Autárquicas e economia na Comissão Política do CDS

O CDS-PP reúne hoje a Comissão Política Nacional para analisar a atual situação política, as próximas eleições autárquicas e a marcação do Congresso partidário.

A 13 de dezembro passado, o líder do CDS-PP, Paulo Portas, anunciou que iria convocar aquele órgão para discutir propostas para o corte de quatro mil milhões de euros na despesa pública. Perante o Conselho Nacional, Paulo Portas pediu ao partido para que elaborasse propostas com vista a esse corte, que disse encarar como um "corte de despesa estrutural" e não uma "refundação do Estado".

Questionado pela Lusa, o secretário-geral do partido António Carlos Monteiro não confirmou que este assunto vá ser debatido na reunião.

"Esta comissão política tem dois objetivos: em primeiro lugar tratar do partido e do próximo ato eleitoral e, evidentemente, tratar do país. É uma comissão política que se destina em primeiro lugar a ouvir o que os dirigentes do partido têm a dizer, sobre o Congresso, sobre as autárquicas e também sobre a situação política", afirmou António Carlos Monteiro.

Na reunião, deverá ser marcado para meados de abril um Conselho Nacional que, por sua vez, irá convocar o próximo Congresso do CDS-PP a realizar-se no início do verão.

De acordo com o secretário-geral do CDS-PP, hoje será ainda feito um ponto de situação das candidaturas autárquicas quer em listas próprias quer em coligação, onde diz haver "perspetivas positivas".

As autárquicas têm estado marcadas pela polémica em torno da lei de limitação de mandatos, depois de o Tribunal Cível de Lisboa ter declarado o impedimento de Fernando Seara, anunciado como candidato da coligação PSD/CDS-PP à capital.

Após a sétima avaliação do Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, disse que as poupanças na despesa pública começam já este ano com cortes e contenção para poupar o equivalente a 500 milhões de euros de forma estrutural, mas em áreas que não foram ainda explicadas.

Estes cortes deverão ser conhecidos em abril, altura até à qual o Governo tem de apresentar o Documento de Estratégia Orçamental.

Depois de conhecidos os resultados da sétima avaliação da 'troika', o deputado e porta-voz do CDS-PP, João Almeida, considerou que "mais medidas de austeridade seria erro em cima de erro".

"O mais importante, neste momento, é ter a consciência de que se há um desenho mal feito, insistir no mesmo desenho só agravará o problema", disse então.

Perante a anunciada moção de censura do PS ao Governo, o líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, defendeu hoje que a iniciativa é "uma precipitação" por "dentro de duas ou três semanas" Portugal ter que negociar com os credores internacionais os termos do pagamento de empréstimos.

A iniciativa foi classificada como uma "jogada taticista" contra a qual o CDS-PP votará.

A última reunião da Comissão Política, órgão consultivo do presidente do partido, realizou-se há seis meses, a 15 de setembro, no Porto, no mesmo dia de um Conselho Nacional.

Um "intervalo demasiado excessivo", criticou o deputado e ex-líder do CDS-PP, José Ribeiro e Castro, que considerou que "um partido democrático não deveria ter dificuldade em reunir os órgãos" sobretudo "perante a situação difícil do país".

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