A queda do Governo seria "um disparate, uma loucura"

O presidente do BIC Portugal considera que seria "um disparate, uma loucura" a queda do Governo e defendeu que a oposição trabalhe com "esta maioria" para "obrigar" o Executivo a fazer a reforma do Estado.

"Cair o Governo? E qual é a alternativa? Isso é um disparate, uma loucura", afirmou Mira Amaral em entrevista à Lusa, considerando que "se o Governo caísse, caía a credibilidade externa e disparavam os juros" da dívida soberana.

Por isso, o gestor e antigo ministro de Cavaco Silva deixa uma sugestão para a oposição: "Trabalhem com esta maioria e obriguem [o Governo] a avançar com a reforma do Estado".

"É preciso reduzir a despesa pública em três eixos: é preciso fazer a revisão do papel do Estado na economia, o que tem a ver com setores como saúde e educação e lá vamos para a discussão do Estado social, é preciso fazer reengenharia do setor público e a revisão da administração pública central, regional e local, extinguindo muita coisa socialmente inútil. Sem isso, já não é possível sacar mais impostos de uma economia moribunda", considera o presidente do Banco BIC Portugal.

Assim, "os três partidos que defendem a democracia, economia de mercado e integração europeia que tenham juízo e entendam-se, em vez de andar a fazer cortes às cegas. Mais valia fazer acordos com parceiros sociais e entenderem-se numa reforma do Estado para a fazer com futuro sustentável das finanças públicas".

Quanto a Portugal pedir as mesmas condições dadas à Grécia, o antigo ministro de Cavaco Silva considerou que isso seria "um erro" e defendeu que o país não deve negociar para já um alargamento do prazo para pagar o empréstimo da 'troika'.

"Como conheço bem os portugueses, quando arranjamos mais prazo dizemos 'que alívio' e em vez de tratar disto hoje tratamos amanhã", considerou.

O gestor admite, no entanto, que a questão do alargamento do prazo se possa vir a colocar, "mas quando se puser deve ser o Governo em privado e não em público" a discutir esse assunto.

Sobre a criação de um banco de fomento, defendida pelo Governo, Mira Amaral baseia-se na sua experiência como quadro do Banco de Fomento Exterior para considerar que "não há razão para haver um banco de fomento na lógica passada", quando financiava empréstimos a médio e longo prazo.

"Hoje, o que o BFE fazia, os outros bancos também fazem", sublinhou.

Para Mira Amaral, se o objetivo do Governo é apoiar as empresas, este devia pôr "a Caixa Geral de Depósitos a fazer isso". Já se o objetivo é tornar mais eficiente o uso dos fundos comunitários, considerou que pode fazer sentido a criação de uma agência de financiamento.

"A ideia [do banco de fomento] é infeliz. Se é preciso aproveitar melhor os fundos comunitário, então, crie-se uma agência de financiamento que faça o papel que o IFAP [Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas] e o IAPMEI [Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação] andaram a fazer. É ridículo já ter um banco público e ir criar outro", concluiu.

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