Bazuca da UE. Eurodeputado do PS insiste em criticar plano, que quer "aditivado"

Eurodeputado do PS insiste na urgência de fazer chegar dinheiro às famílias. Mesmo depois de António Costa ter dito na entrevista DN/TSF/JN deste fim de semana que o importante é "resistir à tentação de simplesmente distribuir dinheiro".

O eurodeputado socialista Pedro Marques, ministro de António Costa no seu primeiro Governo (com a pasta do Planeamento e Infraestruturas) continua a insistir na sua ideia de a UE, no curto prazo, passar um cheque de mil euros a cada desempregado, idoso ou cidadão com filhos.

Isto apesar de, neste fim de semana, na entrevista que deu ao DN, TSF e JN, o primeiro-ministro ter afirmado, ao comentar a ideia do eurodeputado, que a UE deve ter "a capacidade de resistir à tentação de simplesmente distribuir o dinheiro para reanimar a Economia".

Falando ao DN, Pedro Marques insistiu na ideia, dizendo que o seu propósito é, justamente, "ter um efeito de curto prazo a manter o consumo", conseguindo-se com isso "a retenção do emprego" - ou, dito de outra forma, evitar o aumento do desemprego por causa das consequências económicas da crise pandémica.

"Há cada vez mais vozes europeias a dizer que o Plano [de Recuperação para a Europa] precisa de ser aditivado com esta perspetiva de curto prazo."

Para o ex-ministro, este seu plano não anula o grande plano estrutural já aprovado na UE (e que em Portugal se traduzirá no PRR, Plano de Recuperação e Resiliência), antes devia antecipá-lo, como uma espécie de ajuda de emergência aos cidadãos de forma a conseguir manter o consumo (e com isso evitando encerramento de empresas e consequente aumento do desemprego).

"Há cada vez mais vozes europeias a dizer que o Plano [de Recuperação para a Europa] precisa de ser aditivado com esta perspetiva de curto prazo", afirma, invocando palavras do Presidente francês Emanuel Macron e da economia alemã Isabel Schnabel, que integra a comissão executiva do BCE.

O exemplo americano

Pedro Marques salienta, por exemplo, que os EUA já estão a aplicar o seu terceiro plano de curto prazo de ajuda à economia - dois com Trump e agora um com Biden - e que o seu valor somado é de nove por cento do PIB americano, enquanto que o plano europeu, de cariz estrutural, e com mais lenta aplicação - o dinheiro está longe de ter começado a chegar à economia - terá uma dimensão equivalente a 9,2 por cento do PIB europeu.

"A ideia do Pedro Marques é muito boa para a reanimação imediata da economia, mas não muda estruturalmente a eeconomia."

Dito de outra forma: citando dados da OCDE, o eurodeputado socialista salienta ao DN que enquanto o plano europeu só terá na economia europeia, no primeiro ano, um efeito orçado em 0,5 do PIB, os planos americanos já em prática têm, na economia do país, e no mesmo período, um efeito de recuperação de quatro por cento do PIB.

Na entrevista DN/TSF/JN publicada este fim de semana, António Costa disse que a ideia de se distribuir para já dinheiro aos cidadãos, diretamente, como sugeriu Pedro Marques, "teria sido uma hipótese". "Nós entendemos que este Plano de Recuperação tem que ter, obviamente, um impacto conjuntural para reanimar a Economia e o emprego", acrescentou.

Porém, "deve ter, precisamente porque é um plano extraordinário e irrepetível, sobretudo uma preocupação de intervenção estrutural". Enfim: "A ideia do Pedro Marques é muito boa para a reanimação imediata da economia, mas não muda estruturalmente a e economia."

joao.p.henriques@dn.pt

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