CDU acusada de assédio, manipulação e repressão em Setúbal

PSD e PS dizem que chegou a altura de acabar com as atitudes de perseguição e de discriminação. CDU nega que haja processos disciplinares políticos na câmara. CDS quer uma ponte que ligue Tróia a Setúbal e o maior parque de diversões na Europa. BE diz que alto IMI é um embuste dos comunistas. As promessas e as trocas de acusações na pré-campanha.

Fernando Negrão diz haver três áreas decisivas para a mudança: a primeira é "acabar com a manipulação, o controlo e falta de verdade. Acabar com estas atitudes de discriminação, nomeadamente na forma como se lida com as associações locais, esse apoio aos da nossa cor"; a segunda é a "conciliação do turismo que é preciso desenvolver, com a indústria que cria riqueza e precisa de ser apoiada e com a agricultura que não pode estar assim, sem desenvolvimento"; a terceira é o setor social, que "deve ser apoiado de outra forma, não como se fazia há 30 anos. Quem, de facto, precisa deve ser apoiado com subsídios ou outros instrumentos, e não essa coisa de "os nossos apoiam-se, os outros não, isso tem que acabar".

O candidato do PSD está "preocupado com o problema da habitação. "Somos o concelho com as rendas mais altas do país, não há casas para arrendar ou comprar. Os mais jovens saem daqui e vão para outros concelhos", e avisa que a câmara tem que "estar atenta e preparada: vamos ter uma crise social pós-pandemia".
Fernando José, candidato do PS, afirma ter chegado a hora de acabar com "a perseguição, assédio e repressão nos locais de trabalho dos funcionários da autarquia. Há uma deterioração das condições laborais na Câmara de Setúbal. Uma vergonha, um atentado até ao que ouvimos os comunistas dizerem que defendem. Há processos disciplinares, mais de 40 nos últimos anos, por tudo e por nada".

"Há muitos casos, mas dou-lhe dois exemplos: um bombeiro que foi ao médico com a filha levou com um processo. Disseram-lhe que deveria ter ido a mulher e não ele. Outro, por não ter picado o cartão em 2019, levou com um processo em 2021. Isto é o quê? É perseguição política", relata.
O candidato assume, por isso, a intenção de "normalizar as relações laborais na autarquia [...], regularizar as vínculos precários e valorizar as carreiras".

André Martins, candidato da CDU, confrontado com estas acusações, diz que "importa afirmar que não conheço processos disciplinares políticos". E acrescenta ser "normal que em tempos de campanha eleitoral haja quem queira transformar a normal gestão de recursos humanos de uma autarquia com mais de 1600 trabalhadores em tema de debate político".

Maria das Dores Meira, que agora é candidata em Almada, é alvo de fortes críticas. PS fala "numa vergonha", em processos "por tudo e por nada". PSD diz querer acabar com a "manipulação" e esse "apoio aos da nossa cor"

"Da nossa parte não o faremos, em particular porque respeitamos a autonomia de quem faz a instrução destes processos de acordo com a lei. Condenamos, no entanto, aqueles que querem retirar dividendos políticos de processos disciplinares, sejam eles quais forem", continua.

Fernando José, que assegura que Setúbal perdeu importância para os concelhos vizinhos, pretende "contratos-programa com o governo para a construção de habitação municipal com renda acessível e apoiada para os mais carenciados, mas também para a classe média e jovens", a "construção de um pavilhão multiusos", "preparar e executar a transferência de competências da administração central nas áreas da saúde, educação e ação social", "baixar o preço da água", "atrair investimento e criação de emprego através da criação de uma incubadora de empresas", construir os "passadiços da Arrábida", um shuttle para acesso às praias, "baixar o IMI para o mínimo", entre outras promessas.

A palavra-chave na candidatura da CDU é "continuar". Na síntese dos compromissos, 50 no total, a ideia de continuidade é repetida proposta a proposta; "continuar a valorizar o património natural, histórico, cultural e museológico", "continuar a reabilitação e renovação urbana, com a potenciação do investimento público e privado do processo de regeneração urbana, em particular nos bairros tradicionais", "continuar a requalificação e valorização da frente ribeirinha e costeira", "continuar a melhorar acesso e usufruto da serra da Arrábida e das suas praias", "continuar a eliminar as condições indignas de habitação", "continuar a reivindicar dos governos e da administração central o cumprimento das suas responsabilidades", "continuar a valorizar o papel dos trabalhadores do município", "continuar a assegurar que Setúbal é um município seguro", são alguns dos exemplos.

O candidato da CDU considera que o concelho de Setúbal "foi fortemente penalizado, no investimento público, entre 2013 e 2021", na sequência da integração na Área Metropolitana de Lisboa (AML), e espera, por isso, respostas do governo. "Que medidas, que projetos tem o governo para compensar Setúbal? Que está o governo a pensar até 2027?" Apesar dos "prejuízos", André Martins diz-se um "convicto defensor" da península de Setúbal na AML e recorda, por exemplo, a questão dos passes na AML - a autarquia contribui com dois milhões de euros por ano.
O candidato defende uma "visão de solidariedade [...], se Setúbal saísse [da AML] fragilizaria" os outros concelhos da península.

Pedro Conceição, candidato independente pelo CDS, quer "garantir que Setúbal se afirma como capital de distrito" e assegura que "desde a integração na AML a cidade perdeu". Em quê? " O turismo, por exemplo, passou tudo para Lisboa, tudo depende do que decidirem em Lisboa. Sabe o que acontece? Mandam para cá uns turistas ver golfinhos, que depois vão dormir na capital. O Medina tem essa estratégia de reter as taxas de turismo. É preciso acabar com a vassalagem a Lisboa."

O candidato dá ainda outro exemplo: "Uma pessoa que nasça na margem sul tem uma perspetiva de rendimento que é metade dos que nascem na outra margem. O país não pode estar confortável com isto, Setúbal não pode estar confortável com isto!"

Pedro Conceição defende a necessidade de "um plano estratégico integrado, e não soluçõezinhas, é preciso um projeto integrado de pelo menos oito anos. A indústria pesada deve ser apoiada, mas tem que se tornar invisível, mais verde, tem que reduzir os impactos na natureza. No turismo, temos aqui todas as condições para criar o maior parque de diversões da Europa, criar estruturas âncora em redor deste projeto. E depois o conhecimento, é preciso insistir, defender a transformação do politécnico em universidade. Faz toda a diferença".

O candidato considera também importante a "construção de uma ponte que ligue Setúbal a Tróia, reduzir os 100 quilómetros para 20. E há lugar para o fazer na zona mais estreita do rio. Já viu, numa situação de emergência, uma ambulância ter que fazer mais de uma hora para chegar ao hospital?".

Fernando Pinho, candidato do BE, identifica três grandes áreas problemáticas: educação, saúde e habitação. "E na saúde a situação é calamitosa. Novos postos de trabalho? Não vejo nenhum. E cidade? Está suja, o centro é lavado para os turistas, mas e o resto, os bairros? Sabia que ainda há saneamento básico por concluir? Sabia que são lançados no rio produtos tóxicos?"

Para o candidato, desde 2013, com a integração de Setúbal na AML, que "o concelho está a empobrecer, a desagregar-se. E depois Tróia ficou para a Sonae, as praias na Arrábida foram proibidas, aquele modelo não faz sentido nenhum. E aquele concurso para um parque de estacionamento, um contrato a 40 anos é absurdo. 40 anos? Estão a hipotecar o futuro dos meus netos".

O BE insiste na questão do IMI: "A desculpa de que o alto IMI se devia ao contrato de reequilíbrio financeiro nunca deixou de ser um embuste da maioria CDU."

artur.cassiano@dn.pt

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