Governo tem "fobia à liberdade de imprensa"

O BE acusou hoje o Governo de "fobia à liberdade de imprensa", considerando que o caso do fim da crónica do jornalista Pedro Rosa Mendes na Antena 1 revela "sérios indícios" de "censura politicamente orientada".

"É o partido que andou anos a agitar a bandeira da 'claustrofobia democrática' que, chegado ao Governo, não hesita em colocar em causa, a pretexto da crise, a pluralidade e isenção do jornalismo. O PSD no Governo, agora com o CDS a reboque, tem fobia à liberdade de imprensa", afirmou o deputado do BE João Semedo.

Numa declaração política no plenário da Assembleia da República, que terminou com uma dura troca de palavras com a bancada do CDS, João Semedo recuperou o caso do fim da crónica de Pedro Rosa Mendes na Antena 1, sublinhando "a mais que notória coincidência temporal" entre a decisão de terminar esse espaço de opinião e a crónica onde o jornalista criticou a emissão do programa da RTP "Prós e Contras" em direto de Angola, com a participação do ministro Miguel Relvas, que tutela a comunicação social.

"Se a crónica de Pedro Rosa Mendes peca por alguma coisa, diga-se, é pela moderação com que denuncia a indignidade do programa em causa", disse o deputado do BE considerando existirem "sérios indícios" de que se está perante "um caso de censura politicamente orientada".

Na sua declaração, João Semedo salientou ainda que este episódio é "tanto mais preocupante quando se percebe que o que está na base desta abrupta decisão é a reverência para com o poder angolano" por parte de "um Governo de mão estendida a Angola".

Na resposta, tanto PSD como CDS-PP criticaram o "teatro político" que o BE quer fazer em torno do caso, com o deputado democrata-cristão Raul Almeida a aconselhar os bloquistas a não optarem pela via do "aproveitamento político".

"O senhor deputado em vez de ter uma palavrinha de crítica para quem censura, tem uma palavra de crítica para o grupo parlamentar que aqui trouxe uma discussão sobre a liberdade de informação e de denúncia de um caso de censura na imprensa portuguesa", contrapôs João Semedo, confessando ter ficado "com muito poucas certezas" sobre a convicção do CDS em matéria de defesa da liberdade de informação.

A resposta de João Semedo motivou depois um pedido de defesa da honra por parte do líder parlamentar do CDS-PP, com Nuno Magalhães a replicar: "Quem defendeu a Albânia, quem defendeu o genocídio que aconteceu na Albânia, não tem legitimidade moral para dizer aquilo que o senhor deputado disse".

"Sobre a sua honra não direi uma só palavra, mas sobre a sua ignorância política tenho muito para dizer", respondeu depois João Semedo.

Antes, a deputada do PSD Francisca Almeida tinha também deixado críticas ao facto do BE ter levado o 'caso' Pedro Rosa Mendes ao plenário da Assembleia da República, lamentando que os bloquistas prefiram "o teatro político", em vez de discutirem o tema na comissão parlamentar competente.

Pelo PS, o deputado Miguel Seabra notou não estar demonstrada o "nexo de causalidade" entre o final da crónica de Pedro Rosa Mendes e as críticas que o jornalistas fez à emissão do programa "Prós e Contra" a parte de Luanda, mas defendeu que caso se chegue à conclusão de que houve censura, não restará outra alternativa aos responsáveis dos órgãos de comunicação social em causa "senão sair".

"Felicitamos a atitude do PS", ironizou na resposta João Semedo, lembrando que "houve períodos bem recentes em que o PS não tinha bons pergaminhos para apresentar na matéria".

"Lembramo-nos bem dos telefonemas do anterior primeiro-ministro para as redações", acrescentou mais tarde a deputada do PSD Francisca Almeida, enquanto o deputado do CDS-PP Raul Almeida lamentou que os socialistas não tenham tido "a mesma preocupação em relação a Mário Crespo".

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