Freitas diz que Sócrates já devia ter assumido culpas

O fundador do CDS Freitas do Amaral defendeu, numa entrevista hoje ao Diário Económico, que o ex-primeiro-ministro José Sócrates (PS), de cujo Governo fez parte, "já devia ter assumido as suas culpas" na crise que Portugal atravessa.

Em entrevista ao Diário Económico, quando questionado sobre se José Sócrates devia - tal como o antigo primeiro-ministro António Guterres (PS) - ter feito um 'mea culpa' sobre a sua responsabilidade no estado do país, Freitas do Amaral afirmou: "Já, mas não está no feitio dele".

Diogo Freitas do Amaral foi ministro dos Negócios Estrangeiros do primeiro Governo de José Sócrates (2005-2009). O fundador do CDS pediu a exoneração do cargo em junho de 2006, por motivos de saúde, tendo sido substituído por Luís Amado.

Na entrevista hoje publicada, Freitas do Amaral refere que, já depois de ter deixado o Governo, disse a José Sócrates que este "não estava a tomar as medidas necessárias e que Portugal estava a afundar, mas ele não quis acreditar".

Ao Diário Económico, Freitas do Amaral deixa também criticas ao atual executivo de aliança entre o PSD e o CDS-PP, liderado por Pedro Passos Coelho (PSD).

"A sensação é que este Governo é mais 'troikista' que a 'troika'", afirmou, defendendo que o executivo aproveitou o acordo com os financiadores internacionais para ir "mais além do que era imposto, quando o que se devia era fazer uma interpretação do memorando que permitisse executá-lo pela forma menos prejudicial ao povo".

Freitas do Amaral defende que Portugal tem de negociar o período posterior à 'troika', acrescentando que o Governo devia estar já a falar com o presidente do Banco Central Europeu.

O fundador do CDS vê a manifestação de 02 de março como um retrato da "insatisfação geral do país".

No sábado, milhares de pessoas saíram à rua em mais de 40 cidades portuguesas e no estrangeiro a propósito da manifestação organizada pelo movimento "Que se lixe a 'troika'".

Perante isto, Freitas do Amaral considera que o Governo deve "tirar muitas ilações e não deve fingir que não aconteceu nada".

"Se o Governo não infletir as suas políticas e, sobretudo, se não demonstrar maior sensibilidade social, haverá cada vez mais manifestações e serão cada vez maiores", disse.

Quanto ao papel do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, Freitas do Amaral defende que "talvez fosse útil que falasse um pouco mais nesta fase".

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