Investidores confiam no cumprimento dos compromissos pelo PS

O secretário-geral socialista pediu hoje ao primeiro-ministro que "não meta mais medo aos portugueses", salientando que, apesar da afirmação da sua "divergência insanável" sobre a estratégia orçamental os juros da dívida não subiram.

"Não meta mais medo aos portugueses. Há pouco no debate que aqui se produziu o primeiro-ministro disse que era muito importante que houvesse um consenso no país para afastar as incertezas dos investidores", afirmou o secretário-geral do PS, António José Seguro.

No debate no Parlamento com o Governo sobre o Conselho Europeu, que sucedeu ao debate quinzenal, o líder socialista recordou a reunião que manteve com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, na segunda-feira, em que transmitiu a existência de uma "divergência insanável" sobre a estratégia orçamental.

"O que é que aconteceu no dia seguinte nos mercados, houve algum aumento da taxa de juro? Nenhuma, pelo contrário, até houve uma ligeira descida. Por uma razão muito simples, é que os investidores sabem que os compromissos que o PS assumiu são para cumprir", argumentou.

"Mas os investidores sabem, e o país também, que houve um momento em que houve uma grande incerteza, em que as taxas de juro aumentaram, ai se aumentaram. Sabe qual foi, senhor primeiro-ministro? Foi em julho e não foi por culpa do PS, foi por causa da demissão dos dois ministros do seu governo, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas", disse.

"Aí é que foi a grande incerteza, com aumento das taxas de juro, com prejuízo para os portugueses", afirmou.

Seguro disse a Passos que o PS tem "autoridade" para afirmar a sua "divergência insanável" porque esteve disponível em novembro de 2011 para uma renegociação do programa de assistência económica e financeira, que tivesse em conta "as novas realidades no país e do desempenho da economia na zona euro", perante a indisponibilidade do primeiro-ministro.

"Há hoje um consenso na sociedade portuguesa ao qual o Governo teima em manter-se afastado e do qual se exclui e que tem a ver com uma simples diferença: a nossa prioridade no emprego, na criação de postos de trabalho e na dinamização da economia e no equilíbrio das contas públicas de forma sustentável", afirmou.

Seguro sublinhou que "há muito tempo" defende "uma renegociação da dívida", assim como reiterou que só em "contexto europeu" se encontra uma "solução sustentável".

"Se encontrarmos uma solução europeia para a divida, designadamente com a proposta europeia que temos aventado, com a mutualização da parte superior aos 60% - não apenas a portuguesa, mas a de todos os outros países da Europa, e estamos a falar de 15 em 18 -, podemos beneficiar dessa solução de modo a aliviar os sacrifícios dos portugueses", afirmou.

O líder socialista expressou também "preocupação" pelo acordo para o tribunal de patentes, que não terá o português como uma das línguas oficiais e estará sediado em Paris, onde as empresas portuguesas terão que se deslocar quando tiverem que dirimir algum conflito.

Sobre a Ucrânia, António José Seguro disse acompanhar o que o primeiro-ministro disse quanto a uma "resolução diplomática, pacífica do conflito".

O secretário-geral do PS defendeu, porém, que a Europa deve ter uma posição própria, que não se deve limitar a um "lamento", sobre a matéria, o que não invalida que seja uma posição convergente com o aliado Estados Unidos da América.

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