Ana Gomes recebe resposta da Europol sobre o Chega

Ex-candidata à Presidência da República alertou para as desigualdades no confinamento e saudou candidatura de Carlos Moedas à Câmara de Lisboa.

Ana Gomes revelou esta sexta-feira no Jornal 2 da RTP 2 que, além do pedido de ilegalização do Chega à Procuradoria-Geral da República (PGR), também fez uma participação às autoridades europeias e mundiais e que já recebeu uma resposta da diretora executiva da Europol "a dizer que estão prontos para ajudar as autoridades portuguesas, devido a suspeitas ligadas a crimes internacionais".

"Estou disponível para colaborar com as autoridade, mas é uma matéria que é ao Tribunal Constitucional que cabe pronunciar. Não tenho dúvidas que é com respostas eficazes aos problemas dos cidadãos que vamos arredar este tipo de partidos, que promovem a desunião e a violência, mas a questão legal não pode ser posta por baixo do tapete", argumentou a ex-candidata a Belém, que diz que nunca se absteve nem nunca se irá abster de intervir.

A ex-eurodeputada apelou ainda para que sejam tidas em conta as desigualdades num momento em que Portugal está confinado. "Há 40% da população portuguesa que não pôde desconfinar. E é diferente confinar numa casa ampla e com condições e num apartamento mínimo e a cuidar dos filhos. Há muita gente preocupada com o desemprego, o fim das moratórias e a não chegada dos apoios prometidos", sublinhou, temendo mais atrasos e problemas no surgimento da chamada bazuca europeia, antevendo que a Hungria volte a colocar dificuldades.

"Não podemos deitar tudo a perder, mas há consequências tremendas, e há um conjunto de cidadãos que já está com fadiga e não está a cumprir. Daí ter sido uma das que subscreveu uma reabertura faseada e gradual das escolas, começando pelas creches e pelos primeiros níveis, e com testes em massa", acrescentou.

A diplomata teceu ainda duras críticas à União Europeia relativamente à gestão das vacinas. "É extraordinariamente importante que a UE se tenha mobilizado para tornar a vacina possível, mas não compreendo que esteja a ser gerido com a lógica neoliberal do mercado. Devia ser aberta a todo o mundo e produzida em todo o mundo. A UE está a boicotar a abertura a outros países para a produção das vacinas. Estamos contaminados por um vírus neoliberal. A lógica tem de ser salvar vidas e garantir o direito à vida. Se não nos vacinarmos universalmente, ficaremos sempre à mercê das nossas variantes que forem aparecendo. Presidência portuguesa devia fazer a diferença e não embarcar pela lógica neoliberal", alertou, pedindo para que se olhe para África e para os países menos desenvolvidos.

Sobre as autárquicas, saudou a candidatura de Carlos Moedas, referindo-se ao candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP para a Câmara de Lisboa como "excelente" para combater nas urnas com Fernando Medina.

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