Cravinho defende espaço lusófono como garantia de futuro

João Cravinho, antigo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, afirmou este sábado que existe a necessidade de " dar uma volta" no espaço lusófono e utilizar o Português como chave para globalização.

Participando na convenção nacional da candidatura de António Costa às primárias do PS, onde esteve a coordenar o painel "Portugal na Lusofonia", João Gomes Cravinho defendeu a necessidade de "dar uma volta" na forma de trabalhar a Lusofonia.

"Estamos agora numa fase, passados vinte anos sobre a criação da CPLP, em que as circunstâncias se alteraram completamente e há a oportunidade e necessidade de dar uma volta na forma de se trabalhar no espaço da Lusofonia, que nos liga pelo passado, mas é, sobretudo de futuro e da capacidade de trabalhar noutros mundos", afirmou.

Para o antigo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, essa necessidade é de Portugal, mas também dos países de expressão portuguesa que hoje em dia têm uma capacidade e apetência de trabalhar no espaço lusófono que não existia" há 20 anos.

Segundo Cravinho, "Angola e Moçambique que estavam a sair de guerras civis, têm hoje outra vontade de afirmação no mundo, o Brasil deu um salto tremendo e as políticas externas dos países de expressão portuguesa são hoje muito mais dinâmicas".

"A questão do financiamento da cooperação para o desenvolvimento é hoje secundária porque Angola, Brasil, Moçambique e mesmo Timor-Leste são países com enorme capacidade financeira e não pedem esmola a ninguém. Há hoje condições para repensar todo o trabalho da Lusofonia, em proveito para todos, numa parceria de iguais que não existia há uns anos", comentou.

Na base dessa parceria está a Língua Portuguesa, que "não é a única no espaço da Lusofonia, mas a língua de acesso à globalização e à possibilidade de competir e beneficiar" internacionalmente.

"Há muito a fazer na promoção da Língua Portuguesa, onde temos sido pouco ousados e diria mesmo frouxos. A promoção da Língua Portuguesa em países como Timor-Leste e Guiné-Bissau deve ser um objetivo fundamental da cooperação e política externa portuguesa, embora não seja responsabilidade única de Portugal, mas onde temos uma responsabilidade especial. Creio que se pode fazer bastante mais do que se tem feito e que podemos encontrar apoios nos próprios países, no caso de Timor-Leste, e em países como o Brasil que tem uma capacidade de projeção da Língua até mais forte do que a nossa", concluiu.

Questionado pelos jornalistas sobre as razões do seu apoio a António Costa, Cravinho considera que o presidente da Câmara de Lisboa é "a pessoa mais habilitada neste momento" para ser primeiro-ministro.

"Tem uma tremenda experiência governativa. Trabalhei com ele no governo quando foi ministro da Administração Interna e ganhei por ele uma admiração enorme pelo trabalho que fez na altura e é com toda a naturalidade que o vejo como uma alternativa para o país", respondeu.

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