Combate à corrupção une Rio e Rangel e diálogo com PS separa-os

Dois candidatos à liderança do partido formalizaram a entrada na corrida às eleições internas e apresentaram as moções de estratégia globais. Um à distância, o outro na sede do PSD.

Um esteve presente, Paulo Rangel, na formalização da sua candidatura à liderança do PSD, ao entregar na sede nacional as 1500 assinaturas necessárias e a moção de estratégia global. O outro, Rui Rio também esperou pelo último dia para materializar a candidatura, mas fê-lo à distância e representado pelo seu diretor de campanha Salvador Malheiro.

Paulo Rangel foi mais convicto na assunção de que vencerá as eleições internas do próximo sábado, ao ter verbalizado na conferência de imprensa na sede nacional do partido que a partir de dia 27, data das diretas no partido, apresentará o programa eleitoral às legislativas de 30 de janeiro e "na qualidade de candidato a primeiro-ministro farei a apresentação de propostas ainda mais concretas".

Da Madeira, que lhe tinha escapado na volta das autárquicas, Rui Rio foi mais contido, apesar de se ter mostrado confiante na vitória nas eleições internas, que voltou a colocar na mão dos militantes de base. "As pessoas votam livremente, no fundo os apoios declarados não valem muito. Acho que vou ganhar, mas há eleições", atirou ainda.

Há uma batalha que perpassa pelos duas moções - a de Rangel "Portugal: Ambição e Esperança"; a de Rio, "Governar Portugal" - e é a do combate à corrupção. O recandidato à presidência social-democrata elege-a como bandeira e promete lutar contra a "lógica clientelar" de acesso ao Estado. O candidato avança com uma proposta bem concreta de criação de uma agência anticorrupção, com poderes de investigação. Paulo Rangel argumentou, aliás, que vem aí um ciclo de fundos europeus e é ainda mais necessário que os cidadãos depositem confiança no Estado e vice-versa.

E se neste ponto convergem, o mesmo não se pode dizer sobre a perspetiva de governabilidade, caso o PSD venha a vencer as eleições de janeiro.

Se ambos se dizem em condições de governar Portugal, Rio quer construir uma "nova maioria sem linhas vermelhas", que possibilite o diálogo à esquerda e à direita. O que Rangel rejeita: "O líder do PSD tem de ser candidato a primeiro-ministro, não se reduzindo a ser um proto-candidato a vice-primeiro-ministro, ou um apoio de recurso ao PS e a António Costa", afirma na moção, que foi coordenada por Miguel Poiares Maduro e onde se rejeita uma solução de bloco central.

Rio pega em 2019

A moção de Rui Rio tem 18 páginas e faz apelo ao programa eleitoral apresentado pelo candidato às legislativas de 2019 no que diz respeito às propostas concretas.

Para Rui Rio, a "marca reformista" do PSD passa pela forma de encarar os principais problemas do país. "Problemas estruturais exigem ações sistemáticas e concertadas em tudo contrárias à medida desgarrada, à intervenção casuística ou à ilusão dos multiplicados anúncios sem consequências", alerta.

Na sua moção, o atual presidente do PSD faz o retrato dos principais bloqueios que considera afetarem o país - como o fraco crescimento económico, a demografia ou a degradação dos serviços públicos, entre outros -, considerando que o programa eleitoral apresentado pelo partido em 2019 é "um guia das reformas e das medidas" que propõe para o país.

Uma das reformas sempre defendidas por Rio é ainda a do sistema político, que nesta moção considera que deve começar nos partidos políticos e acabar "na própria reforma do Estado e das suas instituições centrais".

Rangel quer menos impostos

A moção de Paulo Rangel, com 50 páginas, está dividia em cinco eixos. Das propostas concretas já ali vertidas, além da agência de combate à corrupção, propõe prémios para os funcionários públicos em função das poupanças do Estado; e avança com a ideia da criação de um Conselho de Ministros para o Território, com periodicidade mensal, que integre ministros relacionados com a matéria e os presidentes das CCDR.

Na área da Justiça, o candidato bate-se sobretudo pelo fim da morosidade, que poderá passar pela "simplificação processual" mas também por "um maior poder dos juízes na condução dos processos". Já na Educação, maior autonomia das escolas, valorização das carreiras dos professores e regresso das provas de aferição no final dos ciclos de ensino, tal como a oferta gratuita e universal do ensino pré-escolar entre os 3 e os 5 anos e uma maior aposta no ensino técnico profissional.

Paulo Rangel garantiu que tem uma "visão para o país, uma mudança política" para pôr Portugal a crescer e a criar riqueza, capaz de sustentar o Estado social e aumentar os salários. Voltou a sublinhar a ideia de necessidade de um "elevador social", capaz de melhorar a condição de vida de muitos portugueses. Nesta senda, defendeu uma descida da "pressão fiscal" que o governo socialista colocou sobre os cidadãos, sobretudo com a redução do IRC, mas também com mexidas no IRS.

paulasa@dn.pt

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