"O meu projeto de vida é ser presidente da CML. É o meu sonho, não tenho outro"

O ex-ministro de Passos e ex-comissário europeu apresentou hoje a sua candidatura à câmara de Lisboa. Para já é do PSD mas tenta "congregar as forças não socialistas moderadas e progressistas da nossa cidade"

Carlos Moedas escolheu o Instituto Superior Técnico - a instituição de ensino que o levou aos 18 anos a deixar Beja para rumar a Lisboa - para fazer a apresentação formal da sua candidatura à Câmara Municipal de Lisboa.

O ex-comissário disse que quer "congregar as forças não socialistas moderadas e progressistas da nossa cidade" e fazê-lo liderando uma lista que junte o seu partido, o PSD, ao CDS, Iniciativa Liberal, PPM, MPT e Aliança.

E - acrescentou - quer "que outros se juntem, sobretudo independentes vindos da sociedade civil, desencantados ou desinteressados da política ou simplesmente cansados desta governação socialista".

"O que está em jogo é isto mesmo: derrotar esta governação. E temos que estar unidos. Cada um dos lisboetas terá esta responsabilidade. Escolher entre mais do mesmo ou escolher um recomeço. Um projeto novo e arejado", disse ainda.

Ou, por outras palavras: "É importante para a nossa democracia unir o centro-direita em Portugal. Mas mais do que isso. Espero que a minha candidatura seja uma candidatura com o apoio de um leque alargado de partidos e sobretudo da sociedade civil. Muitos independentes, cidadãos desencantados da política, ou que no passado tiveram outras opções políticas, para que possamos mudar esta governação socialista com mais de 14 anos na nossa cidade."

Moedas, agora administrador da Gulbenkian, procurou ainda negar ver esta candidatura à CML como um trampolim para outros voos no PSD (há quem o veja como um potencial sucessor de Rui Rio na liderança).

"O meu projeto de vida é ser presidente da CML. É o meu sonho, não tenho outro", assegurou. "Estou aqui para isto, quero mesmo isto, é isto que eu quero, ser presidente da câmara de Lisboa", disse ainda.

Moedas começou a sua declaração tentando desmontar a crítica de que não é um natural da cidade (nasceu em Beja em 10 de agosto de 1970).

"Os novos tempos vão exigir uma das maiores reconstruções que Lisboa já viveu - económica, social, cultural e ambiental, mas sobretudo humana. Uma das maiores reconstruções de que há memoria."

"Lisboa é, de certa forma, a minha terra. Aquela que me adotou quando tinha 18 anos, no mês de setembro de 1988, entrei aqui no Instituto Superior Técnico", começou por dizer.

Acrescentando: "Cheguei a Lisboa vindo do Alentejo e nunca esqueci aquele dia em que, depois de uma longa viagem de comboio até ao Barreiro 'A', apanhei o barco para Lisboa. Aquela passagem de barco marcou-me para sempre. Aqueles 30 minutos a olhar para uma cidade que não conhecia, mas que transbordava de beleza e de energia. Não tinha dúvidas, aquela seria a minha cidade. Foi, passou a ser e é a minha cidade. Viajei pelo mundo, mas voltei sempre para Lisboa, por que nada, mas nada, se compara com Lisboa."

Depois assumiu que a decisão de aceitar ser candidato à câmara, teve um lado emocional: "É sempre mais fácil ficarmos no conforto da nossa vida em momentos tão incertos, instáveis e difíceis para todos nós. Mas este momento não era o momento de dizer não, era o momento de dizer sim".

Agora, o que está em causa, na gestão da cidade, é perceber, primeiro, que "estamos perante novos tempos" [e "novos tempos" será o lema da candidatura].

"Os novos tempos vão exigir uma das maiores reconstruções que Lisboa já viveu - económica, social, cultural e ambiental, mas sobretudo humana. Uma das maiores reconstruções de que há memória", disse, referindo-se aos efeitos da pandemia covid-19 na cidade.

Embora num tom moderado, o ex-comissário criticou a governação socialista da CML. "Lisboa foi perdendo a ligação entre a cidade e as pessoas", e "posicionou-se no mundo como uma cidade das feiras internacionais e do turismo" só que isso "não chega": "O Turismo e as Conferências (como diriam os professores desta casa) 'são condições necessárias, mas não são suficientes'."

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Dito de outra forma: "Não nos podemos concentrar apenas em atrair talento, mas sim em tornarmo-nos uma cidade que produz talento e que fixa talento. O futuro do emprego sustentável e, portanto, do bem-estar económico e social dos lisboetas depende da capacidade que Lisboa terá, ou não, para se tornar essa cidade da produção de talento."

E é necessário alterar o modelo de uma cidade "em que ter um simples médico de família é uma luta para muitas famílias", "em que a pobreza e os sem-abrigo são cada vez mais uma realidade", "em que o trânsito se tornou impossível", "em que a sujidade das ruas salta aos olhos" - enfim, "uma cidade que não cuida das pequenas coisas, daquelas pequenas coisas que fazem a grande diferença no nosso dia a dia".

"É esse o meu sonho: Uma Lisboa global do Tejo para o mundo. Mas também Uma Lisboa Local capaz de resolver os problemas das pessoas. E assim influenciar uma grande mudança."

O ex-comissário enfatizou que o seu plano não passa apenas por "congregar as forças não socialistas moderadas e progressistas" (uma formulação que evidentemente exclui o Chega de qualquer acordo).

É também "ouvir os lisboetas e trabalhar com eles num programa de governo para a cidade" e, juntando-se a isso, "trazer para Lisboa" a sua própria visão de uma "cidade dos novos tempos" que seja "centrada nas pessoas e na resolução dos seus problemas concretos", "na Ciência, na Inovação e na Tecnologia ao serviço das pessoas e na luta contra mudanças climáticas" e por último "na Cultura como a base inspiradora da cidade com que sonho, da cidade com que vamos sonhar juntos".

Moedas terminou a declaração deixando implícito que quer ver as autárquicas a influenciar as legislativas seguintes: "É esse o meu sonho: Uma Lisboa global do Tejo para o mundo. Mas também Uma Lisboa Local capaz de resolver os problemas das pessoas. E assim influenciar uma grande mudança."

Respondendo aos jornalistas, deixou claro que será vereador mesmo que não consiga ser eleito presidente da câmara. Recusou, por outro lado, desmentir ou confirmar a informação segundo a qual falou com o Presidente da República antes de aceitar o convite de Rui Rio para ser candidato à CML.

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