"Adversários do acordo tudo farão" para que falhe

O Presidente da República afirmou esta quinta-feira que "existem adversários" do acordo em negociação pelo PSD, PS e CDS, que "não irão olhar a meios para que não se concretize".

Cavaco Silva, falando em conferência no primeiro dia da visita às ilhas Selvagens, não identificou esses adversários mas frisou e repetiu que os jornalistas conhecem.

"Existem adversários do acordo, do compromisso de salvação nacional, que tudo farão para que não se concretize e que não irão olhar a meios para que não se concretize", sustentou o Chefe do Estado.

Questionado especificamente sobre se estaria a referir-se ao ex-Presidente Mário Soares. Cavaco Silva respondeu: "Tenho muito respeito pelos ex-Presidentes da República, nunca fiz nem nunca farei" comentários sobre posições assumidas por eles e "espero que quando passar à reforma, se adopte a mesma atitude."

Os principais críticos do acordo têm sido figuras ligadas ao PS, como José Sócrates, ou mesmo dirigentes socialistas como João Galamba, embora a generalidade dos observadores também considere remota a hipótese de ser alcançado.

"Receio que não tenham feito uma análise cuidada da situação em que Portugal está", acrescentou Cavaco Silva, assinalando que estudou "aprofundadamente os dossiers" e ponderou "muito bem" os sacrifícios que estão a ser pedidos aos cidadãos. "Não tenho a mínima dúvida que o compromisso de salvação nacional é o melhor" para Portugal e o que "dá mais esperanças aos portugueses", sublinhou.

O Chefe do Estado disse continuar "a confiar no sentido de responsabilidade dos partidos políticos". "Não tenho qualquer garantia de que no final haverá acordo" mas, admitiu, "quase que tenho a certeza que todos os partidos estão convencidos, embora alguns não queiram dizer, que esta é claramente a solução que melhor serve o interesse nacional."

Cavaco Silva, com base nas informações que disse ter, deixou um grande elogio ao sentido de "máxima responsabilidade" do PSD, PS e CDS - partidos que "representam 90% dos deputados" no Parlamento, lembrou o Presidente.

"Aguardo os resultados com serenidade. Só posso confiar que, qualquer que seja o resultado, os partidos deram uma lição ao País de que é possível dialogar", adiantou Cavaco Silva.

O Presidente disse também estar "totalmente identificado" com a declaração feita quarta-feira pelas confederações patronais e pela UGT, apelando aos três partidos para chegarem rapidamente a um acordo e deixarem de lado os interesses partidários.

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