Firma nega contactos privilegiados com PS

O arquiteto Rui Braga, da firma que elaborou em 2000 um estudo prévio relacionado com o Freeport, negou hoje que a empresa tivesse contactos privilegiados a nível governamental, ministerial ou com o PS.

A testemunha foi ouvida, por videoconferência, pelo Tribunal do Barreiro, na terceira sessão de julgamento do processo Freeport, que levou ao banco dos réus apenas dois dos sete arguidos do processo: o consultor Manuel Pedro e o empresário e engenheiro Charles Smith, ambos acusados do crime de tentativa de extorsão.

Questionado pelo procurador Vítor Pinto, Rui Braga admitiu que um dos sócios da sua empresa (T5), António Fontes, trabalhava para a Câmara Municipal de Cascais, num altura em que era presidente da autarquia José Luís Judas, mas salientou que nenhum dos sócios da empresa tinha "qualquer contacto" com membros do Governo.

"Não somos filiados no PS", disse ainda ao tribunal a testemunha, quando confrontada com questões ligadas a eventuais relações estreitas com a esfera governamental socialista ou com o partido socialista.

A testemunha explicou ainda que o estudo prévio elaborado pela sua empresa incidiu nos terrenos da antiga fábrica da Firestone, em Alcochete, onde veio, posteriormente, a erguer-se o empreendimento conhecido por Freeport.

A sessão voltou a ficar marcada por protestos da advogada de defesa, Paula Lourenço, que alegou que as perguntas do Ministério Público extravasaram o objeto do processo e a acusação, que se resume ao crime de tentativa de extorsão.

Entretanto, a testemunha José Manuel Vasconcelos, responsável da RNET (Rede do Estuário do Tejo), faltou à audiência de julgamento, que prossegue da parte da tarde com o interrogatório de duas outras testemunhas da acusação.

O processo Freeport teve na sua origem suspeitas de corrupção e tráfico de influências na alteração à Zona de Proteção Especial do Estuário do Tejo e licenciamento do espaço comercial em Alcochete quando era ministro do Ambiente José Sócrates, que veio mais tarde a ser primeiro-ministro.

José Sócrates não chegou a ser ouvido na investigação do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), mas os procuradores Paes Faria e Vítor Magalhães deixaram registado no despacho de conclusão do inquérito o rol de perguntas que pretendiam fazer ao então primeiro-ministro, o que suscitou polémica.

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