Delegados do BE saúdam reunião "fora do Zoom"

A XII Convenção Nacional do BE, que decorre até domingo, tem "menos calor humano e abraços" e mais regras sanitárias devido à pandemia de covid-19, mas possibilita, por momentos, "deixar o zoom" e voltar à vida presencial.

No pavilhão onde decorre a convenção, em Matosinhos, os delegados ouvidos pela Lusa são unânimes: desde que todos cumpram o estipulado há poucas probabilidades de haver problemas porque está tudo "muito organizado".

Satisfeitos por voltar à "versão presencial" e deixar a "janelinha do Zoom", por um lado, os delegados mostram-se, por outro, saudosos de verem os corredores "cheios de gente a conversar, aos abraços e a rir".

A pandemia é, além das referências críticas ao PS, a "marca dominante" desta convenção pelas alterações impostas pelas regras sanitárias, desde a redução do número de delegados -- são apenas 343 -, ao uso de máscara, distanciamento social, criação de corredores de circulações próprios para evitar contactos e sinalizações no chão.

A medição da temperatura é requisito obrigatório para entrar na convenção e assistir aos trabalhos e, a essa, "ninguém escapa" porque quem está incumbido dessa tarefa não o permite, duplicando, por vezes e por engano, essa mesma medição.

"Há circuitos independentes, ninguém se cruza, e o espaço é amplo", disse à Lusa o bloquista Armindo Silveira, de Abrantes, no distrito de Santarém, à entrada do Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos, no distrito do Porto, local escolhido para a reunião magna do BE.

Uma convenção "completamente diferente", por ter menos pessoas e os delegados não terem secretárias, mas sim cadeiras com suportes, apontou.

Além de não haver mesas no pavilhão, como habitualmente, o local de cada cadeira está devidamente assinalado com quatro quadrados verdes no chão que definem onde têm de ficar os quatro pés de cada uma das cadeiras.

"Fixem o número da cadeira para amanhã [domingo] usarem a mesma e respeitem os sentidos de circulação", pediu um dos presidentes da mesa, José Gusmão, no arranque dos trabalhos.

Recordou ainda que os delegados só podem tirar a máscara quando usarem da palavra no púlpito, não podem comer dentro da sala e, em caso de sintomas, devem informar o secretariado da convenção e abandonar imediatamente o recinto.

Apelo reiterado por Joana Mortágua, também presidente da mesa, ao início da tarde, depois de uma pausa nos trabalhos para o almoço.

"Devemos ter todos os cuidados para evitar a propagação do vírus e, em termos de medidas de segurança sanitária, nada a apontar. Sinto-me totalmente seguro", garantiu Eduardo Rocha, da Moita, no distrito de Setúbal. Os bloquistas não são negacionistas, acreditam na ciência, frisou.

Mas, apesar de concordar com as medidas adotadas, Rita Sarrico, de Loures, no distrito de Lisboa, assume ter saudades de "estar aos montes". "Não é o que estamos habituados, faz falta calor humano, estar aos montes", confidenciou, para depois contar que na última convenção não conseguia atravessar os corredores sem abraçar alguém.

Para a deputada do BE Maria Manuel Rola mais vale estarem de forma presencial, embora em menor número, do que na "janelinha do Zoom". Deixar o Zoom e estar presencialmente a discutir é, nesse sentido, receber mais calor humano, embora diferente daquele calor humano a que as pessoas estavam habituadas antes da pandemia, concluiu.

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