Estaleiros salvam-se se Açores receberem navio 'Atlântida'

A aceitação do navio Atlântida pela companhia açoriana Atlânticoline é a única solução que pode ser vista como um "plano B" para salvar os estaleiros de Viana, caso falhe a negociação em curso para encontrar um parceiro internacional.

"Esta seria a solução que salvaria a empresa", afirmou esta quarta-feira o presidente da Empordef, holding do Estado para as indústrias de Defesa e onde se integram os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), numa audição com a Comissão parlamentar de Defesa.

"É um desígnio nacional" salvar os ENVC, pelo que "devia haver uma colaboração dos órgãos de soberania" para atingir esse objectivo, declarou Vicente Ferreira. "É vital, é fundamental" que o Atlântida "vá para os Açores", insistiu o responsável da Empordef.

Vicente Ferreira foi claro ao dizer que não existe qualquer plano B para salvar os ENVC, alternativo à negociação em curso com a única das oito entidades estrangeiras que manifestaram interesse em entrar no capital da empresa.

Contudo, sendo possível encontrar uma solução - política e financeira - que leve os Açores a receberem o Atlântida (e o Anticiclone, segundo navio por construir), isso permitiria salvar os estaleiros, pois a verba empatada ronda os 57 milhões de euros, frisou Vicente Ferreira.

O líder da Empordef fez depois um apelo aos deputados - sendo os do PS os principais destinatários, por serem do mesmo partido que governa os Açores - para ajudarem a encontrar uma solução que desbloqueie o problema, que ultrapassa a gestão empresarial e basicamente se situa a nível político.

No caso das negociações com parceiros internacionais, Vicente Ferreira explicou que a generalidade dos investidores "consideram desinteressante" a empresa de Viana, depois de analisarem os ENVC, a sua situação patrimonial ou carteira de encomendas.

"Não há outro plano B" para salvar uma empresa que precisa de quase 60 milhões de euros de investimento para fazer face aos seus compromissos e iniciar a sua recuperação, referiu Vicente Ferreira.

Vicente Ferreira alertou ainda os deputados que a Empordef tem vindo a endividar-se para manter vivos os ENVC, situação que também começa a arrastar a holding para o fundo.

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