"Cavaco é herbívoro, não carnívoro", diz Marcelo

Para o comentador político, o Presidente da República tem uma concepção "minimalista" dos seus poderes e mais uma vez mostrou-o, no prefácio do seu "Roteiros VII"

"Já disse isto uma ou duas vezes e repito. Cavaco é herbívoro, não carnívoro. Ele come erva, não come carne." Com esta imagem, Marcelo Rebelo de Sousa caracterizou assim, na TVI, a posição "minimalista" do Presidente da República face aos seus próprios poderes, posição que, segundo disse, se encontra refletida no prefácio do Roteiros VII (súmula de intervenções públicas do PR no último ano).

Para o comentador político - que disse que se fosse ele o Presidente da República seria "menos minimalista" - Cavaco Silva fez no prefácio um "retrato honesto" de si próprio, nomeadamente ao reafirmar que "apoia o Governo e vai apoiá-lo até ao fim da legislatura".

O Presidente da República - considerou ainda - "não vai fazer nada" que ponha em causa a estabilidade política enquanto a troika estiver em Portugal. Segundo considerou, o "único erro" de Cavaco nesta questão do prefácio foi ter "criado demasiada expetativa" face ao seu conteúdo.

O comentador da TVI zurziu ainda violentamente no Governo pela "estupidez" e pela "pézisse monumental" que foi a defesa - primeiro por Passos Coelho e depois por António Borges - de que baixar o salário mínimo nacional seria bom para baixar o desemprego.

"Em última análise, se o salário mínimo nacional fosse quase zero haveria pleno emprego", ironizou. Com esta tese, acrescentou o comentador, o Governo arranjou, "escusadamente", um "berbicacho monumental" e deu "um, dois, três, quatro tiros nos pés". E teria sido fácil a Passos Coelho "laterizar o jogo" quando foi interpelado por António José Seguro no Parlamento, argumentando, por exemplo, que nada havia a dizer porque o assunto está a ser tratado na Concertação Social.

Marcelo Rebelo de Sousa disse ainda ter informações segundo as quais haveria "tensão" entre o Governo português e os técnicos da troika na sétima avaliação do memorando. Contou que haveria divergências nas questões do défice, dos cortes na despesa pública (a troika estaria renitente em prolongar a operação por dois anos, insistindo no corte num só ano, 2014, como estava inicialmente previsto) e ainda na diminuição das indemnizações por despedimentos.

Prognosticou também que a eleição do novo Papa será rápida, podendo já saber-se na quarta-feira.

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