BE versus Livre. Um debate a medir distâncias para António Costa

Catarina Martins e Rui Tavares admitiram ambos acordos à esquerda, mas onde o Livre vê convergência com os socialistas, a coordenadora do BE invoca a experiência dos últimos anos e fala de um "obstáculo chamado António Costa".

Um debate entre oponentes dentro do mesmo espaço político, com diferenças mais circunstanciais que de fundo e com um mesmo princípio para as eleições antecipadas de 30 de janeiro - é preciso um acordo de esquerda para governar o país. Mas, se o princípio é o mesmo, a forma de lá chegar nem por isso.

E foi por aí que começou Catarina Martins. Manifestando uma "enorme simpatia pelo programa do Livre e pela sua vontade convergente", a coordenadora bloquista apontou uma proposta do partido de Rui Tavares - "equacionar" a exclusividade dos médicos do Serviço Nacional de Saúde - para defender que, se esta proposta for apresentada a António Costa, o secretário-geral socialista "diz logo que sim, cria um grupo de trabalho e vai passar quatro anos a estudar a exclusividade". Foi o mote, em que insistiria várias vezes ao longo do debate, para pedir "força" para a esquerda.

A líder do BE voltaria ao mesmo argumento, já a propósito das leis laborais, afirmando-se surpreendida por não ver no programa do Livre nenhuma referência à reversão das regras da troika nas leis do trabalho, uma das questões que mais afastou bloquistas e socialistas nos últimos anos. Uma crítica com o mesmo destinatário, por interposto Livre: "Há um obstáculo. Chama-se António Costa".

Já Rui Tavares - que iniciou o debate a lembrar que BE e Livre estão coligados em Oeiras, onde se situam os estúdios da SIC onde decorreu o debate - apontou "divergências programáticas" entre os dois partidos, questionou alguns posicionamentos europeus dos bloquistas, mas centrou a principal crítica no chumbo do BE ao Orçamento do Estado para 2022, insistindo que um voto nos bloquistas não tem a clareza de um voto no Livre - "o voto mais claro do boletim".

"Não sei se teremos um BE de convergência, se teremos um BE de divergência", apontou o cabeça de lista do Livre pelo círculo de Lisboa. "Parece quase António Costa a falar", retorquiu Catarina Martins, que ao longo do debate foi insistindo que o líder socialista "quis uma crise política".

Já na fase final do debate de 25 minutos, com a questão dos acordos de governação à esquerda sobre a mesa, a maior proximidade e distância do Livre e do BE face ao PS voltou a ficar patente. Disponível para acordos de governação? "Evidentemente", respondeu Rui Tavares, sublinhando que a "convergência não é só com o PS". "Lanço o desafio ao Bloco, PCP, ao PEV, ao PAN. Precisamos de um orçamento rapidamente, um programa de governo à esquerda, se a esquerda tiver maioria", referiu Rui Tavares, defendendo que "todos devem estar dispostos a fazer uma negociação conjunta".

"O BE quis, fez, propôs e fará um acordo à esquerda para o Governo de Portugal ", disse também Catarina Martins, mas com um BE "reforçado enquanto terceira força política" e com "propostas concretas" - que destacou em duas áreas, o reforço do SNS e a alteração das leis laborais. Mas, ainda sobre acordos, com novo "recado" para a disponibilidade do Livre para fazer acordos com o PS: "É importante que a esquerda possa ir a eleições com tanta vontade de um acordo de governação, como com determinação para resolver os problemas fundamentais das pessoas".

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