Santana Lopes destaca relacionamento "cordial" apesar da "enorme divergência"

Jorge Sampaio, antigo Presidente da República, morreu esta sexta-feira aos 81 anos, depois de ter estado internado no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, devido a dificuldades respiratórias.

Na primeira reação à morte de Jorge Sampaio, o primeiro-ministro, António Costa, dirigiu as primeiras palavras à família e amigos do antigo Presidente da República, que faleceu hoje aos 81 anos. "A todos e com todos partilho um profundo sentimento de tristeza e de perda neste momento", disse o chefe do governo, dirigindo-se também ao PS e a todos os que conviveram e trabalharam com o antigo chefe de Estado.

Na comunicação ao país, Costa afirmou que Jorge Sampaio "exerceu as suas funções políticas com o mesmo sentido cívico, de militância, de convicção com que em 1962 assumiu a liderança do movimento estudantil de combate à ditadura e nos últimos anos, já não tendo nenhuma função oficial, assumiu o encargo de lançar uma grande plataforma internacional para que os refugiados sírios pudessem prosseguir os seus estudos universitários e concluí-los com sucesso".

António Costa anunciou que o Governo vai decretar um período de luto nacional de três dias, a contar a partir de amanhã. "Em contacto com a família serão ainda hoje anunciados as datas, os locais e o horário dos diferentes momentos das cerimónias fúnebres" de Jorge Sampaio, informou ainda.

"Para Jorge Sampaio, o exercício dos seus múltiplos cargos políticos foram sempre e só mais uma forma de exercer a sua cidadania", vincou o primeiro-ministro.

Costa recordou que Sampaio foi membro do Governo "nos difíceis tempos dos governos provisórios, foi deputado apaixonado, líder parlamentar no momento em que a democracia já estava consolidada".

"Deu um contributo notável ao prestígio do poder local democrático, concorrendo e vencendo por duas vezes as eleições à presidência da Câmara de Lisboa", lembrou Costa referindo ainda o facto de ter sido eleito e reeleito para Presidente da República, honrando o lema "um por todos e todos por um".

O primeiro-ministro expressou novamente condolências à família e terminou com a seguinte afirmação:

"Curvamo-nos todos na memória de alguém que foi um exemplo, lutador pela liberdade, pela democracia e que tanto, tanto prestigiou, com a sua verticalidade ética, a nossa vida política".

"Um lutador e a causa da sua luta foi a liberdade e igualdade", sublinha Marcelo

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, dirigiu-se esta sexta-feira ao país para lembrar Jorge Sampaio, que morreu hoje aos 81 anos. "Um lutador e a causa da sua luta foi a liberdade e igualdade", sublinhou na declaração que proferiu a partir do Palácio de Belém.

"Acabei de exprimir à família de Jorge Sampaio a dor e o pesar de todos vós, lutando mas serenamente nos deixou hoje o Presidente Jorge Sampaio. Lutando serenamente, como sereno foi o seu testemunho de vida ao serviço da liberdade e da igualdade. Sereno na sua luminosa inteligência, sereno na sua profunda sensibilidade", afirmou.

"Nasceu e formou-se para ser um lutador e a causa da sua luta foi uma: a liberdade na igualdade", destacou.

"Na carismática afirmação no movimento estudantil no início dos anos 1960, na defesa em tribunais plenários dos presos políticos durante a ditadura, na representação externa da democracia nascente, na construção de pontes, década após década, na adesão ao PS de que viria a ser deputado, líder parlamentar e líder nacional, na formação da primeira e mais vasta coligação pré-eleitoral de esquerda na nossa história democrática, na presidência da Câmara de Lisboa", detalhou.

Mencionou ainda a "devotada e prestigiante presidência de Portugal" de Jorge Sampaio.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu-se ainda a Jorge Sampaio como "um grande senhor da nossa democracia, um grande senhor da nossa Pátria comum".

O chefe de Estado recordou que Sampaio recriou "as presidências abertas do seu antecessor com a constante presença de Maria José Rita".

Sublinhou ainda a entrega do antigo Presidente da República "na solidariedade para com os que mais sofriam", exemplificou.

"Ninguém esquecerá momentos únicos dessa entrega", afirmou.

"Podendo ter se resignado ao caminho mais fácil, do jurista respeitado, da quietude da sua origem social, do natural ascendente da sua cultura, do seu pensamento, da sua oratória, escolheu o caminho mais ingrato: na solidariedade para com os que mais sofriam, no convívio com o concreto, na privação da sua saúde frágil, em exaustivos e desgastantes labores."

"As intervenções decisivas desse furacão ruivo na Alameda da Universidade de Lisboa em 62, a madrugada da libertação dos detidos em Caxias após o 25 de Abril, a conversa com Álvaro Cunhal antes da segunda volta da eleição de Mário Soares em 86, os meses sem dormir passados nesta casa em Belém por causa de Timor-Leste", recordou Marcelo.

O Presidente da República afirmou que era "um homem bom", na "partilha da alegria, tal como da dor alheias".

"Deixou-nos com um duplo legado, feito de igualdade, mas também de liberdade; feito de inteligência, mas também sensibilidade. Provou que se pode nascer privilegiado e converter a vida na batalha pelos não privilegiados", sublinhou.

Guterres salienta "incomparável homem de Estado" e figura "central" da democracia

O secretário-geral das Nações Unidas afirmou hoje que Jorge Sampaio foi uma figura "central" da democracia de Abril, um "incomparável homem de Estado" que deixou uma marca "decisiva" na luta pela paz e no diálogo entre civilizações.

Numa declaração à agência Lusa, António Guterres, que sucedeu a Jorge Sampaio na liderança do PS em 1992 e que desempenhou funções de primeiro-ministro entre 1995 e 2001, disse que ficou "profundamente emocionado e entristecido com a notícia da morte de Jorge Sampaio".

"Foi um amigo querido e um companheiro de luta em tantos momentos decisivos para a vida do nosso país. Nunca poderei esquecer a forma como juntos trabalhámos noite e dia, em uníssono, para evitar uma terrível tragédia para os timorenses e permitir a independência de Timor-Leste", observou o secretário-geral das Nações Unidas.

Para António Guterres, Jorge Sampaio "foi uma figura central da democracia de Abril, lutador incansável contra a ditadura desde o seu tempo de estudante, militante ativo de todas as nobres causas e incomparável homem de Estado pela sua integridade, humanismo e permanente devoção pelo interesse nacional".

"Jorge Sampaio deu um contributo inestimável às Nações Unidas, onde deixou uma marca decisiva na luta pela paz e pelo diálogo entre culturas e civilizações. Jorge Sampaio era um homem bom, um homem generoso, como demonstrou o seu forte empenhamento no acolhimento dos refugiados sírios", indicou ainda o antigo primeiro-ministro português.

António Guterres considerou depois que, com a morte do antigo chefe de Estado, "Portugal perde um dos seus melhores".

"E todos os que como eu com ele privaram perdem um amigo querido, um companheiro solidário e uma referência moral inesquecível", referiu, antes de deixar uma mensagem à família de Jorge Sampaio.

"À [sua mulher] Maria José e a todos os seus familiares, envio um abraço de profunda solidariedade e condolências", acrescentou.

Ferro Rodrigues destaca a perda de um amigo e de um lutador

O presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, salientou esta sexta-feira que a morte de Jorge Sampaio representa a perda de "um amigo de longa data" com quem partilhou uma constante luta pela liberdade e democracia em Portugal.

Na sua mensagem, Ferro Rodrigues disse ter recebido a notícia da morte do antigo líder do PS e antigo presidente da Câmara de Lisboa "com profunda tristeza e sentimento de enorme perda".

"Se perdi hoje um amigo de longa data, com quem tive o privilégio de partilhar sucessos e insucessos nesta constante luta pela Liberdade e pela Democracia, Portugal perdeu um dos seus mais prestigiados cidadãos, que sempre serviu o seu país com distinção e honra", referiu o presidente da Assembleia da República.

Ferro Rodrigues destacou Jorge Sampaio como uma personalidade "imbuída de valores humanistas, de uma visão progressista e de um forte dever cívico".

"Jorge Sampaio cedo entrou em confronto com o regime repressivo então vigente. Antifascista convicto, participou ativamente na crise académica de 1962, foi candidato nas listas da oposição democrática da CDE, em 1969, e, já como advogado, assumiu, corajosamente, a defesa de inúmeros presos políticos no Tribunal Plenário da ditadura", recordou.

Cavaco Silva destaca "um homem de causas que serviu Portugal com grande sabedoria e grande dedicação"

O ex-Presidente da República, Cavaco Silva, afirmou que "foi com profunda consternação" que recebeu a notícia da morte de Jorge Sampaio e expressou à família "profundas condolências e uma palavra de conforto neste momento tão difícil"

Numa comunicação aos jornalistas, Cavaco Silva afirmou que Sampaio "foi um homem de causas que serviu Portugal com grande sabedoria e grande dedicação nos cargos que desempenhou", tanto a nível nacional como internacional.

"Este momento é um tempo de profunda, profunda tristeza nacional. Eu inclino-me perante a memória do Presidente Jorge Sampaio", disse Cavaco Silva.

Lembrou que "Jorge Sampaio dedicou muito do seu tempo à causa de Timor-Leste, na defesa dos interesses do povo de Timor-Leste".

Aníbal Cavaco Silva, que sucedeu a Jorge Sampaio em Belém e foi Presidente da República entre 2006 e 2016, destacou o "grande patriotismo, grande sentido de Estado e grande sentido do interesse público do seu antecessor".

"O povo português tem todas as razões para admirar e honrar o Presidente Jorge Sampaio", realçou Cavaco Silva que disputou e perdeu as presidenciais de 1996 com Jorge Sampaio.

"Nalgumas ocasiões fomos adversários políticos, mas mantivemos sempre boas relações, relações cordiais, relações de respeito mútuo", recordou.

José Sócrates elogia político do "compromisso"

José Sócrates, primeiro-ministro entre 2005 e 2011, reagiu com pesar à morte de Jorge Sampaio, por quem não esconde grande admiração.

"Como todos os que partilharam a vida política com Jorge Sampaio, estou dominado pelo silêncio do espanto pela morte de alguém que admirava. Era um homem de espírito, culto, divertido e encantador no convívio. As memórias que tenho dele, são de uma relação entre Presidente da República e primeiro-ministro que foi além da política, e se tornou uma relação de estima, consideração, admiração", afirma Sócrates ao DN.

O antigo líder socialista lembra ainda que "o traço permanente da carreira política de Jorge Sampaio é o do compromisso ao estado de direito e aos direitos, liberdades e garantias ou não tivesse sido ele um advogado e lutador contra a ditadura. Sempre demonstrou preocupação, cuidado e atenção com as instituições democráticas e o seu prestígio".

A nível mais pessoal diz sentir "o seu desaparecimento como o desaparecimento de alguém que foi importante na vida política e sempre com gestos atenciosos, simpáticos e de bom companheiro para comigo (...) Sinto, enfim, tristeza e penso na família, a esposa e os filhos, que espero consigam passar este momento com coragem", sublinha José Sócrates.

Passos Coelho lamenta "grande perda" para Portugal e destaca "agudíssimo sentido cívico

O ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho considerou hoje a morte de Jorge Sampaio como "uma grande perda" para Portugal e destacou o "agudíssimo sentido cívico moldado por grande humanidade" do antigo Presidente da República.

Numa nota escrita enviada à Lusa, Passos Coelho expressou as suas "sentidas condolências" à família, "e em particular à sua mulher Maria José Rita".

"Trata-se, sem dúvida, de uma grande perda para o nosso país, que o Dr. Jorge Sampaio representou ao mais alto nível e com grande dignidade em diversas e importantes circunstâncias, quer no plano nacional quer internacional. Recordo, em particular, a sua enorme afabilidade e simpatia, mas sobretudo o seu agudíssimo sentido cívico moldado por grande humanidade", salientou o antigo líder do PSD, que foi primeiro-ministro entre 2011 e 2015.

Durão Barroso recorda "personalidade empenhada nas causas da democracia"

O antigo primeiro-ministro Durão Barroso recordou Jorge Sampaio como uma "personalidade realmente empenhada nas causas da democracia", enviando os pêsames à família do antigo Presidente da República.

"Os meus mais sentidos pêsames para a família de Jorge Sampaio, Presidente da República com quem tive a honra de trabalhar como primeiro-ministro, e que era personalidade realmente empenhada com as causas da democracia e do desenvolvimento social no nosso país e no plano internacional", escreveu na sua conta de Twitter.

Durão Barroso foi primeiro-ministro entre 2002 e 2004, tendo deixado essas funções para assumir a presidência da Comissão Europeia.

Ministro da Defesa manifesta "profunda admiração" por Jorge Sampaio

O ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho. O governante manifestou "mágoa" pela morte do antigo Presidente da República Jorge Sampaio e afirmou que ter uma "profunda admiração" pelo ex-chefe de Estado, que era um "extraordinário e exemplar português".

"Obrigado Jorge Sampaio", escreveu o ministro na sua conta na rede social Twitter.

João Gomes Cravinho afirmou também que "não cabe num 'tweet', nem a mágoa da perda nem a profunda admiração por este extraordinário e exemplar português".

Manuel Alegre enaltece "visão de estadista" fulcral para o Portugal democrático

O antigo dirigente socialista Manuel Alegre lamentou "com mágoa" a morte do antigo Presidente da República Jorge Sampaio e enalteceu a "visão de estadista" de uma figura que considerou fulcral na construção do Portugal democrático.

Contactado pela Lusa, Manuel Alegre reagiu "com mágoa" à morte de "um amigo" que conhece "há 60 e tal anos".

"Quando o conheci, há 60 e tal anos, numa assembleia magna muito tensa e difícil, realizada no velho Palácio dos Grilos, em Coimbra. Eu ia subir à tribuna e senti uma pancada nas costas. Voltei-me e vi-o, com o cabelo muito ruivo ainda, a dizer-me: 'Eu venho de Lisboa e trago-vos a nossa solidariedade, em nome da Reunião Inter-Associações (RIA)'", recordou o também antigo candidato presidencial.

Jorge Sampaio foi, sustentou, uma das principais figuras da "consolidação da democracia portuguesa".

Manuel Alegre lembrou o também antigo secretário-geral do PS como uma pessoa que "não era exaltada, às vezes enervava-se, sabia construir pontes e tinha uma visão política moderna" sobre o país, assim como uma "visão estratégica sobre a posição de Portugal no mundo".

"Na minha opinião, foi o Presidente que melhor exemplificou os dois poderes que tem um Presidente, quando decidiu não dissolver a Assembleia [da República] e nomear o então primeiro-ministro Santana Lopes, porque havia uma maioria, e quando depois, por razões de estabilidade política, decidiu dissolvê-la", disse Manuel Alegre, acrescentando que este exemplo mostra a "visão lúcida própria, muito autónoma" e também "de estadista" de Sampaio.

Santana Lopes destaca relacionamento "cordial" apesar da "enorme divergência"

O antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes destacou o relacionamento sempre "cordial" que manteve com Jorge Sampaio, apesar da "enorme divergência" registada quando o antigo chefe de Estado dissolveu o parlamento na altura em que liderava o Governo.

"Para lá da grande, da enorme divergência que tivemos em 2004 tivemos sempre um relacionamento cordial e, da minha parte, de muito respeito e consideração", afirmou Santana Lopes, em declarações à Lusa.

Depois de Durão Barroso deixar as funções de primeiro-ministro para presidir à Comissão Europeia, Jorge Sampaio considerou, em julho de 2004, que a maioria PSD/CDS-PP tinha condições para assegurar a "estabilidade política", sustentando que a demissão do primeiro-ministro não implicaria eleições antecipadas.

O antigo chefe de Estado deu então posse a um Governo liderado por Pedro Santana Lopes, mas quatro meses e muitas divergências depois acabaria por dissolver a Assembleia da República. "Na hora em que as pessoas partem, gosto de guardar os bons momentos. Tivermos essa enorme divergência, mas existem todas as razões para ter muito respeito e consideração pela figura de Jorge Sampaio", considerou Santana Lopes.

O antigo primeiro-ministro e candidato independente à Câmara da Figueira da Foz disse estar "muito triste com a sua partida" e apresentou condolências a toda a família. "É um dia muito triste para Portugal", afirmou.

Santana recordou que as suas relações com Jorge Sampaio começaram na década de 80, quando o antigo líder do PSD tinha "25 ou 26 anos", e eram ambos deputados à Assembleia da República". "Tínhamos os dois ideias comuns sobre alguns aspetos da revisão constitucional, estávamos até na mesma fila muitas vezes", recordou.

Depois, quando Santana foi secretário de Estado da Cultura, Jorge Sampaio era presidente da Câmara de Lisboa e trabalharam juntos na organização da Capital Europeia da Cultura, em 1994. "Eu nomeei Marcelo Rebelo de Sousa como comissário e Sampaio nomeou o Nuno Brederode dos Santos. Aí tivemos uma pequena divergência, mas chegámos a uma solução comum: nomeámos Vítor Constâncio como presidente da sociedade que organizar a capital da cultura", lembrou.

Já muito depois da divergência de 2004, quando Santana Lopes era provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, recebeu um pedido de Jorge Sampaio para apoio ao seu projeto com os refugiados sírios, que se concretizou na assinatura de acordos.

"Partilhávamos a mesma cor clubística, falávamos muito disso, até no final das audiências semanais como primeiro-ministro e Presidente da República", referiu ainda Pedro Santana Lopes, dizendo que, nos anos mais recentes, encontrava por vezes Jorge Sampaio em restaurantes próximos da praia da Luz, onde passava férias. "Sempre tive uma relação cordial com ele e não consegui deixar de ter", enfatizou.

Basílio Horta recorda amigo e diz que "Sintra perde um dos seus melhores"

O presidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta. Numa mensagem deixada na rede social Facebook, o autarca que apoiou Sampaio nas presidenciais de 1996, confessou estar "profundamente triste" com a perda de "um amigo".

"Perdi hoje um amigo que sempre respeitei e admirei. Apoiei o Dr. Jorge Sampaio nas suas caminhadas presidenciais, estivemos juntos em tantos e tantos momentos", lembrou.

O autarca recordou Sampaio, que fez os primeiros anos de escola em Sintra, como "um sintrense de coração, de alma e de devoção", defendendo que "Sintra perde um dos seus melhores".

"Não comecei a caminhada em Sintra sem ter a certeza do seu apoio e caminhou sempre ao meu lado. Querido Presidente Jorge Sampaio: quantas saudades teremos suas. Quanta falta fará a todos nós. Quantas lembranças nos deixa e que tamanha foi a sua vida! Obrigado querido amigo. Para sempre no meu coração", lê-se na mensagem, acompanhada de várias fotografias de ambos.

BE enaltece "figura central da democracia" que "soube fazer pontes à esquerda"

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, lamentou a morte de Jorge Sampaio, "figura central da democracia", que "soube fazer pontes à esquerda" e que lutou sempre por um Portugal "aberto, cosmopolita, solidário e defensor dos direitos humanos".

Numa declaração aos jornalistas desde a sede do BE, em Lisboa, Catarina Martins transmitiu as "mais sentidas condolências à família de Jorge Sampaio, aos seus amigos, a quem lhe era mais próximo e ao Partido Socialista".

"Jorge Sampaio é uma figura central da democracia portuguesa. Foi líder da revolta estudantil de 62, advogado de presos políticos, teve uma participação ativa no 25 de Abril e depois da revolução soube fazer pontes à esquerda que permitiram projetos novos para o país, que o levaram às vitórias na Câmara de Lisboa e como Presidente da República", enalteceu.

Na perspetiva de Catarina Martins, Sampaio "foi até ao último dos seus dias um lutador por esta ideia de um Portugal aberto, cosmopolita, solidário, defensor dos direitos humanos".

Moedas cancela ações da campanha eleitoral. Sampaio foi um "lutador pela liberdade e pela democracia"

Carlos Moedas, candidato pela coligação Novos Tempos à Câmara Municipal de Lisboa, suspendeu todas as ações da campanha eleitoral previstas para os próximos dias, após a notícia da morte do antigo Presidente da República.

"Jorge Sampaio foi um lutador pela liberdade e pela democracia desde muito novo. Era um homem com mundo e tive a oportunidade de ver, como Comissário Europeu, o trabalho extraordinário que fez em prol dos refugiados. Tive também o gosto de trabalhar com ele na atribuição do Prémio Gulbenkian para a Humanidade do qual era presidente do júri", afirmou.

Carlos Moedas expressou, "neste momento de dor", os "mais profundos sentimentos a toda a família".

PS suspende pré-campanha para as autárquicas

O PS anunciou a suspensão de "todas as atividades públicas da campanha eleitoral" para as eleições autárquicas devido à morte de Jorge Sampaio.

"O Partido Socialista anuncia a suspensão de todas as atividades públicas de campanha eleitoral, solicitando aos seus militantes, dirigentes e candidatos que se associem à homenagem coletiva que os portugueses devem dedicar a Jorge Sampaio", anunciaram os socialistas em comunicado.

Inês de Sousa Real, do PAN, recebeu a notícia do falecimento de Jorge Sampaio "com pesar".

"Um Presidente da República que nos deixa um legado histórico em matéria de Direitos Humanos, pelo papel que teve na democracia portuguesa e na independência de Timor, assim como pela forma de fazer política", escreveu nas redes sociais, onde expressou "sentidas condolências" a toda a família e amigos de Jorge Sampaio "nesta hora de dor".

PCP recorda percurso "democrático e de resistência ao fascismo"

De acordo com uma nota divulgada, o PCP expressou à "família e ao PS as suas condolências" pela morte do antigo chefe de Estado e dirigente socialista.

"A Jorge Sampaio deve ser reconhecido o seu percurso democrático e de resistência ao fascismo no qual releva o papel desempenhado na defesa nos tribunais plenários, nos anos da ditadura, de numerosos antifascistas", acrescenta o partido.

Homem de esquerda e advogado de formação, defendeu casos célebres, como os dos réus do assalto ao Quartel de Beja, o caso da 'Capela do Rato', em que foram presas dezenas de pessoas que protestaram contra a guerra colonial.

O PCP também recordou a trajeto político de Sampaio no pós-25 de Abril, nomeadamente através do desempenho das funções de secretário-geral do PS, de Presidente da República entre 1996 e 2006, e de presidente da Câmara de Lisboa, "cargo que exerceu entre 1990 e 1995 no quadro da coligação 'Por Lisboa', em que o PCP exerceu relevante papel".

FPF decreta minuto de silêncio memória do antigo Presidente da República

"A Direção da FPF decreta um minuto de silêncio em memória de Jorge Sampaio. Todos os jogos das competições organizadas pela FPF realizados hoje e no fim de semana serão precedidos de um minuto de silêncio em homenagem ao antigo Presidente da República", informou o organismo, em comunicado.

O presidente da FPF, Fernando Gomes, já tinha lamentado a morte de Jorge Sampaio, destacando o contributo dado pelo antigo Presidente da República ao país e ao futebol.

"É com profunda emoção e tristeza que vejo partir Jorge Sampaio, antigo Presidente da República e figura incontornável da democracia do nosso país. Teve uma vida ligada à luta pelos direitos e liberdades, pautou o seu trajeto político pela coragem e coerência e deixou sempre a marca de um humanismo próprio de quem tem vincado sentido de justiça", assinalou o líder federativo.

Morte de Jorge Sampaio lamentada pelos presidentes das três instituições europeias

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, lamentou a morte do antigo Presidente da República Jorge Sampaio, "um verdadeiro defensor da liberdade e da igualdade", comentando que este é "um dia triste para Portugal e para a Europa".

Numa publicação, em inglês e em português, na sua conta oficial na rede social Twitter, o dirigente belga começa por dirigir "sinceras condolências à família do ex-Presidente Sampaio".

"Nascido sob uma ditadura, ele dedicou a sua vida à defesa da democracia e dos valores europeus que todos nós prezamos", escreveu Charles Michel.

O presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, enviou também as condolências à família do antigo Presidente da República, comentando que "hoje é um dia triste para Portugal, para todos os democratas e para a família socialista".

"As minhas sinceras condolências à família de Jorge Sampaio, antigo Presidente de Portugal, que será sempre uma referência para a social-democracia e para os defensores do Estado de direito", completou o presidente da assembleia europeia, socialista, numa mensagem em português publicada na sua conta oficial na rede social Twitter, acompanhada de uma fotografia do antigo secretário-geral do PS e chefe de Estado.

Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, destacou o "papel crucial" de Jorge Sampaio na promoção dos direitos humanos e dignidade dos refugiados, elogiando o "homem de princípios".

Numa mensagem lida pelo porta-voz do executivo comunitário, Eric Mamer, na conferência de imprensa diária da Comissão, Von der Leyen lembrou Sampaio como "um homem de princípios, e um defensor convicto dos direitos humanos".

Enquanto Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações, Sampaio desempenhou "um papel crucial na promoção dos direitos e da dignidade dos refugiados que chegam à Europa, e particularmente a Portugal, nomeadamente como resultado do conflito na Síria", referiu ainda Von der Leyen.

A presidente da Comissão Europeia lembrou que Jorge Sampaio, ainda enquanto jovem advogado, "defendeu prisioneiros políticos durante a ditadura".

Ursula Von der Leyen enviou as condolências à família e amigos do antigo Presidente da República, que teve "a honra de conhecer" na primeira visita oficial que fez a Portugal.

Medina recorda Sampaio como "um dos mais destacados" presidentes da Câmara de Lisboa

O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, recordou o antigo chefe de Estado Jorge Sampaio, que morreu hoje aos 81 anos, como "um dos mais destacados" presidentes da autarquia da capital, que liderou entre 1990 e 1995.

"Quero recordá-lo hoje sobretudo como um grande presidente da Câmara Municipal que Jorge Sampaio foi. Certamente um dos seus mais destacados presidentes de câmara", afirmou Fernando Medina, numa curta declaração nos Paços do Concelho, sem direito a perguntas dos jornalistas.

O presidente da autarquia salientou que o legado de Jorge Sampaio como autarca "é vastíssimo, desde a ligação da cidade ao rio, ao planeamento estratégico".

"É do seu tempo a primeira carta estratégica de Lisboa, fazer de Lisboa a capital atlântica da Europa, mas acima de tudo o avanço profundo que foi dado no sentido de uma cidade mais digna e mais justa, pois a ele se deve o grande impulso nos planos de construção social e de erradicação das barracas na cidade de Lisboa", realçou.

Balsemão enaltece perda de um dos maiores estadistas e de um amigo "desde a infância"

O antigo primeiro-ministro Francisco Pinto Balsemão endereçou hoje "sinceras condolências" à família do antigo Presidente da República Jorge Sampaio, que recordou como um amigo "desde a infância", considerando que Portugal perdeu um dos maiores estadistas.

Contactado pela agência Lusa, Francisco Pinto Balsemão disse considerou que a morte do antigo chefe de Estado é uma "perda para todos".

"Gostava muito dele, éramos amigos desde a infância", completou o antigo chefe dos VII e VIII Governos Constitucionais, endereçando "sinceras condolências" a "toda a família" de Sampaio, em particular à mulher, Maria José Ritta, "uma boa amiga".

O antigo primeiro-ministro social-democrata recordou que ambos frequentaram o Liceu Pedro Nunes, em Lisboa, reencontraram-se na Faculdade de Direito e chegaram inclusive a ser "vizinhos" na Rua Duque de Palmela, onde Sampaio tinha o escritório de advocacia e Pinto Balsemão tinha sediado o semanário Expresso.

"Conversámos muito, tivemos muitas trocas de impressões, e no próprio dia 25 de Abril, o Jorge Sampaio passou uma parte do dia na sede de Expresso, a procurar notícias, à espera de notícias. O dia 25 de Abril foi um dia muito longo", contou.

A relação de ambos, sustentou, continuou enquanto membros do Conselho de Estado, onde Sampaio tinha lugar permanente por ser antigo Presidente da República.

Francisco Pinto Balsemão lembrou ainda o "papel importante" de Jorge Sampaio na independência de Timor-Leste e o convite que feito pelo antigo chefe de Estado para integrar a delegação portuguesa, considerando que o país perdeu um dos maiores estadistas.

Perez Metelo: "Hoje perdi um grande amigo"

"Hoje perdi um grande amigo", reagiu o ex-jornalista António Perez Metelo, que teve a "honra de ser" porta-voz de Sampaio, entre 1990 e 1992, na Câmara Municipal de Lisboa "e na vitoriosa campanha Presidencial contra Cavaco Silva, em 1995/6".

"O forte laço, de uma amizade profunda e conivente, perdurou até hoje", afirmou, em comunicado.

"A sua dedicação à causa pública (desde jovem até ao último sopro de vida aos quase 82 anos); o escrúpulo (considerado excessivo por alguns colaboradores seus..) com que dispendia cada escudo ou euro do "sagrado" dinheiro dos contribuintes; a gentileza no trato e a capacidade humana, empática e política, de construir convergências amplas (na CML, entre 1989/93, a maioria PS/PCP alargou-se harmoniosamente aos vereadores do CDS e do PPM); a sua sensibilidade social, que lançou uma política de resposta à toxicodependência, inédita, que viria ganhar o país e constituir um exemplo, estudado e seguido hoje por Governos em todo o mundo; o seu sentido cosmopolita, com a sua iniciativa internacional de apoio e qualificação dos jovens refugiados sírios, que ele apelou (a escassos dias de falecer!) se alargasse, agora, aos jovens refugiados afegãos", destacou.

"Foi sempre um exemplo, que eu tenho tentado emular na minha vida cívica!", sublinhou, deixando uma palavra de agradecimento. "Obrigado, Jorge Sampaio".

Primeiro-ministro espanhol lamenta desaparecimento de "grande político"

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, lamentou a morte do ex-presidente português Jorge Sampaio, que considera ter sido "um grande político, um grande construtor de consensos e precursor de alianças entre a esquerda" portuguesa.

"Deixou-nos uma referência do socialismo, o ex-presidente de Portugal, Jorge Sampaio. Um grande político, um grande construtor de consensos e precursor de alianças entre a esquerda do seu país", disse o chefe do Governo espanhol numa mensagem publicada na sua conta da rede social Twitter.

Pedro Sánchez, também secretário-geral do PSOE, o partido socialista espanhol, termina a curta declaração manifestando, em português, os seus sentimentos aos "entes queridos" de Jorge Sampaio e a toda a "família socialista portuguesa".

Chega: um "relevante protagonista" do regime democrático

O Chega reconheceu esta sexta-feira o "papel de relevante protagonista" de Jorge Sampaio no regime democrático português, apesar de considerar que o "pensamento político" do estadista está "nos antípodas" do partido.

"O Chega está nos antípodas do pensamento político de Jorge Sampaio, muitas das suas decisões políticas revoltaram a direita e o centro-direita, mas reconhece-se o seu papel de relevante protagonista do regime democrático português", lê-se num comunicado divulgado pelo partido.

Na nota, o Chega envia "as suas sentidas condolências e sentimentos" à família e amigos de Jorge Sampaio, assim como ao PS, e informa que irá suspender, durante o dia de hoje, "todos os atos de campanha autárquica que ainda seja possível cancelar".

Numa curta declaração vídeo, o líder do Chega, André Ventura, também referiu que Jorge Sampaio "teve um papel relevante no regime democrático português das últimas décadas", dando o exemplo da independência de Timor-Leste.

"Talvez muito poucas vezes tenha concordado com Jorge Sampaio, talvez se possa dizer que está nos antípodas do pensamento do Chega, mas hoje o Chega também reconhece o papel de relevo que teve na democracia portuguesa durante o seu mandato de Presidente da República, nos vários cargos públicos que exerceu", salientou.

O líder do Chega transmitiu à família e aos amigos" os "sentimentos e condolências" e afirmou que espera que a "memória de Jorge Sampaio perdure, e certamente perdurará", no "conhecimento, memória e na ação política em Portugal".

Catarina Martins: "Soube fazer pontes à esquerda"

A coordenadora do BE, Catarina Martins, lamentou esta segunda-feira a morte de Jorge Sampaio, "figura central da democracia", que "soube fazer pontes à esquerda" e que lutou sempre por um Portugal "aberto, cosmopolita, solidário e defensor dos direitos humanos".

Numa declaração aos jornalistas desde a sede do Bloco de Esquerda (BE), em Lisboa, Catarina Martins transmitiu as "mais sentidas condolências à família de Jorge Sampaio, aos seus amigos, a quem lhe era mais próximo e ao Partido Socialista".

"Jorge Sampaio é uma figura central da democracia portuguesa. Foi líder da revolta estudantil de 62, advogado de presos políticos, teve uma participação ativa no 25 de Abril e depois da revolução soube fazer pontes à esquerda que permitiram projetos novos para o país, que o levaram às vitórias na Câmara de Lisboa e como Presidente da República", enalteceu.

Na perspetiva de Catarina Martins, Sampaio "foi até ao último dos seus dias um lutador por esta ideia de um Portugal aberto, cosmopolita, solidário, defensor dos direitos humanos".

"Nas causas nacionais como nas causas internacionais, da luta pela independência de Timor-Leste, o seu trabalho sobre a tuberculose, o seu trabalho contra a pobreza, soube sempre unir e ser exigente para com um país que ajudou a construir da sua democracia", elogiou.

Associação Académica de Coimbra recorda papel como líder estudantil

O presidente da Associação Académica de Coimbra (AAC), João Assunção, lamentou a morte de Jorge Sampaio, recordando o seu papel na crise académica de 1962.

"Mais do que um Presidente da República, foi um líder estudantil que teve uma importância fundamental na crise académica de 62 e que tem correlações óbvias e muito próximas com o movimento académica que havia em Coimbra", afirmou à agência Lusa João Assunção, salientando que não se perde apenas "um político ou um ex-Presidente da República, mas um cidadão ativo de sempre, desde a sua juventude".

Jorge Sampaio foi "um democrata convicto, um cidadão ativista como poucos existem, até à sua última manifestação pública que foi uma iniciativa para acolher jovens afegãos no país", salientou. "Foi um homem bom, um homem completo", resumiu João Assunção.

Nas redes sociais, a Associação Académica de Coimbra lamentou a morte de Jorge Sampaio, fazendo também alusão ao seu papel fundamental na crise académica de 1962, durante o Estado Novo, que levou milhares de estudantes a exigir liberdade de associação e expressão.

Luís Figo lamenta perda de "um amigo e uma referência"

O ex-futebolista e antigo capitão da seleção portuguesa Luís Figo afirmou esta sexta-feira que perdeu "um amigo e uma referência" com a morte de Jorge Sampaio e deixou as condolências à família do antigo Presidente da República.

"É um dia muito triste para mim e para o meu país. Perdi um amigo e uma referência, com quem tive o privilégio de conviver, e nunca esquecerei o seu contributo fundamental para importantes causas humanitárias. As minhas sentidas condolências a toda a família de Jorge Sampaio", escreveu Luís Figo na conta oficial na rede social Twitter.

Figo é o terceiro futebolista com mais jogos por Portugal (127) e foi capitão da seleção nacional entre 2001 e 2006, período em que Jorge Sampaio era Presidente de República.

Também através das redes sociais, Ricardo Quaresma, atualmente jogador do Vitória de Guimarães e campeão europeu com Portugal em 2016, prestou homenagem ao antigo chefe de Estado, destacando o seu comportamento "humanista".

"Obrigado, Presidente Jorge Sampaio pela forma humanista e pelo caráter com que sempre esteve na vida e na presidência. Saibamos fazer do seu exemplo uma ponte para a igualdade e ajuda entre povos", escreveu o extremo, de 37 anos, no Instagram.

Mota Amaral diz que "há uma luz que se apaga" na política portuguesa

O antigo presidente da Assembleia da República Mota Amaral defendeu esta sexta-feira que "há uma luz que se apaga" na política com a morte de Jorge Sampaio, um "entusiástico servidor de causas", esperando que o seu exemplo tenha sempre seguidores.

"Com a morte de Jorge Sampaio há uma luz que se apaga, no quadro político português. Oxalá o seu exemplo de desapego de honrarias e de compromisso para ajudar os necessitados tenha sempre seguidores. Curvo-me perante a sua memória!", pode ler-se numa nota de Mota Amaral (PSD) enviada à agência Lusa.

O antigo presidente do Governo Regional dos Açores associa-se ao luto da família de Jorge Sampaio, que considera que "foi durante toda a vida um entusiástico servidor de causas".

"Do seu envolvimento, ainda aluno universitário, nas arriscadas tarefas das Associações de Estudantes, que a Ditadura então vigente perseguia de forma sistemática, passou a advogar em favor de presos políticos nos repugnantes Tribunais Plenários, criados para os condenar a duras penas", elencou.

Com o 25 de Abril, recordou Mota Amaral, o antigo Presidente da República surgiu na primeira linha do Movimento da Esquerda Socialista e depois no PS, seguindo-se a Câmara Municipal de Lisboa e a Presidência da República.

"Admirei o desempenho presidencial de Jorge Sampaio, que pude seguir de perto enquanto fui Presidente da Assembleia da República. Mas talvez mais ainda o seu envolvimento dedicadíssimo em missões internacionais, confiadas pelo Secretário-Geral da ONU, após a sua saída do Palácio de Belém, de luta contra a tuberculose e em prol do diálogo entre civilizações", elogiou.

O social-democrata afirmou ainda que "quando se podia dizer já que Jorge Sampaio não tinha nada a provar a ninguém", lançou a iniciativa de acolhimento em Portugal de estudantes sírios.

Jerónimo destaca "elevadas responsabilidades políticas" e luta contra o fascismo

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, apresentou esta sexta-feira "sinceras condolências" ao PS e à família do antigo Presidente da República Jorge Sampaio, enaltecendo as "elevadas responsabilidades políticas" que desempenhou e a luta contra a ditadura.

"No momento do falecimento de Jorge Sampaio, o PCP expressa ao PS e à sua família as nossas sinceras condolências. A Jorge Sampaio deve ser reconhecido o seu percurso democrático e de resistência ao fascismo, na qual releva, em particular, o papel desempenhado nos tribunais plenários nos anos da ditadura de numerosos antifascistas", sustentou o dirigente comunista aos jornalistas, no final de uma iniciativa de pré-campanha da CDU, no concelho de Coruche (Santarém).

Jerónimo de Sousa enalteceu também as "elevadas responsabilidades políticas" que Sampaio desempenhou, nomeadamente o cargo de secretário-geral do PS, o de presidente da Câmara de Lisboa, pela coligação 'Por Lisboa' com o PCP.

O secretário-geral do PCP também recordou o apoio do partido à candidatura de Jorge Sampaio à Presidência da República, eleição que viria a ganhar.

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