Cavaco apela ao "bom senso" no diálogo político e social

O Presidente da República apelou hoje ao "bom senso, à serenidade e ao empenho" no diálogo político e social, recusando comentar as explicações do Governo sobre o Documento de Estratégia Orçamental enviado à Comissão Europeia e distribuído no Parlamento.

"O Governo é que já hoje deu a sua explicação e eu vou aqui fazer comentários sobre o que o Governo disse ou não disse, é ele é que tem que responder no diálogo com a oposição aquilo que entende sobre o envio de documentos ou não envio de documentos a diferentes instituições", afirmou Cavaco Silva.

" margem do 9º encontro nacional de inovação, da COTEC (associação empresarial para a inovação), o Chefe de Estado apelou também ao "bom senso, à serenidade e ao empenho na concertação e no diálogo para que se alcancem os compromissos que o país precisa para ultrapassar as dificuldades, em particular o drama do desemprego que atinge tantos milhares de portugueses e em particular o desemprego dos jovens".

O Presidente falava depois de ter sido igualmente questionado sobre as afirmações do líder do PS, António José Seguro, que acusou hoje o Governo, de "enfraquecer o consenso político" e de "falta de respeito" pelo Parlamento ao enviar para Bruxelas dados que não apresentou na Assembleia da Republica, exigindo que o primeiro-ministro "assuma responsabilidades".

"Nós temos que continuar a confiar no diálogo entre as forças políticas. Este é um tempo que requer muito bom senso e muita serenidade. A Europa vive um tempo muito, muito, muito complexo e Portugal até este momento está a ser olhado de forma positiva no que diz respeito a esses dois ativos que já hoje sublinhei, o ativo do consenso político e o ativo do consenso social", argumentou.

Cavaco Silva reiterou que "tudo deve ser feito, por todos, não só por alguns, para preservar esses dois ativos que têm sido muito valiosos no diálogo com as instituições internacionais e com os parceiros internacionais".

Sobre as previsões do Governo para o desemprego enviadas para a Comissão Europeia, o Chefe de Estado respondeu não conhecer novos números sobre o desemprego, que "só vão sair em meados deste mês".

"Portanto, temos que esperar até meados deste mês para saber quais os números que o INE vai revelar para o desemprego em Portugal, até lá são meras especulações", acrescentou.

Durante uma audiência na comissão parlamentar do Orçamento, vários deputados da oposição insurgiram-se por o Governo não ter incluído na versão distribuída aos deputados de um documento de estratégia orçamental (DEO) um anexo com projeções para o desemprego, que foi enviado para a Comissão Europeia.

Nesse anexo, o Governo prevê uma taxa de desemprego de 14,1 por cento no próximo ano, 13,2 por cento em 2014, 12,7 por cento em 2015 e 12,1 por cento em 2016.

Cavaco Silva esclareceu ainda que na sexta-feira afirmou esperar uma "inversão da tendência da economia" no segundo semestre deste ano e não uma inversão do desemprego, referindo que "normalmente há um desfasamento entre a inversão de crescimento do produto e o emprego".

"Eu, até por aquilo que aconteceu hoje aqui, onde foram atribuídos prémios de inovação, de empreendedorismo e de conhecimento, e também pelos indicadores que tenho recolhido nos meus encontros com empresários no país, tenho a esperança - eu disse também que não posso garantir - que no segundo semestre, lá pelo fim, possa ocorrer uma inversão da tendência da produção nacional", esclareceu.

"Deus queira que seja assim", sublinhou.

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