TAP compra ativos da Groundforce por 7,5M para desbloquear pagamento salários

Segundo a Comissão de Trabalhadores, trata-se de "uma prática muito usual no mundo da aviação".

A TAP vai comprar equipamentos da SPdH/Groundforce por 7,5 milhões de euros, o que permitirá desbloquear o pagamento dos salários e impostos em atraso, passando a empresa de 'handling' a pagar à companhia aérea pelo aluguer deste material.

"Estivemos reunidos com o ministro [das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos] esta manhã, que nos transmitiu que iria haver uma proposta por parte da TAP de compra de material por 7,5 milhões [de euros], que seria posteriormente alugado à Groundforce", disse à agência Lusa João Alves, da Comissão de Trabalhadores (CT) da empresa de 'handling' (assistência de aeroportos).

Segundo referiu, trata-se de "uma prática muito usual no mundo da aviação".

De acordo com João Alves, os representantes dos trabalhadores reuniram-se depois com o presidente executivo da Serviços Portugueses de Handling (SPdH, comercialmente designada Groundforce Portugal), Paulo Leite, que lhes "confirmou esta proposta" da TAP e adiantou que irá votá-la favoravelmente, o que assegura a sua viabilização.

Isto porque a proposta de venda dos ativos precisa de ser aprovada por maioria no Conselho de Administração (CA) da Groundforce, que é constituído por cinco administradores: três nomeados pela Pasogal, de Alfredo Casimiro, que detém 50,1% da empresa de 'handling' -- e dois pela TAP.

Assim, juntando o voto de Paulo Leite, nomeado pela Pasogal, aos dois votos da TAP, a proposta é viabilizada.

Embora não seja ainda conhecida a data em que o Conselho de Administração da Groundforce irá reunir-se, João Alves disse haver "a possibilidade de desbloquear os pagamentos já hoje ou, no máximo, até segunda-feira".

Fonte oficial da Pasogal, acionista maioritário da Groundforce, anunciou hoje que a Groundfore e a TAP chegaram hoje a um entendimento que desbloqueia provisoriamente o impasse na empresa e permite pagar os salários aos 2.400 trabalhadores.

"O acordo alcançado agrada à Groundforce, até porque é muito semelhante ao que a empresa propôs desde o início. A Groundforce está, naturalmente, satisfeita por ter sido possível encontrar uma solução que permita pagar os salários aos trabalhadores e pôr fim à angústia de 2.400 famílias", lê-se num comunicado enviado pela empresa de Alfredo Casimiro, acionista maioritário da Groundforce.

A Pasogal, acionista maioritária da empresa de 'handling' disse ainda que "resolvida a urgência", "continuará a empenhar os seus melhores esforços, certamente com o apoio dos acionistas Pasogal e TAP, no sentido de resolver a questão de fundo".

Os trabalhadores da Groundforce ficaram a saber no final de fevereiro que, devido ao impacto da pandemia, a empresa não tinha dinheiro para o pagamento de salários e iniciaram uma série de manifestações a pedir a intervenção do Governo.

Depois de vários dias de negociações entre a TAP, que detém 49,9% da SPdH (conhecida pelo seu nome comercial, Groundforce), e a Pasogal, o ministro das Infraestruturas e da Habitação informou os representantes dos trabalhadores que as ações da Pasogal já se encontravam penhoradas, não podendo ser dadas como garantia para um adiantamento da TAP de 2,05 milhões de euros para pagamento de salários de fevereiro, nem para um empréstimo bancário com aval do Estado de 30 milhões de euros das linhas Covid.

No domingo, a TAP propôs à Pasogal disponibilizar 6,97 milhões de euros, através de um aumento de capital e não de um adiantamento, proposta que a empresa de Alfredo Casimiro disse, na terça-feira, estar disponível para considerar.

Esta tarde são ouvidos no parlamento o presidente do Conselho de Administração da Groundforce e administrador da Pasogal, Alfredo Casimiro, o presidente do Conselho de Administração da TAP, Miguel Frasquilho, bem como os sindicatos e a CT.

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