Bloco quer endurecer relatório final de inquérito ao BES

Bloquistas são "mais duros nas críticas a auditores e supervisores e ao Governo". Mariana Mortágua recusa antecipar sentido de voto da sua bancada. "Ainda é cedo para dizer"

O Bloco de Esquerda (BE) quer endurecer alguns aspetos do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito à Gestão do BES e do GES, tendo para isso apresentado esta quinta-feira à tarde 24 páginas com 36 pontos de alteração e aditamento à versão preliminar do texto do relator Pedro Saraiva.

Segundo a deputada Mariana Mortágua, os bloquistas são "mais duros nas críticas a auditores e supervisores e ao Governo". Relativamente aos auditores, a deputada apontou "muitos casos" em que aqueles "tiveram conhecimento de atos e factos que não comunicaram aos supervisores". Sobre os supervisores, o BE quer ver reforçadas as críticas ao Banco de Portugal (BdP), "por diferentes motivos": "Não comunicou atempadamente à CMVM problemas na ESI", "não comunicou o projeto de resolução" e "não foi eficaz a resolver problemas do banco", nomeadamente em "garantir o cumprimento da blindagem que impôs desde novembro [de 2013]". Concluiu a deputada que a instituição presidida por Carlos Costa "agiu tarde e de forma demasiado branda".

Outro aspeto que Mariana Mortágua referiu foi o do papel da troika: "Agiu durante quatro anos como se fosse dona disto tudo, recusou-se a responder e a comparecer, isto é importante, e deve ficar claro."

O Bloco aponta ainda a necessidade de acrescentar factos à intervenção do Governo. "É também à ministra das Finanças que cabe a estabilidade dos mercados financeiros", notou Mariana Mortágua, para acrescentar que "há riscos na solução adotada", ao contrário do que afirmou Passos Coelho. E recordou "declarações do primeiro-ministro", "de que não haveria um cêntimo dos contribuintes" em causa no BES/GES.

Apesar destas críticas, a deputada bloquista está confiante que estas alterações possam vir a ser aceites pelo relator social-democrata, Pedro Saraiva. "Acrescentamos factos, sem opiniões", respeitando a forma adotada pelo relator, disse aos jornalistas, dizendo ainda que o BE "quer o relatório mais factual e mais próximo da realidade". E que se tirem consequências, avisou. Também por isto o BE não quer ainda "antecipar nenhum sentido de voto". "Ainda é cedo para dizer", apontou Mariana Mortágua.

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