Jardim na AR: "Copus Night" reencontra Opus Dei

Assumindo o lugar de deputado no Parlamento, Jardim reencontrará o seu velho companheiro de partido João Bosco Mota Amaral, que como ele foi durante muitos anos o líder incontestável de uma região autónoma, a dos Açores.

Não há duas personalidades mais opostas, embora sempre tenham feito questão de evitar confrontos políticos graves um com o outro. Jardim é festivo e exuberante, Mota Amaral é reservado e discreto; Jardim é desbragado na linguagem, Mota Amaral florentino. Mas ambos foram sempre ferrenhos defensores do reforço das autonomias regionais, o que os pôs de braço dado muitas vezes contra os governos da República, fossem do PSD ou não.

"Ele é Opus Dei e eu copus night" é um trocadilho que Jardim gosta de fazer sobre a sua relação com Mota Amaral (membro daquela prelatura católica). O ainda presidente do Governo Regional da Madeira confessou, aliás, que era uma "chatice" ir a Ponta Delgada reunir-se com Mota Amaral, devido ao fraco ambiente noturno da cidade micaelense.

"Mota Amaral quase não me deixava sair do palácio. Eu saía na mesma. Um dia queria jantar às dez da noite e estava tudo fechado em Ponta Delgada. Comecei a andar pelas ruas e descobri uma tasca, bati à porta e fiquei lá a petiscar com uma malta divertida da TAP. O Mota Amaral se soubesse...", contou um dia a um fotógrafo do Expresso.

Nos trajetos políticos de ambos há semelhanças, mas também algumas diferenças. Jardim será agora deputado na AR pela primeira vez (foi sempre eleito nas legislativas como cabeça de lista do PSD no círculo madeirense mas nunca assumiu o mandato).

Mota Amaral, pelo contrário, já tinha tido experiência parlamentar quando assumiu a liderança na construção da autonomia açoriana, em 1976. Foi deputado pela primeira vez em 1969, na Ala Liberal de Sá Carneiro. E depois da Revolução na Assembleia Constituinte (1975-1976). De 2002 a 2005 presidiu à Assembleia da República.

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