a presença do líder do PS, António José Seguro.

Já o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho vai faltar às celebrações do 102.º aniversário da República, por estar em Malta na cimeira "5+5", sendo representando na cerimónia pelo ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco.

Mais tarde, Seguro participará num jantar em Alenquer para celebrar o dia da implantação da República, que este ano deverá ser feriado nacional pela última vez, numa decisão do Governo que mereceu a contestação da esquerda.

Este jantar, promovido por republicanos da região do Oeste, realiza-se todos os anos desde 1910 e no tempo da ditadura era visto como um encontro de "resistência", segundo explicou à Lusa fonte do PS, acrescentando que este ano, com o anúncio da extinção do feriado, Seguro "entendeu dar-lhe particular relevância".

Estão já inscritas mais de duas mil pessoas no jantar, disse a mesma fonte, que revelou que os participantes poderão assistir "à forma como a história do PS se cruza com a história da República, através de uma exposição com fotografias e textos".

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, assinalará a República na Marinha Grande, com um almoço com militantes comunistas.

E o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, depois de estar na abertura do Congresso Democrático das Alternativas, em Lisboa, rumará aos Açores, para participar na campanha eleitoral das legislativas regionais.

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