As cinco lições da pandemia e um aviso: "É preciso arregaçar as mangas"

Na intervenção inaugural na reunião magna dos socialistas, António Costa sustentou que a pandemia veio mostrar como é "imprescindível" um Estado social forte.

As lições que a pandemia trouxe à governação e um toque a reunir para as autárquicas - de questões internas, nem sombra. António Costa fez hoje a intervenção inaugural no 23º congresso do PS com um discurso a sublinhar o papel "imprescindível" de um Estado social forte, que a pandemia veio evidenciar, e a apontar agora para a recuperação da crise, e para um cenário em que o país cresce acima da média da União Europeia.

As palavras iniciais do secretário-geral socialista - reeleito nas eleições diretas com 21 888 votos expressos, 94% do total de votantes, segundo os dados definitivos apresentados no congresso - foram para os profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS). "Temos de dirigir uma saudação muito calorosa a todos os profissionais de saúde, médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico, assistentes operacionais", apelou, com o congresso a levantar-se numa prolongada ovação. Um agradecimento que estendeu às Forças Armadas e também aos autarcas "de todos os partidos", mas sobretudo aos "portugueses" - "Esta palavra é merecida e devida aos portugueses. Mais uma vez fomos excecionais".

Referindo que o país viveu "momentos terríveis" com a pandemia, Costa defendeu que "há cinco grandes lições" a retirar deste último ano e meio. A primeira é que um "Estado social forte é imprescindível. Sem um Estado social forte não teríamos tido o músculo da Segurança Social a apoiar os rendimentos, a apoiar os empregos, as empresas. Sem um Estado social forte não teríamos tido, sobretudo, um SNS que foi a grande resposta a esta pandemia".

Feito o elogio ao SNS, e a promessa de que manterá o investimento na saúde pública, Costa passou à segunda lição da pandemia: "Às crises responde-se com solidariedade e não com austeridade". "Não cortámos pensões, não cortámos vencimentos, atualizámos o salário mínimo e as pensões", enumerou, antes de apontar também a TAP para garantir que o Governo não deixará cair a empresa - "Fomos capazes de intervir para salvar empresas absolutamente estratégicas para o país, como é a TAP. Iremos salvá-la, porque é fundamental para assegurar a coesão territorial e a internacionalização da nossa economia".

Em defesa de que a austeridade não resolve as crises, o líder socialista apontou o exemplo do desemprego: "Na crise passada, em 2013, o desemprego chegou aos 18,5%. Nesta crise o desemprego não ultrapassou os 8% e neste momento está nos 6,7%". Resultado das políticas de apoio, invocou, "estamos a crescer acima da zona euro, acima da União Europeia, o que significa que, tal como tinha acontecido em 2017, em 2018 e 2019, também em 2021 o país retomará a trajetória de convergência".

Segundo Costa a pandemia também veio provar - e esta foi a terceira lição - a importância das contas certas: "Foi fundamental combinar a rutura da austeridade com a firmeza das finanças públicas". Já a quarta lição mostrou que "mais uma vez se provou" que a União Europeia é essencial na resposta a crises globais.

Já a quinta e última lição da pandemia foi a necessidade de Portugal dar resposta "mais rápida" às vulnerabilidades evidenciadas pela pandemia no último ano e meio, nomeadamente a precariedade do trabalho. Neste capítulo falou em particular do setor da cultura, prometendo um "passo histórico" - "de uma vez por todas tratar de todos os que trabalham no setor da Cultura, com proteção e segurança social para todas as eventualidades".

O líder socialista prometeu ainda "continuar a combater, com toda a energia, essa chaga que é a corrupção".

"Não somos um partido qualquer"

No retrato do país traçado pelo secretário-geral socialista e primeiro-ministro, o processo de vacinação abre "agora a esperança de manter a pandemia sob controlo", as "medidas de política económica e social adotadas permitiram estabilizar a economia e o emprego", pelo que se perspetiva "um forte crescimento, com convergência com a União Europeia e com os países mais desenvolvidos".

É, portanto a hora de "fazer mais e melhor": "Não somos daqueles que nos conformamos com mais do mesmo, mas, antes, somos aqueles que temos a ambição de ir mais longe, mais depressa e levar o país para a frente".

Foi o mote para apelar à mobilização do partido para as eleições autárquicas de 26 de setembro. "Não somos um partido qualquer, somos o maior partido autárquico português. Somos um grande partido nacional popular. Somos o único partido que tem autarquias nos Açores, na Madeira, no Algarve, no Alentejo, Lisboa e Vale do Tejo, no Centro e no Norte", afirmou Costa, exortando os socialistas: "Vamos construir uma nova vitória".

Os quatro "sucessores". E Marta Temido

Sentados na mesa do congresso estiveram os quatro potenciais sucessores de Costa - Pedro Nuno Santos, Fernando Medina, Mariana Vieira da Silva e Ana Catarina Mendes. Logo de manhã, à chegada a Portimão, Costa já tinha fechado a porta ao tema da sucessão com um "essa questão não existe, acabo de ser reeleito", linha que foi repetida pelos quatro dirigentes socialistas. Quem também esteve sentada na principal bancada do congresso - e mereceu várias referências nos discursos ao longo do dia - foi Marta Temido. A ministra da Saúde anunciou ter-se filiado recentemente no PS.

susete.francisco@dn.pt

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