CDS/M: "Merkel tem "parcialmente razão" nas críticas

O deputado do CDS/M José Manuel Rodrigues deu "parcialmente razão" às críticas da chanceler alemã sobre a aplicação dos fundos estruturais europeus, defendendo que muitos dos investimentos e obras públicas que se fazem na Região são desnecessários.

Em declarações à Lusa, José Manuel Rodrigues afirmou que Ângela Merkel tem "parcialmente razão" em criticar a forma como a Madeira aplicou os fundos europeus, já que não os canalizou para setores produtivos.

"Numa primeira fase, a Madeira aproveitou muito bem os fundos europeus, sobretudo para satisfazer as condições básicas de vida da população, em termos de habitação, água, luz, saneamento básico e de rede viária", lembrou

"Mas, numa segunda fase, deveria ter canalizado os fundos europeus para os setores produtivos como a agricultura, as pescas, as indústrias transformadoras, o comércio e o turismo e continua a fazer investimento e obras públicas, muitas delas desnecessárias", referiu.

Para o deputado, é por isso que a Madeira "chegou a esta situação, em que não gera receitas ou gera um terço das receitas [necessárias] para a sua própria despesa".

A chanceler alemã, Ângela Merkel, aponto na terça-feira a Madeira como um mau exemplo da aplicação dos fundos estruturais europeus, sublinhando que naquela região autónoma estas verbas "serviram para construir túneis e autoestradas, mas não para aumentar a competitividade".

Na opinião de Merkel, os referidos fundos devem servir para apoiar financeiramente as pequenas e médias empresas, por exemplo, como ficou decidido no recente Conselho Europeu, em Bruxelas, e não mais para construir estradas, pontes e túneis, como sucedeu, na sua opinião, naquela região autónoma portuguesa.

"Quem já esteve na Madeira, deve ter ficado convencido que os fundos estruturais europeus foram bem aplicados na construção de muitos túneis e autoestradas, mas isso não conduziu a que haja mais competitividade", observou a chefe do governo alemão, numa palestra proferida perante alunos, na Bela Foundation, em Berlim.

Uma posição da chanceler que José Manuel Rodrigues não considera ser prejudicial para a imagem da Madeira, mas sim uma "mera constatação de um facto".

"Julgo que o que prejudicou claramente a Madeira foi a má governação do PSD nos últimos anos e sobretudo o facto de ter conduzido a Região a uma pré-falência, de ter escondido dívida e de isso ter sido noticiado a nível internacional", defendeu.

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