Ana Gomes e Mayan trouxeram Sócrates e Portas a um debate que só convergiu nas críticas a Costa

Ambos os candidatos consideraram inaceitáveis as declarações do primeiro-ministro sobre os sociais-democratas que o criticaram na questão do procurador europeu. Ana Gomes até o comparou a Viktor Orbán, o líder Húngaro.

As realidades completamente opostas apresentadas pelos candidatos presidenciais Ana Gomes e Tiago Mayan Gonçalves trouxeram Sócrates e Portas ao debate e apenas convergiram na condenação das declarações do primeiro-ministro sobre três sociais-democratas.

As acusações do liberal Tiago Mayan Gonçalves, durante um debate que decorreu na noite de quinta-feira na TVI24, sobre a alegada conivência da socialista Ana Gomes em relação aos processos que envolvem o antigo primeiro-ministro José Sócrates, considerando que tinha "hipermetropia, que é ver mal ao perto", foi o mote para um frente-a-frente centrado, em particular, na corrupção.

"Ana Gomes gosta tanto de falar de corrupção e de lançar anátemas, mesmo quando os processos não estão terminados, esses sinais de alarme, essas campainhas de alarme, nunca soaram quando andava com Sócrates. Quando Sócrates era um vencedor, andava com ele. Quando Sócrates começou a perder, Ana Gomes juntou-se à campanha de ataque pessoal a Sócrates", criticou o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal.

Na réplica, a antiga eurodeputada socialista referiu que foi uma das pessoas que desde "muito cedo" contestou várias posições de Sócrates e que "não sabia nem da missa a metade".

"Eu não falo apenas de corrupção, eu atuo sobre corrupção. Faço denúncias fundamentadas que entrego e não me substituo às autoridades da Justiça", completou Ana Gomes, que utilizou o processo de corrupção relativo ao concurso público para a aquisição de dois submarinos, em 2004, como um exemplo das denúncias que fez sobre corrupção.

Sobre esse assunto, Tiago Mayan Gonçalves respondeu que Ana Gomes, no parlamento, "trocou datas para imputar a Paulo Portas factos que nunca se tinham passado durante a sua governação", acusação que a socialista negou, considerando que apenas leu "aquilo que tinha sido um erro de interpretação da própria procuradora do caso".

Sobre a corrupção - umas das bandeiras da candidata socialista - Mayan Gonçalves considerou que é um flagelo em Portugal, mas "os paladinos da corrupção só falam dos sintomas" e o 'dedo foi apontado' à visão de "Estado a mais" preconizada pelos socialistas.

"A mim o que me preocupa mais é a realidade dos processos que não vemos. Porque é que isto acontece? Porque, por exemplo, temos Estado a mais a ter de carimbar cinco vezes um processo, em vez de precisarmos de só uma. Cada carimbo é uma oportunidade de corrupção. Estado a adjudicar obras públicas, Estado a controlar fundos europeus. A oportunidade para a corrupção está em tudo isto", explicou o liberal.

Acrescentou que, para combater o problema, o Presidente da República, podia, por exemplo, "ter vetado a lei de contratação pública que foi aprovada recentemente que abre caminho para a corrupção".

Ana Gomes concordou com o adversário nesta intervenção que o chefe de Estado podia ter tido, mas, por seu turno, 'apontou o dedo' aos liberais e propôs como uma solução melhor "não alinhar com os esquemas de desregulação que os liberais sempre defendem e que no fundo é a maior conduta para a desregulação".

Os dois candidatos a Belém apenas chegaram a acordo na condenação das declarações que o primeiro-ministro, o socialista António Costa, fez sobre os sociais-democratas Paulo Rangel, Ricardo Batista Leite e Miguel Poiares Maduro estarem alegadamente a fazer uma campanha para denegrir a imagem externa de Portugal.

"Soou-me demasiado ao tipo de argumentos que, por exemplo, [o primeiro-ministro da Hungria, Viktor] Orbán usa para atacar quem o critica e eu acho que o nosso primeiro-ministro é muito melhor do que isso, obviamente não está a esse nível. E por isso custou-me ver esse tipo de resposta a críticas", considerou Ana Gomes.

Já Tiago Mayan Gonçalves considerou que o que o chefe de Governo disse foi "absolutamente inaceitável e indigno" e aproveitou para reforçar a crítica à decisão de o Governo não demitir a ministra da Justiça na sequência das informações erradas no currículo do procurador José Guerra: "Um Governo que assume as responsabilidades tem de assumir as consequências dessas responsabilidades e, evidentemente, a ministra da Justiça já não podia estar em funções, neste momento não tem autoridade."

Além de André Ventura e de Vitorino Silva, também são candidatos à Presidência da República o atual chefe de Estado Marcelo Rebelo de Sousa, Marisa Matias, Ana Gomes, Tiago Mayan Gonçalves e João Ferreira.

As eleições presidenciais estão agendadas para 24 de janeiro.

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