BE perde votos e vereadores, mas segura Lisboa e estreia-se no Porto

Bloco de Esquerda viu cair muitos dos vereadores que tinha conseguido eleger em 2017.

O BE falhou nestas eleições o objetivo de aumentar a sua representação autárquica e, pelo contrário, teve uma perda expressiva de votos e vereadores, mas conseguiu manter-se no executivo de Lisboa e estrear-se na Câmara do Porto.

Antecipando "uma noite longa", a coordenadora do BE, Catarina Martins, falou cedo no Capitólio e ainda quase sem resultados finais fechados, o que fazia prever que estas eleições não trariam boas notícias para as hostes bloquistas.

Foi só madrugada dentro, já perto das 05:00, que veio a confirmação de dois dos objetivos que tinham sido traçados ao longo da campanha: manter o mandato na Câmara de Lisboa (e eleger Beatriz Gomes Dias) e chegar, pela primeira vez na história do partido, à Câmara do Porto (com a eleição de Sérgio Aires).

À exceção de Lisboa, Porto, Almada, Salvaterra de Magos (apesar de ter perdido um dos dois mandatos) e a coligação encabeçada em Oeiras com o Livre e o Volt que elegeu a independente Carla Castelo, no resto do país a noite foi de maus resultados para o partido liderado por Catarina Martins, de acordo com os resultados apurados até à manhã desta segunda-feira, com 13 freguesias por apurar e uma votação não realizada.

BE viu cair muitos dos vereadores que tinha conseguido eleger em 2017 - quando conseguiu 3,29% e 170 mil votos - como Portimão, Amadora, Vila Franca de Xira, Abrantes, Torres Novas, Seixal e Moita.

Em termos de votação, e tendo em conta os resultados provisórios - 2,76 % com 136.581 votos -- é preciso recuar a 2013 e a 2001 (ano da estreia autárquica do partido) para encontrar piores prestações.

Durante a campanha oficial, os bloquistas tinham travado uma batalha contra a maioria absoluta de Fernando Medina na Câmara de Lisboa, mas a surpresa da perda das eleições do presidente socialista da capital para Carlos Moedas trouxe outro dissabor ao Bloco e perda de influência na cidade lisboeta.

É que nos últimos quatro anos foi assinado com o PS um acordo pós-eleitoral que deu ao BE um pelouro na autarquia e, agora, com a vitória de Carlos Moedas e a garantia já deixada por Catarina Martins de que não negociará com a direita, os bloquistas perdem esta preponderância local.

Apesar de nunca ter quantificado uma meta eleitoral ao longo dos dias na estrada, a líder do BE queria "mais força" para o partido nas eleições de domingo e chegou mesmo a afirmar que o partido estaria perto de eleger onde nunca tinha conseguido, mas para além de vereadores perdeu também em números de eleitos para as assembleias municipais e assembleias de freguesia.

No discurso bem cedo no Capitólio -- e onde Beatriz Gomes Dias também não falou -- ficou marcado para hoje novo encontro com a comunicação social para falar sobre os resultados das eleições, após uma reunião da direção bloquista.

"Viemos para estas eleições com muita humildade, olhamos para os resultados com muita humildade, vamos acompanhar com muita atenção nomeadamente os resultados em Lisboa, no Porto, mas queria também saudar o trabalho que foi feito por listas de cidadãos que o Bloco de Esquerda apoiou, nomeadamente em Oeiras e em Coimbra", disse Catarina Martins na noite eleitoral.

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