André Ventura empata Rui Rio na oposição

Líder do Chega volta a ganhar protagonismo. Resultados na região norte e no Porto seguram presidente do PSD.

André Ventura (33%) deixa Catarina Martins (10%) definitivamente para trás e empata com Rui Rio (33%) no estatuto de líder da oposição, de acordo com o barómetro da Aximage para DN, JN e TSF. Numa escolha em que o valor facial de cada partido não parece ter peso, o líder do Chega parece estar ainda a beneficiar da exposição mediática que conseguiu durante a campanha para as eleições presidenciais de janeiro (ganhou 13 pontos desde novembro), enquanto o presidente social-democrata vai acusando quebras ligeiras (perde dois pontos no mesmo período).

Rio é apontado para o papel entre os eleitores socialistas e, naturalmente, entre os que votam no PSD (56%, a votação mais robusta). Ainda assim, um em cada cinco sociais-democratas prefere Ventura, que é o mais apontado pelos eleitores do PAN, pelos liberais e pelos que votam no Chega (neste caso faz quase o pleno). Catarina Martins só convence os bloquistas como líder da oposição, enquanto Jerónimo de Sousa empata com Rio entre os comunistas. João Cotrim de Figueiredo, líder da Iniciativa Liberal, aparece pela primeira vez nestas contas, ainda que com escassos 2%.

Rio lidera no norte

No equilibrado duelo entre os dois dirigentes da direita, é notória uma fronteira geográfica: Rui Rio é o preferido como líder da oposição na região norte e, em particular, na Área Metropolitana do Porto (recorde-se que presidiu à autarquia da Invicta durante 12 anos); nas restantes regiões, lidera Ventura. Há também uma diferença geracional, uma vez que o presidente do PSD vai à frente nos dois escalões mais velhos, enquanto o do Chega lidera nos mais jovens.

Vai ser preciso esperar para se perceber se o líder da direita radical consegue passar para a frente, embora este seja um título com baixa reputação: quando se pede aos portugueses que avaliem a oposição em geral, há um saldo negativo de 13 pontos percentuais (a diferença entre avaliações positivas e negativas).

O saldo é negativo em todos os segmentos partidários. Embora os que votam no PS sejam dos menos insatisfeitos com a oposição. Melhor resultado só entre os que escolhem o Chega (e mesmo assim com seis pontos negativos). Destacam-se na avaliação negativa os eleitores da Iniciativa Liberal, os bloquistas e os do PAN.

Combater a doença sem olhar ao défice

O combate à pandemia deve estar no topo das preocupações do governo em 2021. Perante cinco tarefas elencadas para os próximos meses, foi apontada como "prioridade máxima" por 85% dos inquiridos, com destaque para os que têm mais de 65 anos (92%), de acordo com a sondagem da Aximage para DN, JN e TSF. Onde não há urgência é na redução do défice orçamental (52% acham importante mas não prioritário).

Com apenas um ponto percentual de diferença (84%), surge logo a seguir o investimento no Serviço Nacional de Saúde, destacando-se os inquiridos mais pobres (98%) e as mulheres, com mais oito pontos percentuais do que os homens. Em terceiro lugar nas prioridades para 2021 está o combate à pobreza (79%), de novo com os mais velhos, os mais pobres e as mulheres entre os mais empenhados. São 18% os que não atribuem prioridade a este objetivo, destacando-se os mais novos (28%) e os que vivem em Lisboa (24%).

O fortalecimento da economia recolhe apenas 69%, destacando-se os eleitores liberais, sociais-democratas e socialistas. Entre os 26% que consideram este objetivo importante mas não prioritário, destacam-se os habitantes da Área Metropolitana do Porto e os mais ricos.

Fora das preocupações da maioria está a redução do défice orçamental: apenas 38% acham que há "prioridade máxima" (com destaque para os residente na região norte e os eleitores do Chega), enquanto 52% a consideram importante mas não prioritária (os mais jovens e os mais ricos, mas também os eleitores bloquistas e comunistas).

rafael@jn.pt

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