Esquerda une-se contra "mais um pacote de austeridade"

A esquerda parlamentar uniu-se hoje no ataque aos cortes nas prestações sociais, nomeadamente no Rendimento Social de Inserção, subsídio de doença e maternidade, com o BE a falar na introdução de "mais um pacote de austeridade".

"Não há aqui nenhuma intenção moralizadora ou de fiscalização, mas apenas e só introduzir mais um pacote de austeridade e diminuir o apoio social aos trabalhadores", afirmou a deputada do BE Mariana Aiveca numa declaração política no plenário da Assembleia da República.

Considerando que os cortes nos subsídios de doença e maternidade tem como único objetivo diminuir os direitos dos trabalhadores e poupar dinheiro aos cofres do Estado, Mariana Aiveca lembrou as recentes declarações do primeiro-ministro a afastar a possibilidade de novas medidas de austeridade.

Contudo, sublinhou, o próprio Governo acabou por desmentir o chefe do executivo com a apresentação dos cortes nas prestações sociais.

"Novas medidas de austeridade, portanto, quatro dias depois de o primeiro-ministro as negar sistematicamente", sublinhou.

Antes da intervenção de Mariana Aiveca, e também numa declaração política no plenário da Assembleia da República, o deputado do PCP Jorge Machado tinha igualmente escolhido como tema "os cortes inaceitáveis" nas prestações sociais, acusando o Governo de utilizar uma "mentira" para os justificar.

"Uma mentira é sistematicamente repetida, é que estas medidas visam combater a fraude. Se o Governo o quisesse fazer, teria que aumentar o número de técnicos que acompanham os processos. Ora tal não acontece", disse Jorge Machado.

Pelo PS, a deputada Sónia Fertuzinhos juntou-se nas críticas ao Governo, concordando que "não se combate a fraude com o corte nas prestações".

"O objetivo é reduzir despesa e não combater a fraude", referiu, associando os cortes no Rendimento Social de Inserção à "velha tentação de estigmatizar todos os seus beneficiários".

"Isto não é governar com verdade, é governar com incapacidade e tentando pelo meio disfarçar", acrescentou a deputada socialista.

"Flagrante injustiça" foi a expressão utilizada pela deputada do partido ecologista Os Verdes Heloísa Apolónia sobre a proposta em matéria de prestações sociais que o Governo entregou aos parceiros sociais, considerando que está em causa "um roubo descarado" aos portugueses que todos os meses descontam para a Segurança Social.

Em defesa da proposta do ministro da Segurança Social, o líder do CDS-PP, Nuno Magalhães acusou a esquerda de falar em "falsidades" e transmitir "mentiras", questionando as bancadas da oposição sobre a necessidade de se combater a fraude.

"É ou não importante combater a fraude", perguntou.

Depois, Nuno Magalhães dirigiu-se diretamente à bancada socialista recordando que o memorando de entendimento que o PS negociou e assinou com a 'troika' previa que todas as prestações sociais pagassem IRS.

"Fomos nós que renegociámos e exigimos que assim não fosse", sublinhou o líder da bancada democrata-cristã.

Contradizendo igualmente a análise das bancadas da esquerda, a deputada do PSD Nilza Sena lembrou que Portugal "não vive tempos de bonança".

"Se há coisa que o Governo não faz é esconder elefantes para baixo de mesinhas de cabeceira e dizer que está tudo bem", frisou.

Na primeira declaração política no plenário de hoje, o CDS-PP falou ainda de agricultura, elogiando as medidas que o ministério de Assunção Cristas tem tomando, nomeadamente contra a seca.

"O ministério é hoje um parceiro dos agricultores", resumiu o deputado democrata-cristão Abel Baptista.

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