Adolfo quer voto secreto online para decidir moção de confiança

Líder da oposição interna a Francisco Rodrigues dos Santos receia que caráter digital da reunião do conselho nacional do próximo dia 6 seja pretexto para votação de "braço no ar".

A reunião do Conselho Nacional do CDS/PP para decidir a moção de confiança à direção vai ser online - mas o líder da oposição interna, Adolfo Mesquita Nunes, recusa que essa circunstância inviabilize a possibilidade de a votação ser secreta, considerando que só assim terá hipóteses de ver a sua posição vencer.

O antigo n.º 2 de Assunção Cristas na direção do CDS/PP quer que o partido se encaminhe rapidamente para um congresso eletivo, assumindo-se desde já como candidato à liderança, mas para já o que acontecerá, por iniciativa do presidente do partido, Francisco Rodrigues dos Santos ("Chicão"), é uma reunião virtual, marcada para dia 6, do conselho nacional do partido. Anteontem Chicão anunciou que nessa reunião será votada uma moção de confiança à sua liderança. Vencendo essa votação, o presidente do CDS/PP sairá relegitimado; mas se perder então estará definitivamente instalada uma crise na liderança do partido, devendo este encaminhar-se para um congresso.

Segundo o DN apurou, Adolfo Mesquita Nunes já enviou para a direção do CDS soluções informáticas que permitem votações secretas em reuniões online. O líder da oposição interna a Chicão sabe que se a votação for secreta as suas hipóteses de a ganhar serão bastante maiores do que se a votação for de "braço no ar".

A verdade é que, no congresso de Aveiro de janeiro de 2020 onde foi eleito presidente do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos também conquistou a maioria no conselho nacional (o "parlamento" do partido) mas por uma margem escassa (51,99%). A esta maioria somam-se, porém, várias inerências com direito a voto e essas inerências reforçam a maioria do atual presidente do CDS/PP.

"Os militantes do CDS têm direito a um congresso, não apenas para discutir a liderança mas para discutir também a estratégia, aquilo que devemos fazer para dar a volta a isto e para vencer esta crise que atravessamos."

Em Aveiro, a linha de Adolfo Mesquita Nunes foi protagonizada por João Almeida - todos herdeiros da liderança de Assunção Cristas, por sua vez herdeira da liderança de Paulo Portas -, obtendo 44,56% na eleição do conselho nacional. Chicão venceu João Almeida no congresso de Aveiro. A sua moção foi a mais votada (46,4% dos votos), contra 38,9% de João Almeida e 14,5% de Filipe Lobo d"Ávila. Este último acabou por integrar a direção vencedora mas há dias demitiu-se.

Adolfo Mesquita Nunes reagiu ao anúncio da convocatória do conselho nacional dizendo que Francisco Rodrigues dos Santos "se tivesse confiança na sua direção e se tivesse confiança no que resta da sua direção, teria anunciado a convocação do congresso extraordinário do partido para ouvir as bases e para ouvir os militantes do CDS". Segundo acrescentou, o presidente do partido preferiu "entrincheirar-se, procurando a proteção das inerências de que dispõe no conselho nacional".

"O país a desistir do CDS"

Na sua ótica, "esta crise que a direção parece não aceitar não pode ser resolvida com uma moção de confiança". "Nenhum dos nossos principais problemas se resolve assim", prosseguiu, defendendo que "o caminho para o reforço da confiança deveria ser outro" e devia estar "na mão dos militantes do CDS, como é seu direito".

"Os militantes do CDS têm direito a um congresso, não apenas para discutir a liderança mas para discutir também a estratégia, aquilo que devemos fazer para dar a volta a isto e para vencer esta crise que atravessamos", frisou também, alertando que, "se o CDS desistir de mudar" corre "o risco de que seja o país a desistir do CDS".

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