As linhas vermelhas que separam PSD e PAN começam nos debates

Rui Rio e Inês Sousa Real protagonizaram o último frente-a-frente televisivo antes do arranque oficial da campanha eleitoral

Horas antes do debate, Inês Sousa Real insistiu em estabelecer a fronteira das pontes de diálogo com PS ou PSD. "Teremos que ver qual a força política que está em condições, não só de formar governo, mas de se aproximar daquilo que é uma agenda do século XXI, uma agenda progressista e ambientalista, que se preocupa também com os direitos humanos", mas isso acontecerá depois de "sentar à mesa e perceber quais as linhas vermelhas que existem" e que "compromissos [PS ou PSD]estão dispostos a assumir".

O líder social-democrata, que já tinha acusado o PAN - críticas que vêm desde 2019 - de ser "fundamentalista" ao invés do PSD com "muitas tradições no ambiente" e mais "moderado", minutos antes do debate assinalou as "discordâncias profundas" que separam os dois partidos, nomeadamente na "agricultura", e o "muito fundamentalismo". Mas há, apontou "alguns" pontos em que a postura é semelhante: nas áreas da "saúde", por exemplo.

No entanto, o que Rui Rio queria deixar evidente era outro tema. "As mentiras [palavra que usou duas vezes sem explicar do que falava] e a intoxicação que o PS está a fazer na opinião pública". A explicação para a atitude socialista, diz, tem uma razão: "O PS percebeu que perdeu o debate" de quinta-feira - o frente-a-frente entre Rio e Costa.

Na RTP, ficaram estabelecidas, pelo menos, três linhas vermelhas: debates quinzenais, plantação de eucaliptos e a descida de IRC que Rui Rio defende ser mais prioritária do que a do IRS.

Inês Sousa Real questionado sobre se lhe é indiferente Costa ou Rio no governo começou por falar do "avançar das causas" do PAN, mas rapidamente esclareceu ser importante a "reposição dos debates quinzenais", acusando mais tarde o líder do PSD de "desprezar" a Assembleia nda República, de "desprezar" o trabalho dos deputados.

Rui Rio, que garantiu não ter qualquer desprezo pelo trabalho parlamentar, insistiu nas razões que sempre defendeu. "A política não é para o espétaculo. O que é relevante é que a Assembleia da República fiscalize a atuação do governo (...) não é uma tarde inteira com o primeiro-ministro e todo o governo (...) até porque os ministros estão quase sempre no parlamento a responder aos deputados".
Como estava, assegura Rui Rui, "não era esclarecimento, era um espétaculo mediático (...) uma berraria (...) não tenho desprezo pelo parlamento, mas sou crítico da forma como funciona", concluiu.

Sobre a questão dos impostos, nada de novo. Inês Sousa Real voltou a insistir na retirada de beneficios fiscais às empresas "poluidoras" e insistiu na questão da descida do IRS contrariando as teses do líder do PSD. Já sobre o IRC admite uma "descida para os 17% ou até mais". Rui Rio voltou a explicar porque faz mais sentido baixar o IRC e só depois o IRS explicando que a ideia de "baixar IRC e IRS agravaria a dívida pública". O que é preciso, insistiu, é fazer as coisas "na medida do possível".

Inês Sousa Real que surgiu, neste debate, mais veemente - interrompeu até ,por várias vezes, Rui Rio que se apresentou numa postura em tudo semelhante às anteriores - elegeu ainda uma terceira "linha vermelha": a plantação de mais eucaliptos como sugere o PSD "no seu programa eleitoral".

"É estar de volta ao tempo da lei Cristas, é não ter memória dos incêndios de 2017 (...) queremos reverter os apoios ao eucalipto (...) não podemos ser caixas de fósforos a arder". Rui Rio explicou, mais uma vez, porque defende "a plantação de árvores de crescimento rápido, eucaliptos, pinheiros e outras" usando as duas percentagens que sempre usa: 25% do território português está ao abandono e sem qualquer cultivo; 50% dos incêndios começam nas áreas de mato. "Os terrenos têm que dar lucro aos proprietários (...) que são obrigados a fazer as limpezas", explicou.

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