Amado recusa Governo de Bloco Central

O ex-ministro Luís Amado considera que Portugal tem um Governo estável, não vendo necessidade de alargar a coligação "neste momento", mas defende que esse cenário deve ficar em aberto, por poder ser preciso "garantir a confiança" dos investidores.

"Acho absolutamente indispensável que todos os cenários políticos estejam em aberto, designadamente a possibilidade de no futuro, se for necessário, unir forças politicas para garantir estabilidade e para garantir a confiança necessária para que o país possa captar de novo investimentos externos e poder crescer do ponto de vista económico e criar emprego para as novas gerações. É absolutamente indispensável que todo o esforço que os agentes políticos possam fazer seja garantido nesse sentido. Essa é a preocupação fundamental", disse o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros.

Luís Amado respondia a perguntas dos jornalistas em Lisboa, à margem do primeiro encontro "Triângulo Estratégico: América Latina - Europa - África", sobre a entrevista que o secretário-geral do PS deu ao Jornal de Notícias no domingo e na qual afastou a possibilidade de o partido entrar num Governo de Bloco Central.

Amado lembrou que quando era ministro do anterior Governo socialista defendeu "um Governo de estabilidade para a legislatura, num momento em que já se percebia que a crise na Europa ia ser muito difícil" para Portugal.

"Nesse contexto, tendo um Governo minoritário, eu defendi uma grande coligação para o país como uma das fórmulas possíveis para dar estabilidade governativa ao pais. O país tem hoje um Governo estável, tem um Governo que tem maioria garantida no parlamento, não vejo necessidade absolutamente nenhuma neste momento de haver uma mais ampla coligação do que aquela que já existe", acrescentou.

Para Amado, "seria até perverso para o sistema político português, quando há uma maioria e quando as propostas dessa maioria têm pleno acolhimento no Parlamento" que "se ampliasse essa coligação", deixando à "esquerda e à extrema esquerda a mobilização de um descontentamento" que considerou "difícil de conter face à gravidade da situação económica e social que o país conhece".

"Por isso, estou inteiramente de acordo com a posição do António José Seguro hoje. Não direi que no futuro mais imediato ou mais longínquo essa solução não venha a ser necessária para o país, mas neste momento, parece-me absolutamente correta a sua posição", acrescentou.

Questionado se considera que a situação do país se vai agravar e será necessário pedir um segundo resgate, Amado respondeu que "ninguém sabe responder a essa pergunta".

"Mas nós temos de ter confiança em nós próprios e ter confiança no nosso país e confiança nas nossas instituições. E eu acredito que o país, apesar das dificuldades e dos grandes constrangimento que tem, vai dar a volta a esta crise e vai conseguir adaptar-se a um exigente processo de reestruturação de todo o projeto europeu", acrescentou, destacando que a partir de 1 janeiro de 2013 "muito provavelmente" estará em vigor "um novo tratado, de grande exigência do ponto vista fiscal e orçamental" e "o país tem de se adaptar do ponto de vista do seu conceito estratégico a essa nova realidade de perda de soberania".

"Há aqui grandes interrogações sobre o nosso destino coletivo. É por isso que é necessário que as principais forças politicas e os principais atores se não percam em 'fait divers' e em questões menores", acrescentou, sublinhando a necessidade ficar em aberto a possibilidade de coligações mais alargadas no Governo.

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