Armador grego não paga no prazo pela segunda vez

Os gregos da Thesarco Shipping não pagaram os quase 13 milhões de euros que tinham proposto para a compra do Atlântida, navio que o Governo dos Açores encomendou e depois rejeitou, diz fonte da empresa pública.

De acordo com a mesma fonte a administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) irá reunir nos próximos dias para decidir os procedimentos a seguir neste caso, depois de terminado o segundo prazo atribuído ao armador grego para pagar o Atlântida sem que o tenha feito.

O programa do procedimento lançado em março passado pela administração dos ENVC para a venda do navio, que o armador grego venceu, prevê a possibilidade de adjudicação do navio ao segundo classificado, a Mystic Cruises, do grupo Douro Azul (cruzeiros turísticos) por um valor que ronda os oito milhões de euros.

De acordo com a fonte dos ENVC o grupo do empresário Mário Ferreira deverá ser notificado após a reunião da administração e terá um prazo que não especificou para concretizar o negócio.

Na segunda-feira passada a administração dos ENVC tinha notificado o armador grego de que tinha até, às 15:00 de hoje para efetuar o pagamento dessa verba.

Ao concurso público internacional concorreu ainda o consórcio MD Roelofs Beheer BV e Chevalier Floatels BV (empresas holandesas representadas por um grupo espanhol) que apresentou uma proposta que ronda os quatro milhões de euros.

O júri do concurso foi presidido por um elemento da Inspeção-Geral de Finanças, integrando ainda representantes da Direção-Geral do Tesouro e Finanças e da Direção-Geral de Armamento e Infraestruturas de Defesa.

O navio foi construído nos ENVC, por encomenda do Governo dos Açores, que depois o rejeitaria em 2009 devido a um nó de diferença na velocidade máxima contratada.

Concluído desde maio desse ano, o "Atlântida" está avaliado em 29 milhões de euros no relatório e contas dos ENVC de 2012, quando deveria ter rendido quase 50 milhões de euros.

Os ENVC estão em processo de liquidação, tendo os terrenos e infraestruturas sido subconcessionadas ao grupo privado Martifer, que criou para o efeito a West Sea. A nova empresa tomou posse em maio e já contratou mais de 60 ex-funcionários da empresa pública.

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