Administração da RTP demite-se, Governo aceita

O Conselho de Administração da RTP apresentou hoje o pedido de demissão ao Governo, numa reunião com o ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, pedido esse que foi aceite, informou hoje o gabinete de Miguel Relvas.

O pedido da demissão da administração da RTP, liderada por Guilherme Costa, surge na sequência do anúncio pelo consultor António Borges, que na semana passada disse numa entrevista à TVI que uma das propostas em cima da mesa é a concessão do grupo de media público a privados e o previsto fecho da RTP2.

"O modelo que foi tornado público é o modelo que está em cima da mesa e é o modelo que cumpre os objetivos do Governo", disse à Lusa fonte do gabinete de Miguel Relvas, ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, que tutela a comunicação social, um dia depois do anúncio.

No início desta semana, a administração da RTP disse que manifestou em "tempo oportuno" junto do Governo a sua discordância perante o cenário de uma concessão da empresa a um privado.

"O conselho de administração da RTP considera descabido do ponto de vista institucional a divulgação pública de opiniões favoráveis a um dos cenários ainda em análise, sentindo-se por isso obrigado a divulgar publicamente que manifestou, em tempo oportuno, a sua discordância relativamente a este cenário", apontou o órgão presidido por Guilherme Costa em nota divulgada na passada segunda-feira.

No documento, a administração da empresa disse ainda que "não reconhece os argumentos económicos de poupança para o Estado, apresentados publicamente, em favor deste cenário", quando comparados com os do Plano de Sustentabilidade Económica e Financeira (PSEF), aprovado pela tutela no final de 2011.

Esta posição veio a revelar as tensões existentes entre a administração e a tutela.

No entanto, é esta mesma administração que o ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, decidiu reconduzir para mais um mandato, num convite tornado público pelo governante em plena Assembleia da República, em novembro último.

"Convidei o atual presidente do conselho de administração para se manter em funções, renovando o contrato", disse o ministro em audição na reunião conjunta da comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais e do Orçamento, a 16 de novembro.

O governante acrescentou acreditar que "o trabalho feito [pela administração da RTP] é significativo".

Guilherme Costa era o rosto do plano de sustentabilidade económica e financeira da RTP apresentado no final de outubro de 2011 e aprovado pelo Executivo, e que teria uma implementação mais aprofundada em 2012.

Na altura, o ministro manifestou-se "profundamente convencido" de que o plano de sustentabilidade financeira da RTP iria "ter sucesso" e o apoio dos trabalhadores.

Durante a apresentação do plano de sustentabilidade económica e financeira da RTP, a 24 de outubro de 2011, Guilherme Costa tinha afirmado que o canal remanescente da privatização iria ter receitas publicitárias, o que estava incluído na estratégia do gestor.

Mas quase um mês depois, e após Guilherme Costa ter aceite o convite do ministro para continuar na RTP por mais um mandato, Miguel Relvas afirmava que "o canal subsistente da RTP não conterá publicidade comercial".

Uma contradição que foi desvalorizada por ambos os intervenientes, mas nessa altura falava-se da privatização de um dos canais generalistas da RTP.

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