Criador de petição diz que adesão é sinal de memória sobre culpa

O criador da petição que recusa a presença de José Sócrates na RTP admitiu hoje estar surpreendido com a adesão conseguida, que defendeu ser sinal de que as pessoas não esqueceram "quem é o culpado da atual situação".

"Eu sabia que podia haver uma adesão significativa mas não estava à espera que fosse tão viral", admitiu à Lusa Paulo Lála de Freitas, presidente da concelhia de Sines do CDS, embora garanta que a petição online "Recusamos a presença de José Sócrates como comentador da RTP", de que é o primeiro de mais de 20 mil signatários, seja apartidária.

"As pessoas estão descontentes com o atual Governo e estão no seu direito, mas sempre pensei que já se tivessem esquecido do que levou a esta situação", disse, sublinhando que o nível de adesão "é um sinal de que os portugueses não perderam a memória".

A ideia surgiu hoje de manhã, depois de se saber que José Sócrates vai passar a ter um espaço de comentário político na RTP, a partir de abril.

"Quando surgiu a notícia, fiquei um bocado perplexo, tendo em conta que o ex-primeiro-ministro é o principal culpado do pedido de resgate" financeiro internacional a Portugal, afirmou, defendendo que José Sócrates não tem, por isso, "capacidade e moral" para discutir a situação política.

Sublinhando ser a favor da liberdade de expressão, Paulo Lála de Freitas considera que este caso é diferente.

"A partir do momento em que as pessoas andam a passar mal por causa dos erros de governação dele [de José Sócrates], não acredito que tenham muita vontade de ver numa televisão pública, paga por todos os contribuintes, o principal culpado da situação", avançou.

Como o número de signatários já ultrapassou os 4.000 -- o mínimo obrigatório por lei para que a petição seja discutida em plenário da Assembleia da República -, Paulo Lála de Freitas pretende agora enviar cartas de explicação da sua posição a cada um dos líderes das bancadas parlamentares e pedir uma reunião com o presidente da administração e o provedor da RTP.

Presidente da concelhia do CDS em Sines, Paulo Lála de Freitas garante ter lançado a iniciativa apenas em nome pessoal, defendendo tratar-se de "uma iniciativa enquanto cidadão" e apartidária".

A petição "Recusamos a presença de José Sócrates como comentador da RTP" tinha, às 14:25 de hoje, 23.516 signatários.

O diretor de Informação da RTP confirmou hoje à Lusa que a estação pública vai contar, a partir de abril, com o ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates e o ex-ministro da Presidência social-democrata Nuno Morais Sarmento como comentadores políticos.

"Confirmo que a RTP vai ter dois novos comentadores políticos: José Sócrates e Nuno Morais Sarmento", afirmou o diretor de Informação, Paulo Ferreira.

A notícia, avançada na edição de hoje do Diário de Notícias, refere que as negociações decorreram desde o início do ano e que cada programa será semanal e com duração de 25 minutos.

O jornal refere ainda que a presença de José Sócrates na RTP não será remunerada.

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