Ex-administrador da Empordef "contente" com decisão

"Abriu-se uma janela de oportunidade para a viabilização dos estaleiros", afirmou Luís Novais, durante uma audição a requerimento do PCP na comissão parlamentar de Defesa, a propósito dos Estaleiros de Viana do Castelo.

Ao longo de duas horas Luís Novais, que se demitiu da Empordef, a 'holding' das indústrias de Defesa, com duras críticas aos restantes administradores da empresa, referiu-se por diversas vezes à decisão anunciada na segunda-feira pelo Governo de reprivatizar os Estaleiro de Viana do Castelo, sublinhando que ficou "contente", porque desta forma será possível "o barco tomar um rumo que é positivo".

Luís Novais precisou que já quando ainda estava na Empordef defendia a reprivatização dos Estaleiros de Viana, sublinhando que é muito mais importante ter a empresa a funcionar em Portugal, do que os seus proprietários.

Ressalvando que não sabe quem são os interessados no negócio, o ex-administrador da Empordef admitiu, contudo, que nunca foi favorável à privatização total da empresa e que o Estado deveria continuar com 35 por cento da propriedade.

Ao longo da audição, Luís Novais reiterou os motivos que levaram à sua saída da Empordef, nomeadamente a "inércia" existente.

O ex-administrador da Empordef apontou como primeira grande divergência com os seus colegas do conselho de administração o financiamento bancário que terá arranjado em dezembro para que os salários pudessem ser pagos a tempo.

Segundo relatou Luís Novais, ele próprio terá conseguido arranjar esse financiamento bancário, mas os restantes administradores não aceitaram essa solução.

O financiamento para a construção dos navios-asfalteiros foi, de acordo com o antigo administrador da Empordef, outra das divergências que aconteceram, com a restante administração a não concordar com a hipótese de assegurar o financiamento "fora do Orçamento do Estado".

"Houve abertura de um banco, mas foi entendido pelos meus colegas que não seria adequado tratarmos do 'dossier' financiamento", disse, adiantando que não teve qualquer contacto com o Governo sobre esse assunto.

Luís Novais contou ainda que, a determinado momento, começou a ser afastado das decisões que eram tomadas.

O Governo anunciou na segunda-feira que vai lançar, dentro de 45 dias, um concurso público internacional para a reprivatização total dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, existindo já seis potenciais grupos interessados na compra da empresa ligados à indústria naval chinesa e russa, mas também investidores nacionais.

O objetivo da tutela passa por reprivatizar a empresa - nacionalizada há 37 anos a pedido dos trabalhadores e da própria administração -, nos próximos quatro meses.

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