António Costa garante que não sai, dribla Pedro Nuno Santos e defende Cabrita

"A minha saída não está na ordem do dia", disse o primeiro-ministro e secretário-geral do PS em entrevista à SIC no final do primeiro dia do Congresso socialista.

"A minha saída não está na ordem do dia. Acabei de ser reeleito", disse António Costa, numa entrevista à SIC, quando questionado sobre o seu futuro e o facto de ter dito que em dois anos o país pode não o querer ver pela frente. "É um pressuposto em que todos nós temos que assentar", acrescentou, tentando evitar este tema.

"Fico comovido até com o interesse que tem sobre o futuro da minha vida, mas eu estou preocupado é com o futuro do nosso país e o futuro dos portugueses", disse, questionado sobre um eventual interesse num cargo europeu. "Fizemos uma grande presidência, mas neste momento as minhas funções são em Portugal e é em Portugal que estou 100% concentrado", afirmou.

Com o Congresso do PS em pano de fundo, o secretário-geral e primeiro-ministro foi questionado sobre o atraso de Pedro Nuno Santos à chegada ao evento e a indicação de que este não quer falar. "O PS é um partido livre onde todos podem falar mas onde todos também têm direito ao silêncio, se assim o entenderem. Essa não é a questão do Congresso", disse António Costa. Mas admitiu estar "muito contente" com o trabalho do ministro no Governo.

Sobre uma "resistência à mudança dentro do Governo", o primeiro-ministro disse que "as mudanças fazem-se quando se têm que fazer". Mas também disse que "quando tiver que fazer uma mudança fará".

Questionado sobre o caso do acidente o ministro Eduardo Cabrita e se achava que se devia saber a velocidade a que seguia o carro, António Costa defendeu que os inquéritos devem ser feitos pelas autoridades judiciárias e todos nós devemos responder e confiar nas autoridades judiciárias".

E rejeitou especular. "A oposição, que não tem nada a dizer sobre sobre os problemas concretos do país, gasta o tempo nesses casos e casinhos, quando o único assunto lamentável aqui é uma vida humana ter-se perdido", disse Costa. "Se as pessoas tivessem respeito pela vida humana que se perdeu, aguardavam que as autoridades apurassem o que acontece. E não aproveitassem um caso lamentável da perda de uma vida humana para fazer um ataque político a uma pessoa que era um passageiro de um automóvel". O primeiro-ministro disse ainda que este caso tem sido "das coisas mais revoltantes que tenho visto, desprezíveis".

Congresso

O primeiro-ministro tentou sempre levar a entrevista para o dia de hoje. "Este congresso está naturalmente centrado no que são os principais desafios que país tem que enfrentar: vencer a pandemia, acelerar a recuperação do país... é nisso que o Partido Socialista está concentrado. Numa grande unidade que se expressou quer na reeleição quase por unanimidade do presidente do partido, quer na minha reeleição com 94%".

"Sabemos muito bem o que queremos e o que estamos a fazer. E o país também sabe. O país percebe que a grande prioridade que temos é vencer esta pandemia, esta semana se tudo correr bem vamos dar um passo extraordinário, 70% das crianças terão a primeira dose", reiterou o secretário-geral.

"Estamos a menos de um mês das eleições autárquicas, portanto este congresso está muito concentrado nas autarquias locais, parceiros fundamentais quer no combate à pandemia, quer na recuperação económica e na transformação estrutural do país", defendeu o secretário-geral.

O grande desafio é o país aproveitar as oportunidade que tem, não se limitar a voltar ao ponto onde estava, mas ter uma transformação estrutural, no serviço nacional de saúde, na economia, na educação", defendeu.

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