Costa reafirma tudo o que disse sobre a Galp

O primeiro-ministro volta ao tema do encerramento da refinaria de Matosinhos, que tantas críticas lhe deu nos últimos dias, para dizer que foi coerente com o que dissera em maio.

Porque "muita tinta tem feito correr" a sua intervenção, no domingo passado, sobre o encerramento da refinaria da Galp em Matosinhos., António Costa volta esta quarta-feira ao tema, num artigo de opinião no jornal Público, para dizer exatamente o mesmo. O secretário-geral do PS reafirma as críticas que fez naquela cidade, num comício de apoio à presidente do município e candidata a um novo mandato, Luísa Salgueiro, e considera que "o que agora disse é totalmente coerente" com o que afirmara como primeiro-ministro, em maio.

António Costa limita-se a reproduzir o que afirmara em maio e o que disse no domingo. E conclui: "Espero que esta contextualização clarifique que não há contradição com o que disse anteriormente. E que a pretendida "lição" não é mais do que a utilização do Fundo de Transição Justa e a aplicação da legislação para proteção dos trabalhadores e do futuro do território".

Costa alerta que o que disse agora "decorre diretamente" do que afirmou como primeiro-ministro em maio aquando da Cimeira Social no Porto.

Lembra António Costa que em maio considerou que "Matosinhos vai dar um contributo muito bem-vindo para o esforço de redução das emissões de CO2" mas que acrescentou que "também é verdade que o fecho da refinaria elimina os postos de trabalho de centenas de trabalhadores, os da própria refinaria e de outras atividades a ela ligadas, que serão obrigados a mudar de emprego, ou a requalificarem-se para as novas atividades que aí virão a desenvolver-se".

No discurso de domingo, Costa considerou que "o processo da GALP, aqui em Matosinhos, é um exemplo de escola de tudo aquilo que não deve ser feito por uma empresa que seja uma empresa responsável". Criticou o timing para anunciar aos seus 1600 trabalhadores que ia encerrar a refinaria de Matosinhos. Considerou a data, 20 de dezembro, "total insensibilidade social".

Mas também em "total irresponsabilidade social", visto que, na sua opinião, a Galp "não preparou minimamente a requalificação e as novas oportunidades de trabalho e de prosseguir a vida ativa, para os trabalhadores que iriam perder os seus postos de trabalho".

Finalmente, defendeu que a Galp "não revelou a menor consciência da responsabilidade que qualquer empresa, e em particular uma empresa daquela dimensão, tem para com o território onde está instalada, onde deixa um enorme passivo ambiental de solos contaminados, não dialogando previamente com a câmara nem com o Estado sobre o que pretende fazer depois de encerrar a refinaria."

E rematou: "Ou seja, era difícil imaginar tanto disparate, tanta asneira, tanta insensibilidade, tanta irresponsabilidade, tanta falta de solidariedade como aquela de que a GALP deu provas aqui na refinaria de Matosinhos".

António Costa defendeu finalmente que "quem se porta assim, tem de levar uma lição para que esta lição seja exemplar para todas as outras empresas que vão ter de enfrentar processos semelhantes neste processo de transição energética."

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