Data das diretas abre guerra no PSD. Rio atacado e Rangel à espera da noite

Conselheiros vão discutir adiamento da data das eleições internas proposto pelo líder. O que abriu guerra no partido.

Uma noite de facas longas poderá ser a do Conselho Nacional do PSD que arranca pelas 21:00 desta quinta-feira. Já se esperava que o clima fosse tenso entre os apoiantes de Rui Rio e de Paulo Rangel, que se preparava para assumir a sua candidatura à liderança do partido. Mas subiu de escalada depois de o presidente do partido ter sugerido adiar a data das diretas e já depois da Comissão Política ter fechado o dia 4 dezembro ou 8 de janeiro como alternativa para a eleições internas.

Os opositores de Rio - todos apoiantes de Paulo Rangel - lançaram-se num coro de críticas ao atual líder. Miguel Pinto Luz acusou-o mesmo de "golpe palaciano" e os que são próximos do eurodeputado social-democrata dizem que, com esta reviravolta o líder do PSD mostra "fragilidade" e está ciente de que "o partido já não está com ele".

Rio irá argumentar aos conselheiros que a sua proposta de adiamento da data das diretas, e por consequência do congresso, se enquadra na possibilidade de uma crise política gerada pelo eventual chumbo do Orçamento de Estado para 2022 e que colidiria com as eleições internas do partido. O argumento pode colher no CN ou não.

Tanto mais que Paulo Rangel irá bater-se por uma "análise política" da situação do partido e, obviamente contestar que seja adiada a escolha do próximo presidente do partido. E terá com ele outras vozes que no CN. Um debate que vai desfocar muito o mote da reunião, que passava pela análise dos resultados eleitorais das autárquicas.

"O pior que podia acontecer ao PSD e ao país é que houvesse eleições antecipadas e o maior partido da oposição ter uma liderança fragilizada que não estivesse legitimada no seu próprio partido. Tinha menos autoridade, menos energia e sem mandato para concorrer a essas eleições."

Durante o dia a censura a Rio foi muito audível. Pedro Duarte, antigo líder da JSD, manifestou na Rádio Observador a sua incompreensão para a mudança de posição do presidente do PSD, quando o cenário político nacional não se alterou de um dia para o outro. O antigo secretário de Estado argumentou, aliás, que mesmo que existisse crise política era "mais uma razão para que o PSD acelerasse os seus processos internos", já que "o pior que podia acontecer ao PSD e ao país é que houvesse eleições antecipadas e o maior partido da oposição ter uma liderança fragilizada que não estivesse legitimada no seu próprio partido. Tinha menos autoridade, menos energia e sem mandato para concorrer a essas eleições." E acusou Rio de "alguma desorientação".

O deputado Pedro Rodrigues falou de "farsa orçamental" e acusou o líder de querer "suspender a democracia interna" e de tomar uma "posição inadmissível".

"A posição do líder do PSD, trata-se de uma jogada de alguém que em desespero de causa, apresenta uma solução anti-estatutária e não regulamentar. Espero sinceramente que o Conselho Nacional do PSD não se deixe levar por este golpe palaciano e rejeite liminarmente esta proposta", afirmou Miguel Pinto Luz, numa nota enviada à comunicação social.

Defendeu ainda que "hoje o PSD precisa de sair com uma data fechada para as eleições diretas. Quanto antes o PSD clarifique a sua liderança, mais cedo estará preparado para derrotar o partido socialista. É precisamente o possível cenário (em que não acredito) de crise política que obriga a esta clarificação imediata".

"A posição do líder do PSD, trata-se de uma jogada de alguém que em desespero de causa, apresenta uma solução anti-estatutária e não regulamentar. Espero sinceramente que o Conselho Nacional do PSD não se deixe levar por este golpe palaciano e rejeite liminarmente esta proposta."

O antigo deputado e secretário de Estado José Eduardo Martins foi duro no Facebook: ""Hoje o PSD precisa de sair com uma data fechada para as eleições diretas. Quanto antes o PSD clarifique a sua liderança, mais cedo estará preparado para derrotar o partido socialista. É precisamente o possível cenário (em que não acredito) de crise política que obriga a esta clarificação imediata".

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