CDS furioso com "coutada" do "bloco central"

Chumbo de audição de diretor de informação da RTP no Parlamento por causa do programa de Sócrates azeda parceiro do PSD. Laranjas dizem que comentários sobre bloco central são "desprovidos de sentido".

[notícia atualizada às 17.40 com a declaração da deputada do PSD]

O deputado do CDS, Raul de Almeida, revelou esta tarde no Parlamento que o seu partido "está perplexo e preocupado", depois do chumbo do PSD e do PS ao requerimento centrista que pedia a audição do diretor de informação da RTP, na Comissão de Ética, para Paulo Ferreira explicar os critérios de "pluralismo" na sequência do anúncio de novos programas de comentário político protagonizados por José Sócrates, ex-líder socialista, e Nuno Morais Sarmento, antigo ministro do PSD.

"Tratava-se de um pedido de esclarecimento sobre a pluralidade" do serviço público de televisão, disse o deputado centrista, recusando qualquer interferência editorial na RTP e referindo-se a uma "coutada de apenas dois partidos políticos" no serviço público de televisão. Tratou-se, disse, do "triunfo do bloco central".

Sobre o voto contra do PSD, seu parceiro de coligação no Governo, Raul de Almeida remeteu o esclarecimento para a bancada social-democrata. "Terão de perguntar ao PSD porque votou contra." O deputado fez questão de manter o Governo fora da equação. "Não é matéria da competência do Governo", apesar de haver um governante que tutela o serviço público de televisão.

Questionado pelos jornalistas, Raul de Almeida recusou comentar se entendia que este voto contra pudesse tratar-se de alguma vingança social-democrata às críticas do CDS ao Governo, na reunião da Comissão Política centrista do passado sábado, com vários dirigentes a pedirem a remodelação do Executivo de Passos Coelho.

Ao final da tarde, os sociais-democratas afirmaram que os comentários sobre "bloco central" são "desprovidos de sentido". Para a deputada Francisca Almeida, numa declaração sem direito a perguntas, o PSD votou contra porque entende que "a Assembleia da República deve estar na primeira linha da defesa da liberdade e da autonomia editorial".

Na última quinta-feira, quando o CDS apresentou o requerimento, o PSD também tinha criticado o programa de Sócrates. Então, o deputado Hugo Soares criticou o facto da RTP, "a estação pública que é paga por todos os portugueses, por todos os contribuintes", fazer de José Sócrates um seu "convidado de honra".

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