Cavaco "tem grandes culpas no cartório", acusa Jerónimo

Líder do PCP ataca propostas de reformas políticas do Presidente da República, mima Passos por ter estado ao lado de "banqueiro impoluto" do BES e insiste em renegociar dívida e preparar saída do euro, para confrontar Costa.

Jerónimo de Sousa não deixou ninguém de fora no seu discurso de abertura das Jornadas Parlamentares do PCP, que decorrem em Loures esta segunda e terça-feira. Cavaco Silva e Passos Coelho foram duramente criticados e, mesmo sem ser referido, António Costa, foi interpelado para não se refugiar "em declarações e formulações evasivas".

Numa intervenção na Biblioteca José Saramago, o secretário-geral do PCP qualificou de "manobras de diversão e falsas soluções" as propostas que o Presidente da República lançou no seu discurso do 5 de Outubro. Para Jerónimo, aquelas "visam deslocar a causa dos nossos graves problemas para o sistema político e para o funcionamento dos partidos como se fossem todos iguais".

"Ainda ontem", disse o líder comunista, Cavaco Silva - que já tinha sido criticado antes pelo líder parlamentar, João Oliveira - prestou-se a "um exercício nessa linha", logo ele, apontou Jerónimo, "que tem grandes culpas no cartório e na situação em que o País se encontra". Estas "manobras de diversão e falsas soluções", acrescentou, "escondem igualmente velhos objetivos antidemocráticos", que é o de "justificar alterações da legislação sobre os partidos e o seu financiamento".

Onde o PCP quer mexer é na "renegociação da dívida", no "estudo e preparação para uma saída do euro e ainda na recuperação do controlo público da banca". Para isso, avançou o líder comunista, a bancada vai apresentar um projeto de resolução com esta "proposta tripartida".

E que vai obrigar o futuro secretário-geral do PS a vir a jogo. Como sublinhou Jerónimo de Sousa, a proposta do PCP "confronta com as suas responsabilidades todos os que falando de mudança e de rutura com as políticas europeia e nacional dominantes se refugiam em declarações e formulações evasivas e equívocas a pensar deixar ficar tudo na mesma". Sem ser nomeado, ficou o recado para António Costa.

Outra iniciativa legislativa dos comunistas será uma "proposta de uma fiscalidade socialmente mais justa e com maior capacidade de assegurar o necessário financiamento do Estado".

Para o PCP, os "trabalhadores e as suas famílias" são confrontados com "uma máquina fiscal crescentemente injusta", que só soube aliviar o "capital", depois de acordada há um ano, pelo PSD, CDS e PS, a "maior redução de tributação" das empresas.

No seu discurso, Jerónimo notou o "verdadeiro escândalo" que foi o encontro no domingo, no Fórum Algarve, entre José Maria Ricciardi, presidente do BESI, "um dos principais dirigentes da estrutura BES/GES, lado a lado com Passos Coelho, a ser tratado como um banqueiro impoluto e a perorar sobre a justeza das medidas do Governo para o BES".

Esta segunda-feira à tarde, deputados do PCP visitam o Hospital Beatriz Ângelo, uma parceria público-privada com gestão de uma empresa do universo do BES.

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